
Membros da Unidade Zaytun procuram minas antipessoais em Arvil, no Iraque: ainda há 67 países a enfrentar este problema. Foto © Ministério da Defesa da Coreia do Sul.
Há pelo menos 60 milhões de pessoas em perigo por causa das minas antipessoais em 67 países – que incluem casos crónicos como o Camboja, Laos e Vietname e novos focos de preocupação, como Colômbia, Mianmar, Iémen e Ucrânia.
Os dados constam de informações da Organização das Nações Unidas (ONU) e do seu Departamento para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, da sigla em inglês), divulgadas a propósito do Dia Internacional de Consciencialização sobre os Perigos das Minas Terrestres, que se assinala nesta terça-feira, 4 de abril. O tema escolhido para este ano foi “A ação contra as minas não pode esperar”.
Em 2021, a ONU calcula que morreram ou ficaram feridas 5,5 milhões de pessoas. A maior parte das vítimas são civis e metade são crianças. Já em 2022, com o início da invasão russa da Ucrânia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelara à Rússia para não ativar minas antipessoais, pois serão precisas “décadas” para detoná-las.
Apesar do número de minas existentes, tem havido também muito trabalho para as desativar. Em 1997, foi assinado o Tratado para Proibição e Desativação de Minas, em Otava (Canadá), e vários países criaram mecanismos para controlar este problema – o Centro Internacional de Desminagem Humanitária de Genebra, criado pela Suíça, é um exemplo dessas iniciativas.
Mas o número de vidas ameaçadas pelas minas ativas leva António Guterres a afirmar que estes “dispositivos de morte” são o “legado aterrorizante” dos conflitos entre países.
O secretário-geral da ONU defende, recorrendo à afirmação que dá mote à campanha anti minas, que “a ação contra as minas não pode esperar”, quer nos países em contextos de guerra, quer em paz.
Atualmente, são 164 os países signatários do Tratado de Proibição de Minas. Guterres considera que são precisos esforços à escala global para proteger as vidas expostas a este perigo. Nesse quadro, Guterres incentiva todos os Estados-membros a executarem na plenitude as diretrizes contra armas de destruição.
A ONU promove, há décadas, o combate contra estas armas letais. Graças a esse trabalho, ao longo dos últimos 20 anos foram já destruídas 55 milhões de minas e 30 países já se libertaram deste flagelo.









