Sede da próxima JMJ

2027, vemo-nos em Seul

e | 6 Ago 2023

Hong Minji, à direita, “muito excitada” com o anúncio de a sua cidade será a sede da JMJ de 2027. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS.

 

Hong Minji, 28 anos, sul-coreana de Seul, quer que os jovens do mundo inteiro vão experimentar a cultura e a paixão do seu país, daqui a quatro anos: pouco depois do final da missa de envio da JMJ de Lisboa, o Papa Francisco anunciou que Seul acolherá a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2027.

Minji mostrava-se “muito excitada”, mas assegurava que os sul-coreanos estão “prontos para celebrar” a ida de jovens de “todos os povos à Coreia”. Analista de dados, diz que vieram quase mil jovens sul-coreanos à JMJ de Lisboa. “Não sabia muito de Portugal, mas o que fizeram tornou-me mais consciente” da responsabilidade que poderá ter daqui a quatro anos, quando receber a JMJ na sua cidade, diz ao 7MARGENS.

O catolicismo não é maioritário na Coreia do Sul: quase metade da população não segue nenhuma religião; entre os que professam um credo, pouco mais de 40 por cento são cristãos; entre os cristãos, predominam os protestantes (perto de 20% da população), e mais de 10 por cento são católicos – ou seja, cerca de cinco milhões de pessoas. O budismo é seguido por mais de 20 por cento da população.

“Os coreanos gostam de dar e por isso as outras religiões serão acolhidas e acolherão com bondade”, diz Minji, que viveu em Lisboa uma experiência “muito poderosa: fez-me ter novos olhares sobre a vida e o trabalho”, por exemplo, percebendo que a vida é mais larga do que este.

A fé católica entrou na Coreia a partir dos finais do século XVIII, através de livros – e não de missionários, como recorda Andrei Lankov, professor de Estudos Coreanos na Kookmin University, em Seul. “O século XVIII foi uma época de grande efervescência intelectual na Coreia. Os membros mais jovens das classes instruídos (yangban) sentiam-se cada vez mais desiludidos com a escolástica ossificada do neo-confucionismo, que era então a ideologia oficial do Estado”, escreve o investigador.

Essas gerações queriam fabricar armas melhores, construir gruas e explicar como a Terra gira em torno do Sol. Mas a cultura oficial “considerava estas questões irrelevantes, triviais e indignas”, o que levou os mais novos a ler tratados ocidentais sobre tecnologia, astronomia e física, que “estavam a ser importados da China para a Coreia desde o início do século XVIII”.

Muitos desses livros foram também traduzidos para o chinês clássico, a língua intelectual na China e na Coreia, por missionários católicos ocidentais que operavam na China, explica Andrei Lankov na Al Jazeera.

Através dos livros científicos, os jovens chegaram aos textos cristãos. No final do século XVIII já havia alguns milhares de crentes católicos na Coreia, mas o primeiro coreano a ser batizado por um padre ordenado foi Lee Sung-hun, “que visitou a China em 1784, na qualidade de funcionário de uma missão diplomática coreana, e encontrou aí missionários”.

 

A Igreja na luta contra a ditadura

Natália, Manuela e Isabel: “Vemo-nos em Seul.” Foto © Clara Raimundo/7MARGENS.

 

Mais recentemente há outro facto importante: “Para um Papa que gosta de falar de política, é importante também recordar que a Igreja Católica na Coreia foi fundamental na luta contra a ditadura”, diz ao 7MARGENS o investigador Luís Mah, do ISCTE, que lecciona Desenvolvimento Global. Com efeito, nas décadas de 1980-90, os católicos estiveram na primeira linha da contestação ao regime ditatorial.

Por outro lado, as comunidades protestantes “são das principais emissoras” de missionários a nível global, recorda ainda Luís Mah.

Quem já está a pensar ir a Seul são Natália, Manuela e Isabel, três amigas colombianas que já estiveram como voluntárias na JMJ do Panamá, em 2019, e voltaram a cumprir agora esse papel na Jornada de Lisboa.

“Encanta-me servir”, diz Natália, 37 anos, a quarta vez que assume a missão de voluntária numa JMJ. Ao 7MARGENS diz que gostou muito que o papa tivesse dito que a Igreja “é de todos” e fica agora com “um desejo infinito de dizer que somos amados por Deus”. Manuela, 30, engenheira ambiental, diz que o sentido principal de uma JMJ “é encontrar Jesus, trazer o amor e a fé”. E Isabel, 25, investigadora em tecnologia, diz que esta é “uma oportunidade de dar-se e de servir”, de “ganhar a consciência de que somos algo universal, de modo a não permanecer encerrados nas paróquias”.

E prometem, no cartaz que desenharam depois do anúncio: “Papa Francisco, vemo-nos em Seul.”

 

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