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la strada, o filme preferido do papa

Francisco, 2013-2023 (5)

10 anos de pontificado, 10 gostos do Papa: La Strada, de Federico Fellini

la strada, o filme preferido do papa

Estreado em 1954 no Festival de Cinema de Veneza, La Strada conta a história de Gelsomina (interpretada por Giulietta Masina), uma jovem inocente e sonhadora, vendida pela mãe a Zampano (interpretado por Anthony Quinn).

 

La Strada é o filme preferido do Papa Francisco. Estreado em 1954 no Festival de Cinema de Veneza, a obra realizada por Federico Fellini conta a história de Gelsomina, uma jovem inocente e sonhadora (interpretada por Giulietta Masina, mulher do realizador), vendida pela mãe a Zampano (interpretado por Anthony Quinn). Na história, intervém outra personagem relevante, o Doido (que Richard Basehart interpreta). A música é de Nino Rota.

O Papa identifica-se com A Estrada, sublinhando a referência que nele está implícita a São Francisco de Assis. “A noção fundamental da doutrina franciscana da pobreza radical do homem diante de Deus iluminará também a profunda espiritualidade do filme e das suas personagens”, escreve Pascal Couté, professor de Cinema e Estética na Universidade de Caen, em “La Strada de Federico Fellini : un film franciscain?”, num texto que estabelece precisamente a natureza franciscana de A Estrada. O autor começa, aliás, por recordar que “aos jornalistas que lhe perguntaram, durante uma conferência de imprensa em Paris, se o seu filme era cristão, Fellini respondeu: ‘É um filme franciscano’”.

Um dos cartazes de promoção de La Strada, filme premiado com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, La Strada suscitou uma polémica entre escolas críticas, recordou Àngel Quintana nos Cahiers du Cinéma (1). “Os círculos marxistas e, nomeadamente, o director da revista Cinema Nuovo, Guido Aristarco, criticaram os valores religiosos do filme e vêem nele uma traição ao neo-realismo. Do lado oposto, André Bazin considera que Fellini parte de uma concepção do realismo de carácter social e que parece querer desvendar progressivamente a ambiguidade do mundo”.

Federico Fellini era um homem religioso. “Quem é que nos guia na aventura criativa? Como é que pôde acontecer?”, perguntava o cineasta numa entrevista concedida a Giovanni Grazzini (2). A seguir, encarregava-se de responder: “Só a fé em qualquer coisa ou em alguém escondido dentro de nós, alguém que se conhece pouco, que se faz vivo de vez em quando, uma parte taciturna e fechada e sábia que se pôs a trabalhar em nosso lugar pode ter favorecido a misteriosa operação”. Para o cineasta, “esta parte incônscia” devia ser ajudada “dando-lhe confiança, não a contrariando, deixando-a actuar”. Federico Fellini acreditava que este sentimento de confiança se poderia definir como um sentimento religioso. “A presunção, a erudição, o egoísmo, a mania de que se sabe mais, a falsa cultura, muito frequentemente bloqueiam esta confiança, obrigam-na a retirar-se, a dissolver-se, e então quase sempre acontece que os resultados sejam menos satisfatórios”.

Notas:
(1) Federico Fellini, Collection Grands Cinéastes, 2007
(2) Fellini por Fellini. Publicações D. Quixote, 1985

 

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