2025: uma oportunidade única para unificar a data da Páscoa dos cristãos?

| 4 Abr 21

Marc Chagall, Réssurection (1952): Há vontade de unificar a data da celebração da Páscoa, mas também várias resistências. 

No ano de 2025, várias igrejas cristãs celebrarão o 1700º aniversário do primeiro concílio ecuménico, o concílio de Niceia (em 325), que iniciou um novo capítulo na história do cristianismo. Esse pode ser o ano para um acordo entre as igrejas para unificar a data da Páscoa.

O desafio e desejo, que já vem de há muitos anos, foi relançado em fevereiro último pelo arcebispo ortodoxo Job de Telmessos, representante autorizado do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla e co-presidente da Comissão Conjunta Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.

Num editorial publicado no Orthodox Times (boletim da delegação permanente do Patriarcado no Conselho Ecuménico de Igrejas), ele recorda que o Concílio de Niceia não só promulgou o Credo que viria a tornar –se universal, mas também garantiu uma celebração comum da Páscoa para toda a cristandade.

A perspetiva sugerida pelo arcebispo Job foi aceite e relançada pelo cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. “Não será fácil – reconheceu o cardeal suíço (…) – chegar a um acordo sobre uma data comum para a Páscoa; mas vale a pena trabalhar nisso.”

Na sequência disto, no dia 13 de março, segundo uma informação do L’Osservatore Romano, o padre Stefan Igumnov, responsável do Departamento para as Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscovo comprovou o “realismo cauteloso” contido nas palavras do cardeal Koch.

Em declarações divulgadas pela agência russa Ria-Novosti, reconheceu que “o retorno de todas as Igrejas à uniformidade na data da celebração da Páscoa seria uma grande bênção para o mundo cristão”. O mesmo responsável acrescentou que o Patriarcado de Moscovo não mudará a sua forma de calcular a data da celebração da Páscoa e considera a questão “inegociável”. Alterar os critérios seguidos até agora para determinar esta data equivaleria a “perder o contacto com a tradição ortodoxa”, afirmou.

Os dados estão, pois, lançados e certamente encontros e negociações irão ter lugar nos próximos anos.

Atualmente, recorda o L’Osservatore Romano, os cristãos de diferentes confissões celebram os dias da paixão, morte e ressurreição de Jesus em momentos diferentes. Neste ano de 2021, este domingo, 4 de abril, é a Páscoa para os católicos de rito latino e para todos os baptizados nas Igrejas e nas comunidades das Igrejas do Ocidente. Para as Igrejas ortodoxas e orientais que seguem o chamado calendário juliano, a Páscoa chegará somente no dia 2 de maio, daqui a quatro semanas.

No Médio Oriente concentram-se “raras exceções”: católicos e ortodoxos celebrarão a Páscoa juntos em Antakia, a antiga Antioquia do Orontes, hoje em território turco, onde os seguidores de Jesus foram designados “cristãos” pela primeira vez; o mesmo acontecerá em grande parte da Terra Santa (excluindo Belém e Jerusalém).

 

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