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25 de abril: Assumir o passado, sem autojustificações nem autoflagelações

| 26/04/2021


Marcelo Rebelo de Sousa no discurso do 25 de abril. Foto @Miguel Figueiredo Lopes/Presidência da República

 

O Presidente da República alertou para a necessidade de assumir o passado do país, nomeadamente o colonial, “sem temores nem complexos” e “sem autojustificações ou autocontemplações globais indevidas, nem autoflagelações globais excessivas”.

Marcelo Rebelo de Sousa falava nas comemorações do 47º aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974, que decorreram na Assembleia da República.

“É prioritário estudar o passado e nele dissecar tudo, o que houve de bom e o que houve de mau. É prioritário assumir tudo, todo esse passado”, alertou o Chefe de Estado.

Marcelo sublinhou ser necessário, nesse dissecar do passado, “assumir a justiça largamente por fazer ao mais de um milhão de portugueses que serviram pelas armas o que entendiam ou lhes faziam entender constituir o interesse nacional”, mas também dos portugueses, “quase um milhão, que chegaram rigorosamente sem nada, depois de terem projetado uma vida que era ou se tornou impossível”, nas antigas colónias.

Naquilo que é um reconhecimento raro nos órgãos superiores do Estado, o Presidente da República evocou também os que estiveram “do outro lado”, em África, “combatendo o império colonial português, batendo-se pelas suas causas nacionais”, mas também os que estavam “do mesmo lado” de Portugal e “ficaram esquecidos, abandonados por quem regressou e condenados por quem nunca lhes perdoou o terem alinhado com o oponente”.

No discurso aplaudido de pé por todos os grupos parlamentares – exceto o deputado André Ventura, do Chega, que nem sequer bateu palmas –, o Presidente reconheceu que os desígnios de “desenvolvimento, liberdade e democracia” estão ainda em parte por cumprir, já que ainda não fomos capazes de resolver “uma pobreza estrutural de dois milhões de portugueses e desigualdades pessoais e territoriais” que a pandemia de covid-19 “veio revelar e acentuar”.

Convocando o exemplo dos militares de Abril que “souberam superar muitas das suas divisões durante a revolução e depois dela”, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou o desejo de que “os anos que faltam até ao meio século do 25 de Abril sirvam a todos nós para trilharmos um tal caminho (…) no construir hoje coesões e inclusões e no combater hoje intolerâncias pessoais ou sociais”. O discurso pode ser ouvido na íntegra no vídeo a seguir:

 

 

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