2022: aprender a construir a paz

| 15 Jan 2022

papa francisco Patriarca Ecuménico Bartolomeu I e o Arcebispo Ortodoxo de Atenas e toda a Grécia, Ieronymos Foto Vatican Media

Foto: Papa Francisco, Patriarca Ecuménico Bartolomeu I e o Arcebispo Ortodoxo de Atenas e toda a Grécia, Ieronymos. © Vatican Media

 

A Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz de 2022 é expressão de um momento muito forte que atravessamos, numa transição de incerteza e perplexidade. Guerras e conflitos, pandemias, doenças, alterações climáticas, degradação ambiental, fome e sede, consumismo, individualismo, em lugar de partilha solidária – eis o conjunto de preocupações que dominam este início de 2022. Nestes termos, o Papa propõe-nos três caminhos para uma Paz duradoura. Não se trata de apresentar soluções fechadas ou ilusórias, mas de propor caminhos, mobilizando vontades e considerando a prevenção de riscos, não caindo na ilusão de que tudo se vai solucionar por encanto. As dificuldades não se resolverão senão com muito trabalho e empenhamento.

Os três caminhos propostos são: Diálogo entre gerações; Educação como fator de liberdade, responsabilidade e desenvolvimento; e Trabalho para a dignidade humana. Eis as pistas que importa considerar. Só através desse método será possível equacionar a criação de um novo Pacto Social adequado às novas circunstâncias. Enquanto tal não for posto em prática, arriscamo-nos a persistir numa lógica de curto prazo, repetindo os erros de que temos sido vítimas – cegos perante as reais ameaças, surdos relativamente aos apelos dramáticos e mudos quanto à ação indispensável de denúncia das injustiças e desigualdades. Importa, no fundo, recuperar a confiança recíproca. Sem confiança nas pessoas e nas instituições continuaremos a destruição da humanidade e do planeta. Continua a haver o medo dos outros e a ideia de que são sempre os outros culpados pelos erros. E persiste a indiferença relativamente à solidão dos idosos, dos jovens ou das pessoas comuns. A atenção, o cuidado e a solidariedade são mais necessários que nunca.

A educação deve ser motor da paz. A educação para todos proposta pela UNESCO, os objetivos do desenvolvimento sustentável obrigam a um decisivo investimento na aprendizagem – com especial atenção às mulheres, como semeadoras de dignidade e de sentido comunitário. A mulher fala com o seu filho quando ainda está no seu seio, e é tão importante na leitura de uma bula médica, de um poema ou a contar uma história. Por isso, a filha ou o filho de uma mulher alfabetizada não será analfabeta ou analfabeto… E o Papa insiste no investimento na educação e na prevalência da aprendizagem versus armamento e tráfico de droga nos paraísos fiscais – antros de injustiça, de desprezo e de desrespeito pela dignidade das pessoas.

Quando lemos os Evangelhos ou os Atos dos Apóstolos sentimos esse apelo constante, em nome da liberdade e da responsabilidade, da igualdade e da diferença. Se a experiência e o exemplo constituem elementos essenciais da maturidade, devemos valorizar a dignidade do trabalho – já que “promover e assegurar o trabalho constrói a paz”. Releia-se a encíclica Laborem Exercens, de João Paulo II, e compreenda-se como deveremos redobrar atenções relativamente ao respeito dos direitos fundamentais, a combater a precariedade e a tentação, infelizmente tão comum, de pôr em primeiro lugar o ganho imediato, em vez do respeito e salvaguarda da dignidade dos trabalhadores.

Lembremo-nos da lição do Padre Abel Varzim, por vezes tão esquecido, sobre o respeito dos trabalhadores. A covid-19 agravou a situação do mundo do trabalho. Não podemos esquecê-lo. Os direitos sociais, políticos, económicos e culturais devem ser repensados para que sejam realmente cumpridos e respeitados. A justiça como equidade, considerando a realidade complexa que vivemos, tem de estar na ordem do dia, ligando Estado e sociedade. Importa definir missões mobilizadoras, em nome da dignidade e do desenvolvimento humano. A superação da pandemia obriga à entreajuda, à solidariedade e à partilha de responsabilidades entre gerações diferentes.

 

Guilherme d’Oliveira Martins é administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian

 

Os confins da fenomenologia

Emmanuel Falque na Universidade de Coimbra novidade

Reflectir sobre os confins da fenomenologia a partir do projecto filosófico de Emmanuel Falque é o propósito da Jornada Internacional de Estudos Filosóficos, “O im-pensável: Nos confins da fenomenalidade”, que decorrerá quinta-feira, dia 26 de Maio, na Universidade de Coimbra (FLUC – Sala Vítor Matos), das 14.00 às 19.00. O filósofo francês intervirá no encerramento da iniciativa.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“A grande substituição”

[Os dias da semana]

“A grande substituição” novidade

Outras teorias da conspiração não têm um balanço igualmente inócuo para apresentar. Uma delas defende que estamos perante uma “grande substituição”; não ornitológica, mas humana. No Ocidente, sustentam, a raça branca, cristã, está a ser substituída por asiáticos, hispânicos, negros ou muçulmanos e judeus. A ideia é velha.

Humanizar não é isolar

Humanizar não é isolar novidade

É incontestável que as circunstâncias de vida das pessoas são as mais diversas e, em algumas situações, assumem contornos improváveis e, muitas vezes, indesejáveis. À medida que se instalam limitações resultantes ou não de envelhecimento, alguns têm de habitar residências sénior, lares de idosos, casas de repouso,…

Agenda

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This