No Dia Mundial da Criança, este domingo, o 7MARGENS dá um passo que quer ser mais do que simbólico: deixa que o seu espaço e o seu conteúdo seja da responsabilidade dos mais pequenos.
O desafio que lançámos há pouco mais de um mês junto de pais, avós e professores teve uma resposta surpreendente, em texto e imagem, como os leitores poderão verificar.
A resposta leva-nos a acolher essa disponibilidade e atividade criativa não apenas uma vez, como se se tratasse de pôr uma flor na lapela deste jornal. Trata-se, antes, de refletir que aquilo que temos a aprender com os mais pequenos só acontecerá se nos pusermos em atitude de escuta do que eles e elas nos querem dizer – a nós e aos leitores.
Porque não criar um espaço regular para que as crianças se exprimam sobre os seus sonhos e perguntas, sobre como veem o mundo que os adultos criaram para elas e sobre o que acham que é preciso fazer para mudar esse mundo, se for caso disso?
Ao criar esse espaço não estamos a dar voz aos mais pequenos, porque essa voz não é nossa, é deles. E, mais do que isso, têm o direito de exprimi-la livremente e o direito a serem escutados, como bem sublinha a Convenção sobre os Direitos da Criança aprovada pela ONU, que Portugal e muitos outros países ratificaram.
Os termos infância e infante, na sua etimologia (in-fans), designam aquela ou aquele que não fala, que se mantém ou é mantido em silêncio. Por outro lado, as crianças têm sido, há demasiado tempo, consideradas sobretudo pelos estatutos que têm na sociedade: filhos (na família), consumidores (no mercado), alunos (na escola), menores (no direito). Em muitas partes do mundo, têm de ir trabalhar cedo de mais e nem tempo têm de ser crianças.
Chamam-lhes, com demasiada frequência, menores porque não têm 18 anos que é o ‘marco’ para se atingir a maioridade civil e os direitos e deveres a ela inerentes. Mas chamar menor é sempre depreciativo, porquanto sublinha o que ainda não se é e que falta, e não aquilo que já se é ou que se vai sendo, através do desenvolvimento pessoal e social.
E, nestas situações, corre-se o risco de não reconhecer que elas, antes de mais nada, são pessoas, seres humanos, que merecem ser não apenas protegidas como também capacitadas.
Essa capacitação desenvolve-se quando as crianças são chamadas a pronunciar-se sobre aquilo que lhes diz diretamente respeito, em casa, na escola, na autarquia… nas próprias igrejas e comunidades religiosas, de acordo com o discernimento de que vão sendo capazes.
Um exemplo simples: se, numa dada freguesia, se vai construir um parque para as crianças brincarem, não será razoável e justo que elas digam o que gostariam que esse equipamento tivesse? Importa notar que algumas autarquias criaram já assembleias municipais de crianças, para elas se exprimirem sobre as suas necessidades e desejos. O que não se aprende, dos dois lados, com experiências desse tipo!
Contudo, é necessário cuidar que todas as crianças possam ser envolvidas nestes processos de participação e expressão, e não apenas aquelas que, pelos recursos e competências que trazem de casa, estão em situação de vantagem.
Assim, nesta atitude de abertura à expressão, criatividade e inclusão dos mais novos, cabe perguntar: como poderia ser esse espaço regular (mensal, quinzenal…) a criar eventualmente pelo 7MARGENS? Sobre a pergunta a Redação vai refletir. Mas está aberta a sugestões dos leitores, especialmente dos pais, avós, padrinhos, educadores e professores, que poderão conversar com os que serão os verdadeiros protagonistas desse espaço a criar neste jornal.
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