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14 de maio é dia de, “como uma grande família”, orarmos pelo fim da pandemia

| 13/05/2020

14 de maio é dia de, “como uma grande família”, orarmos pelo fim da pandemia

by | 13 Mai 20

mural eduardo kobra foto retirada do twitter do autor Mural de Eduardo Kobra, alusivo à oração de crianças de diferentes religiões em tempo de pandemia. Foto reproduzida da página do artista no Twitter

 

O desafio foi lançado pelo Alto Comité para a Fraternidade Humana, formado por líderes religiosos cristãos e muçulmanos, e presidido pelo cardeal Miguel Angel Ayuso Guixot, que convocou “todos os irmãos” para um “Dia de oração e jejum pela humanidade”. A data escolhida foi 14 de maio e as respostas positivas têm chegado das mais diversas Igrejas, instituições e entidades, que pretendem unir-se a este dia de oração a um mesmo Deus, pedindo pelo “fim da pandemia e por um mundo mais humano e mais fraterno”.

O Papa Francisco foi o primeiro a tornar público o seu apoio à iniciativa, ele que no passado mês de março tinha já convidado todos os cristãos a rezarem o Pai Nosso à mesma hora. “Sendo a oração um valor universal, acolhi a proposta do Alto Comité para a Fraternidade Humana para que no próximo dia 14 de maio, os crentes de todas as religiões se unam espiritualmente num dia de oração e jejum e obras de caridade, para implorar a Deus que ajude a humanidade a superar a pandemia do coronavírus”, afirmou. “Lembrem-se: todos os crentes juntos, crentes de diversas tradições, para rezar, jejuar e fazer obras de caridade.”

Um “sim” chegou também sem demoras da parte de António Guterres. O secretário-geral das Organização das Nações Unidas (ONU) fez questão de manifestar na sua conta de Twitter a adesão e apoio a este “momento para a reflexão, esperança e fé” e sublinhou que, “em momentos difíceis, temos de nos unir pela paz, humanidade e solidariedade”. Entre a lista de personalidades que tornaram pública a sua adesão a esta iniciativa contam-se ainda o presidente palestiniano Mahmoud Abbas e o rei do Bahreïn, Hahmad Bin Isa Al Khalifa.

Também a Igreja caldeia no Iraque aderiu ao Dia de oração e jejum pela humanidade. Numa nota divulgada no site do patriarcado caldeu, o cardeal Louis Raphael Sako exortou todos os iraquianos, “muitos dos quais muçulmanos, a fazerem orações para vencer a pandemia de coronavírus e salvar a humanidade das consequências de saúde, económicas, sociais e políticas” da emergência sanitária.

“Neste momento difícil”, sublinhou o cardeal Sako, “a humanidade, e em particular os iraquianos, precisam de solidariedade e esforços conjuntos para eliminar o inimigo comum representado pela covid-19 e todos os problemas decorrentes da doença, para que possamos viver em paz, segurança, estabilidade e alegria”.

Louis Raphael Sako aproveitou ainda para recordar que aguarda uma visita do Papa Francisco ao Iraque “no futuro próximo”, a qual estava programada para este ano e ficou entretanto suspensa.

No último domingo, 10 de maio, durante um telefonema de Francisco ao patriarca Tawadros II, chefe da Igreja Copta ortodoxa do Egito, também este responsável confirmou que iria unir-se à oração pela paz mundial.

No dia em que se assinalava o aniversário do início do caminho ecuménico entre as duas Igrejas (a 10 de maio de 1973, Paulo VI tornou-se o primeiro Papa a encontrar um patriarca copta, então Shenouda III), ambos se comprometeram a rezar este 14 de maio para que “Deus tenha misericórdia do mundo e da Igreja e de todos os crentes”. Francisco e Tawadros II renovaram ainda o seu compromisso de oração diária recíproca.

 

Uma “oportunidade única” para as religiões

Numa entrevista ao Vatican News, o presidente do Alto Comité para a Fraternidade Humana manifestou a sua satisfação pela adesão que a iniciativa tem merecido. Na sua opinião, esta pode ser explicada pelo facto de “todos, independentemente da cultura, situação económica, fé ou falta de fé religiosa” sentirem “a imensidão do grito de sofrimento da humanidade, submersa de todos os lados, angustiada e perturbada”.

O cardeal Miguel Angel Ayuso Guixot, que é também presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, da Santa Sé, considera que “a preocupação da comunidade internacional” demonstra que “como seres humanos, somos todos uma só família” e que as religiões têm um papel determinante a desempenhar nesta fase.

O Alto Comité foi criado em setembro de 2019 para  colocar em prática as recomendações do Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz mundial e da convivência comum, assinado pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib, a 4 de fevereiro de 2019. O objetivo é “continuar neste caminho de busca da paz também através da solidariedade, para enfrentar a crise humana e humanitária da qual todos nós somos protagonistas”, explicou Guixot.

“Estamos diante de uma oportunidade única” para “enraizar nas nossas respetivas tradições religiosas mais queridas o nome que queremos dar ao futuro”, defendeu o cardeal. “E penso que nosso futuro será um futuro de fraternidade, de paz e de convivência comum.”

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