Síria: a crise de refugiados em números

| 6 Fev 2019 | Destaque 2, Direitos Humanos, Estado, Política e Religiões, Últimas

Qual a real dimensão da guerra na Síria? A Ajuda à Igreja que Sofre, instituição católica internacional dependente do Vaticano, produziu um conjunto de infografias sobre a emergência social que se vive no país. O 7MARGENS apresenta a seguir algumas delas, acrescentando alguns dados sobre a dura realidade vivida neste país. 

A urgência de assistência humanitária

É já o oitavo ano de guerra na Síria e, segundo o UNOCHA – Gabinete das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários, são os civis que continuam a suportar consequências de grande parte do conflito. Há 13 milhões de pessoas com necessidade de assistência humanitária e 5,7 milhões à espera de assistência imediata. 

A maioria das necessidades da população advém diretamente da violência, sendo as deslocações múltiplas e prolongadas e a pobreza crescente os maiores problemas a condicionar as vidas dos sírios afetados pelo conflito.

11,8 milhões de deslocados

É a Turquia o país com mais refugiados sírios na região, acolhendo aproximadamente 3,6 milhões de sírios. No entanto é o Líbano que acolhe, proporcionalmente o maior número de refugiados: 982 mil numa população de 4,5 milhões. 

Quando se deslocam para países vizinhos, os sírios acabam por viver em zonas urbanas e apenas 8% continua a habitar em campos de refugiados. A maioria vive no limiar da pobreza e, no Líbano, 70% dos sírios está abaixo da linha da pobreza.

A vulnerabilidade das crianças sírias

As crianças sírias são as que mais sofrem e perigos enfrentam. Além das doenças como a poliomielite e má nutrição, há relatos de trabalho infantil, crianças-soldados e casamentos infantis.

As oportunidades de ensino escasseiam já que 1,75 milhões de crianças não frequentou a escola no ano letivo de 2015/2016. O conflito também afectou a saúde física e mental dos mais jovens, a longo prazo. Qual será o impacto cumulativo destes fatores nos futuros adultos do país?

Num contexto em que menos de metade dos serviços de saúde públicos existentes anteriormente permanecem totalmente funcionais, as falhas nos serviços básicos resultam na incapacidade de atender às necessidades de saúde “normais” da população, como a vacinação e os cuidados pré-natais. 

Também o êxodo de trabalhadores especializados deixou enormes lacunas na saúde. O aumento do trauma, das questões de saúde mental e as necessidades de incapacidade física resultantes da crise têm tido dificuldades em ser enfrentados.

Custo de vida e pobreza na Síria

O preço dos produtos básicos aumentou devido à guerra, sendo o acesso a pão e outros alimentos básicos muito limitado. A menor disponibilidade de produtos alimentares e a destruição de provisões está a diminuir o poder de compra e a reduzir a capacidade de resiliência contra embates futuros.

Na Síria, a deterioração dos sistemas de gestão de água, saneamento e resíduos sólidos ainda é um desafio.

 

Fontes e siglas:

UNICEF – United Nations International Children’s Emergency Fund (Fundo das Nações Unidas para a Infância)

WHO – World Health Organization (Organização Mundial da Saúde)

WB – World Bank Group (Banco Mundial)

WFP – World Food Program (Programa Mundial da Alimentação)

 

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participam:

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