
Poluição em São Paulo: o desinvestimento de estruturas religiosas em indústrias de combustíveis fósseis pode ser inspirador para outros, diz responsável da ONU. Foto © paulisson miura/WIkimedia Commons.
A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia, (Comece) e mais 46 instituições católicas, protestantes, anglicanas e judaicas de 21 países anunciaram nesta segunda-feira o seu compromisso em desinvestir em combustíveis fósseis. Este é o maior anúncio conjunto de instituições católicas, informa o Movimento Católico Global pelo Clima (MCGC).
A lista inclui outras organizações importantes como a Associação dos Padres Católicos dos Estados Unidos, o Serviço Mundial Judaico Americano (American Jewish World Service) ou o Fórum Mundial da Acção Católica, mas não há nenhuma organização portuguesa (na lista do total de quase 400 organizações aderentes até agora, está a Comissão Nacional Justiça e Paz).
Este compromisso implica sobretudo a decisão de não investir o dinheiro depositado no banco em qualquer fundo ou empresa que trabalhe com combustíveis fósseis. E é também o primeiro depois da publicação do guia sobre a execução da Laudato Si’, publicado no final e Maio pelo Grupo Interdicasterial da Santa Sé sobre Ecologia Integral, A Caminho para o Cuidado da Casa Comum – a cinco anos da Laudato Si’.
Nesse documento, como já na encíclica do Papa publicada em 2015, propõe-se que as estruturas católicas não só passem a utilizar formas de energia limpa como, se for o caso, não invistam em empresas que “prejudiquem a ecologia humana ou social (por exemplo, através do aborto ou do comércio de armas) ou a ecologia ambiental (por exemplo, através do uso de combustíveis fósseis)”.
Religiões podem ser inspiradoras para outros

O mapa com as organizações que aderiram nesta segunda-feira.
O anúncio desta segunda-feira é também o primeiro após o início da pandemia. O que o torna importante, já que traduz o apoio das instituições religiosas a indústrias de energia limpa, que protegem igualmente o emprego e a saúde.
Inger Andersen, director executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e subsecretário-geral das Nações Unidas, afirmou a propósito, citado na página do MCGC: “O poder económico das religiões, voltado para investimentos responsáveis e a economia verde, pode ser um grande impulsionador de mudanças positivas e uma inspiração para outros.”
A pressão de investidores religiosos e outros grupos, diz a mesma informação, já expôs a fraqueza da indústria de combustíveis fósseis, como no caso da Royal Dutch Shell, que no seu último relatório já citava a preocupação com o desinvestimento, diz o MCGC.
Na mesma página, o secretário-geral da Comece, padre Manuel Enrique Barrios Prieto, afirma: “Encorajamos outros a juntarem-se a nós na tomada de medidas concretas para resolver a crise climática. Resolver a crise climática protege a família humana dos perigos de um mundo em aquecimento, e uma acção decisiva é necessária agora mais do que nunca.”
Também o Papa Francisco, recorda a mesma fonte, já exortou as organizações católicas a desinvestir de empresas que “não cumprem os parâmetros da ecologia integral” e investir em organizações que dão prioridade à “sustentabilidade, justiça social e promoção do bem comum”. O tema não deixará de estar presente no encontro “Economia de Francesco”, que se reúne em conferência virtual nesta semana, sob a égide de São Francisco de Assis, para debater formas inovadoras de organização económica, mais justas e sustentáveis.









