Sophia lida pelos mais novos (3) – O Rapaz de Bronze

| 6 Dez 19

Assinalou-se a 6 de novembro o centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner. Como (outra) forma de registar a efeméride, o 7MARGENS pediu a crianças de uma turma do ensino básico pequenas impressões sobre os contos infantis, sendo os respectivos textos aqui publicados até ao Natal, duas vezes por semana.

Depois de A Fada Oriana  e de O Cavaleiro da Dinamarca, é hoje a vez de O Rapaz de Bronze. Os textos, da autoria de alunos do 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor, do Porto, são sempre acompanhados também de ilustrações feitas por outras crianças, bem como por uma ilustração de cada um dos livros publicados na última edição da Porto Editora. A autoria das ilustrações está identificada caso a caso.

Sophia foi evocada já no 7MARGENS por um artigo acerca do convite à viagem na sua poesia, bem como com um poema (quase) inédito e um outro texto sobre No Tempo Dividido e a temporalidade na sua obra poética.

Maquete para “O Rapaz de Bronze”, criada por Luísa Imaginário, Maria Isabel Rias, Rita Moreira e Teresa Rodrigues, da turma 7ºA do Externato da Luz (Lisboa). Foto © António Marujo

 
De noite, todas as estátuas e flores podiam mexer-se

Eu gostei muito da história O Rapaz de Bronze.

Resumidamente, esta história é sobre um enorme jardim, onde viviam muitas flores: rosas, tulipas, a flor de muguet, etc, mas a flor que mais aparecia era o gladíolo. O gladíolo desta história fingia não gostar de outras flores mas, na verdade, ele gostava muito das flores, principalmente das flores da estufa.

O gladíolo nunca tinha sido colhido e por isso não conhecia a casa das pessoas. Mas, certo dia, ele encontrou um velho carvalho, que o colocou junto da janela e ele viu uma festa. Então, o gladíolo decidiu criar a sua própria festa.

A festa das flores foi incrível e até tinha uma humana na jarra, a menina Florinda. À medida que a festa ia acontecendo, o gladíolo ia ficando preocupado com a tulipa que demorava para chegar. Mas o Rapaz de Bronze disse-lhe que a tulipa chegava sempre atrasada. E quando a tulipa chegou, ela não quis dançar com o gladíolo.

Ao fim de oito anos, Florinda já estava crescida e pensava que a festa das flores tinha sido um sonho, porque todos diziam que era impossível isso acontecer.

Certa noite, ela estava no jardim e viu a grande estátua do Rapaz de Bronze a andar na sua direção. Ele perguntou-lhe se ela se lembrava dele e Florinda respondeu que sim, que se lembrava da festa das flores, em que as flores falavam, mas que tinha ficado confusa.

O Rapaz de Bronze explicou-lhe que, de noite, todas as estátuas e flores podiam mexer-se e a Florinda voltou para casa feliz.

Mateus Naice

Desenho de Mariana Sousa, turma 4º C, da Escola Básica Bom Pastor, do Porto.

 

(O 7MARGENS agradece a Manuela Sousa a colaboração prestada)

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