47 instituições religiosas anunciam desinvestimento em combustíveis fósseis

| 16 Nov 2020

Ambiente. Atmosfera. Poluição. São Paulo.

Poluição em São Paulo: o desinvestimento de estruturas religiosas em indústrias de combustíveis fósseis pode ser inspirador para outros, diz responsável da ONU. Foto © paulisson miura/WIkimedia Commons.

 

A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia, (Comece) e mais 46 instituições católicas, protestantes, anglicanas e judaicas de 21 países anunciaram nesta segunda-feira o seu compromisso em desinvestir em combustíveis fósseis. Este é o maior anúncio conjunto de instituições católicas, informa o Movimento Católico Global pelo Clima (MCGC).

A lista inclui outras organizações importantes como a Associação dos Padres Católicos dos Estados Unidos, o Serviço Mundial Judaico Americano (American Jewish World Service) ou o Fórum Mundial da Acção Católica, mas não há nenhuma organização portuguesa (na lista do total de quase 400 organizações aderentes até agora, está a Comissão Nacional Justiça e Paz).

Este compromisso implica sobretudo a decisão de não investir o dinheiro depositado no banco em qualquer fundo ou empresa que trabalhe com combustíveis fósseis. E é também o primeiro depois da publicação do guia sobre a execução da Laudato Si’, publicado no final e Maio pelo Grupo Interdicasterial da Santa Sé sobre Ecologia Integral, A Caminho para o Cuidado da Casa Comum – a cinco anos da Laudato Si’.

Nesse documento, como já na encíclica do Papa publicada em 2015, propõe-se que as estruturas católicas não só passem a utilizar formas de energia limpa como, se for o caso, não invistam em empresas que “prejudiquem a ecologia humana ou social (por exemplo, através do aborto ou do comércio de armas) ou a ecologia ambiental (por exemplo, através do uso de combustíveis fósseis)”.

 

Religiões podem ser inspiradoras para outros

O mapa com as organizações que aderiram nesta segunda-feira.

 

O anúncio desta segunda-feira é também o primeiro após o início da pandemia. O que o torna importante, já que traduz o apoio das instituições religiosas a indústrias de energia limpa, que protegem igualmente o emprego e a saúde.

Inger Andersen, director executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e subsecretário-geral das Nações Unidas, afirmou a propósito, citado na página do MCGC: “O poder económico das religiões, voltado para investimentos responsáveis e a economia verde, pode ser um grande impulsionador de mudanças positivas e uma inspiração para outros.”

A pressão de investidores religiosos e outros grupos, diz a mesma informação, já expôs a fraqueza da indústria de combustíveis fósseis, como no caso da Royal Dutch Shell, que no seu último relatório já citava a preocupação com o desinvestimento, diz o MCGC.

Na mesma página, o secretário-geral da Comece, padre Manuel Enrique Barrios Prieto, afirma: “Encorajamos outros a juntarem-se a nós na tomada de medidas concretas para resolver a crise climática. Resolver a crise climática protege a família humana dos perigos de um mundo em aquecimento, e uma acção decisiva é necessária agora mais do que nunca.”

Também o Papa Francisco, recorda a mesma fonte, já exortou as organizações católicas a desinvestir de empresas que “não cumprem os parâmetros da ecologia integral” e investir em organizações que dão prioridade à “sustentabilidade, justiça social e promoção do bem comum”. O tema não deixará de estar presente no encontro “Economia de Francesco”, que se reúne em conferência virtual nesta semana, sob a égide de São Francisco de Assis, para debater formas inovadoras de organização económica, mais justas e sustentáveis.

 

Judeus do Partido Trabalhista atacam política de Israel

Reino Unido

Judeus do Partido Trabalhista atacam política de Israel novidade

Glyn Secker, secretário da Jewish Voice For Labor – uma organização que reúne judeus membros do Partido Trabalhista ­–, lançou um violento ataque aos “judeus que colocam Israel no centro da sua identidade” e classificou o sionismo como “uma obscenidade” ao discursar no dia 10 diante de Downing Street, durante um protesto contra os ataques de Israel na faixa de Gaza.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Evento "importantíssimo" para o país

Governo assume despesas da JMJ que Moedas recusou

A ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, chegou a acordo com o presidente da Câmara de Lisboa sobre as Jornadas Mundiais da Juventude, comprometendo-se a – tal como exigia agora Carlos Moedas – assumir mais despesa do evento do que aquela que estava inicialmente prevista, noticiou o Expresso esta quarta-feira, 3.

Multiplicar o número de leitores do 7MARGENS

Em 15 dias, 90 novos assinantes

Durante o mês de julho o 7MARGENS registou 90 novos leitores-assinantes, em resultado do nosso apelo para que cada leitor trouxesse outro assinante. Deste modo, a Newsletter diária passou a ser enviada a 2.863 pessoas. Estamos ainda muto longe de duplicar o número de assinantes e chegar aos 5.000, pelo que mantemos o apelo feito a 18 de julho: que cada leitor consiga trazer outro.

Parceria com Global Tree

JMJ promove plantação de árvores

A Fundação Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 e a Global Tree Initiative estabeleceram uma parceria com o objectivo de levar os participantes e responsáveis da organização da jornada a plantar árvores. A iniciativa pretende ser uma forma de assinalar o Dia Mundial da Conservação da Natureza, que se assinala nesta quinta-feira, 28 de julho.

Representante dos sobreviventes de Nagasaki solidário com a Ucrânia

Nos 77 anos do ataque atómico

Representante dos sobreviventes de Nagasaki solidário com a Ucrânia

“Apelo a todos os membros” do Parlamento japonês, “bem como aos membros dos conselhos municipais e provinciais” para que se “encontrem com os hibakusha (sobreviventes da bomba atómica), ouçam como eles sofreram, aprendam a verdade sobre o bombardeio atómico e transmitam o que aprenderem ao mundo”, escreve, numa carta lida nas cerimónias dos 77 anos do ataque atómico sobre Nagasaki, por um dos seus sobreviventes, Takashi Miyata.

Mar Egeu: dezenas de pessoas desaparecidas em naufrágio

Resgatadas 29 pessoas

Mar Egeu: dezenas de pessoas desaparecidas em naufrágio

Dezenas de pessoas estão desaparecidas depois de um barco ter naufragado no mar Egeu, na quarta-feira, ao largo da ilha grega de Cárpatos, divulgou a ACNUR. A embarcação afundou-se ao amanhecer, depois de da costa sul da vizinha Turquia, em direção a Itália. “Uma grande operação de busca e resgate está em curso.”

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This