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25 de abril: permanências, ruturas e recomposições

pintura mural 25 abril sempre wikipedia sem autor

Foto © Wikipedia

 

O Centro de Estudos de História Religiosa (UCP-CEHR) desenvolve atualmente uma linha de investigação em torno do “25 de abril: permanências, ruturas e recomposições. Balanço historiográfico 50 anos depois: o que se conhece e o que não se sabe”. O objetivo amplo deste projeto, que se estenderá até 2026, é mobilizar investigadores que, na área da história e em colaboração interinstitucional, possam promover o confronto e a complementaridade de abordagens existentes em torno do referencial do 25 de abril.

Nessa problemática geral, procurar-se-á situar, de forma particular, a problemática da religião, da espiritualidade, das práticas de fé, das convicções e dos diversos elementos e níveis institucionais confessionais, visando a elaboração de narrativas historiográficas que abram novas perspetivas de análise crítica e alarguem os conhecimentos existentes, procurando também chegar aos portugueses que não viveram o processo revolucionário.

O primeiro seminário organizado no âmbito do projeto está já em curso, em torno das temáticas da Cidadania, Democracia e Reformismo. Através do desenvolvimento de um trabalho de investigação, de estudo, de encontros científicos e de publicações – que prevê também a colaboração com a Comissão Nacional para as comemorações do cinquentenário do 25 de abril – o projeto vai estruturar-se sobre a análise do processo societário e cultural ocorrido entre 1968 e 1976 – comumente designado como o percurso “da primavera marcelista à democratização” – sabendo-o marcado por mutações internas e externas de amplitude significativa. Entende-se que aquele caminho, pautado por alterações demográficas, políticas e culturais, modelou a sociedade portuguesa e se entrecruzou igualmente com persistências de resistência, produto de entrelaçamentos geracionais e identitários e potenciadoras de uma pluralidade, também a nível religioso.

A reflexão e a intervenção dos investigadores, passará, por um lado, pela recolha de documentação e testemunhos, procurando estabelecer patamares de interrogação e de abordagem que se detenham no período em análise; e, por outro, pela revisitação das narrativas já construídas, nas suas componentes historiográfica, política e institucional, valorizando o sentido de uma história aberta, capaz de colocar novas perguntas a velhos problemas. Visando o aprofundamento de novos horizontes, esta linha de investigação estará atenta com particular acuidade à necessidade de problematizar conceitos e expressões que eram, e são ainda, utilizados correntemente, inquirindo sobre as suas raízes, perscrutando um processo de utilização partilhada mas nem sempre consensual e procurando finalmente perceber o que essa utilização acarretou, o que obrigará necessariamente a um trabalho não tanto catalogador quanto interpretativo. Todos aqueles termos têm uma história, as suas origens, os seus objetivos e a sua esfera de aplicação. Indo mais longe, importará analisar o modo como as dinâmicas societárias elaboraram as consciências e como a deslocação e mudança da consciência, dos imaginários e do agir das pessoas nos diferentes universos religiosos teve lugar nas décadas de 60 e 70 do século passado em Portugal.

A este tipo de aproximação subjaz a noção de que a História não se move no campo, perigosamente movediço, das esferas da legitimação, antes se apresentando como disciplina de rigor, centrada na compreensão da complexidade da realidade. A conceção e coordenação do projeto está a cargo de uma equipa alargada dirigida por António Matos Ferreira.

 

Rita Mendonça Leite é investigadora do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa (UCP-CEHR); contacto: ritamenleite@gmail.com

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