Hilário afastado

Estilhaços da invasão russa da Ucrânia também atingem Igreja Ortodoxa

| 8 Jun 2022

Reunião do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa foto do padre Igor Palkin (1200 × 900 px)

Reunião do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa, 7 de junho de 2022. Foto © Igor Palkin.

 

A invasão da Ucrânia pelas tropas de Putin, além dos desenvolvimentos militares propriamente ditos, continua a provocar ondas de choque no campo ortodoxo. O motivo continua a ser o apoio aberto dado pelo Patriarca Cirilo, de Moscovo, à guerra desencadeada pelo Presidente russo. Nos últimos dias, o Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa (IOR) decidiu, através de um decreto de Cirilo, exonerar o metropolita Hilário, seu número 2 e por muitos apontado como eventual sucessor, do importante cargo de responsável pelo Departamento de Relações Externas da IOR e de membro permanente do Sínodo da mesma Igreja. O seu destino vai ser a Hungria, onde administrará a diocese de Budapeste e do resto do país, um posto que já ocupou de 2003 a 2009, antes de ser chamado para Moscovo.

Hilario foi, há alguns meses, no Vaticano, o negociador de um encontro que se preparava entre o Papa Francisco e o Patriarca Cirilo. Alguns setores ortodoxos consideravam-no um moderado – nunca se lhe ouviram declarações explícitas de apoio à invasão da Ucrânia, por exemplo – e outros tomavam-no até como um filo-católico, pelas relações amistosas que mantinha e mantém com setores da Igreja Católica. Numa visita de cinco dias que fez precisamente à Hungria, já no corrente mês, Hilario teve uma audiência em Budapeste com o cardeal Erdö, que o convidara para uma conferência no Congresso Eucarístico Mundial, em 2021.

Recorde-se que foi o governo da Hungria e do seu primeiro-ministro Viktor Orban que bloqueou recentemente a intenção da União Europeia de incluir o patriarca Cirilo na lista de personalidades russas objeto de sanções. Esta atitude do governante húngaro foi objeto de um agradecimento formal por parte do mesmo Sínodo da IOR que despromoveu Hilário. O Santo Sínodo, sob a presidência do patriarca Cirilo, de Moscovo e toda a Rússia, manifestou a Orban gratidão pela “sua posição firme sobre a inadmissibilidade de colocar o Santo Patriarca (…)  na lista de sanções da UE”, refere a nota sinodal.

O metropolita Hilário foi substituído no Departamento de Relações Externas e no Sínodo da IOR pelo também metropolita António de Korsun, 37 anos, que era, até agora, exarca (legado) patriarcal da Europa Ocidental, que inclui Portugal.

Entretanto, o processo de rompimento de laços da Igreja Ortodoxa da Ucrânia (IOU) com o Patriarcado de Moscovo continua a ser objeto de interpretações e polémicas. Parece claro que se registou algum tipo de afastamento, mas observadores do processo sublinham aspetos nebulosos que deixam dúvidas no ar.

Um sinal de que algo se alterou na relação entre a IOU e Cirilo foi a decisão tomada no Sínodo da IOR desta segunda-feira, 6 de junho, de chamar a si o controlo da Igreja Ortodoxa da Crimeia, que se manteve na dependência da IOU, mesmo depois da anexação da península da Crimeia pela Rússia, em fevereiro de 1914.

De acordo com uma resolução sinodal, os hierarcas da Crimeia apresentaram ao Patriarca e ao Sínodo “um pedido para transferir as eparquias a eles confiadas” para a jurisdição do Patriarcado de Moscovo, dadas as dificuldades de comunicação com a sede metropolitana de Kiev, o que foi aceite.

 

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