Uma centena em apoio de Cristina Tavares

| 19 Jan 19

 Cristina Tavares, esta manhã, em Santa Maria de Lamas; foto Manuel Pinto

Cerca de uma centena de pessoas juntaram-se neste sábado, 19 de janeiro, numa manhã chuvosa e fria, para marchar em solidariedade com a operária corticeira Cristina Tavares. “Direito ao trabalho, trabalho com direitos” e “Denunciar não é difamar” foram alguns dos motes deste gesto solidário, que pretendia afirmar-se contra o duplo despedimento de que a operária foi vítima, depois de o Tribunal ter decidido pela sua reintegração. No centro cívico de Santa Maria de Lamas estiveram, além de outros trabalhadores do setor, dirigentes sindicais e políticos, entre os quais o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, e a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins. Arménio Carlos anunciou que o Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte vai interpor uma ação em tribunal para contestar legalmente o despedimento. 

Foi quando regressou ao trabalho em 2017, depois de um período de baixa, que Cristina Tavares soube que a Fernando Couto Cortiças decidira extinguir o seu posto de trabalho e despedi-la. O caso foi para tribunal, que acabou a dar razão à operária. Reintegrada em Maio de 2018, foi obrigada a carregar e descarregar as mesmas paletas durante o dia inteiro. Apesar de duas averiguações da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), que levou à aplicação de uma coima de 31 mil euros à empresa, esta ignorou os avisos e acabou por despedir de novo Cristina Tavares, no passado dia 10, acusando-a de difamação. 

A marcha de solidariedade surgiu na sequência deste segundo despedimento “por justa causa” de que Cristina Tavares foi vítima, acusada de difamar a empresa em que trabalhava com declarações feitas a meios de comunicação social. As declarações surgiram na sequência de denúncias de assédio moral no posto de trabalho, a acusação que a ACT verificou e levou á aplicação da coima.

A situação que configurava assédio moral foi vista como vingança, pelo facto de o Tribunal da Relação do Porto já ter anulado o primeiro despedimento da trabalhadora e obrigado a empresa a voltar a reintegrá-la. Só que Cristina Tavares foi obrigada a fazer diariamente o mesmo trabalho improdutivo, encarado pela própria e pelo seu sindicato como uma forma de a humilhar e forçá-la a abandonar a empresa.

(notícia actualizada às 15h30 com a informação da contestação ao despedimento e elementos de contextualização nos dois últimos parágrafos)

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