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Conferência Episcopal Alemã
Foto © Conferência Episcopal Alemã / Kopp

Caminho Sinodal Alemão

Vaticano e bispos alemães procuram limar divergências para criação de Conferência Sinodal

| 12/11/2025

 

Representantes da Cúria Romana e da Conferência Episcopal Alemã reuniram-se novamente hoje, 12 de novembro de 2025, para debater diversos pontos referentes à natureza, composição, competências e futuros estatutos de uma “Conferência Sinodal”, um órgão sinodal a ser criada na Igreja na Alemanha que possa ser aceite pelas diferentes partes em confronto naquela Igreja.

É a primeira vez que estes encontros são divulgados. Foram-no através de um comunicado conjunto assinado pelas duas partes que indica que este diálogo foi “acordado durante a visita ad limina dos bispos alemães, em novembro de 2022” e que “encontros anteriores já haviam ocorrido em 26 de julho de 2023, 22 de março de 2024 e 28 de junho de 2024”. É, portanto, a quarta vez que os representantes da Conferência Episcopal Alemã e da Cúria Romana se encontram para debater o futuro do controverso “caminho sinodal alemão”, percurso cujas conclusões foram controvertidas pelo Vaticano e objeto de cartas muito críticas do Papa Francisco e de vários cardeais romanos.

O comunicado de dia 12 de novembro vem dizer que “o diálogo foi, mais uma vez, marcado por um ambiente honesto, aberto e construtivo” entre “os cardeais Victor Fernández, Kurt Koch, Pietro Parolin e Arthur Roche, bem como o arcebispo Filippo Iannone O.Carm, em nome da Cúria Romana” e “os bispos Stephan Ackermann, Georg Bätzing, Bertram Meier e Franz-Josef Overbeck, bem como a secretária-geral, Dra. Beate Gilles, e o porta-voz, Dr. Matthias Kopp” em nome da Conferência Episcopal Alemã. Também “o bispo Stefan Oster participou da discussão, como convidado”.

A presença do bispo de Passau, Stefan Oster, que foi um dos quatro prelados que bloquearam o financiamento do órgão que iria dar sequência ao ‘caminho sinodal’ que tem merecido repreensões do Vaticano e de outros episcopados [ver 7MARGENS] significa que o Vaticano quer promover um consenso entre as posições mais extremadas que se foram crispando ao longo dos cinco últimos anos na Igreja Católica Alemã quanto ao futuro do seu processo sinodal.

 

Rejeitar o Conselho Sinodal

Cardeal Kurt Koch

Cardeal Kurt Koch: “Irrita-me que novas fontes sejam aceites, além das fontes de revelação das Escrituras e da Tradição. Assusta-me que isto esteja a acontecer – de novo – na Alemanha, porque este fenómeno já existiu durante a ditadura nacional-socialista com os chamados ‘cristãos alemães’, apoiantes de Hitler”. Foto © Vatican News

A “Conferência Sinodal”, agora referida, surge como uma contraproposta ao polémico conselho sinodal que o sínodo alemão votou e que, segundo os bispos que o contestam, teria poderes que se imporiam ao poder de cada bispo de definir prioridades pastorais na sua própria diocese. Outro motivo de grande tensão no interior da Igreja Católica Alemã surgiu com a opção do documento “princípios de uma ética sexual renovada” aprovado por 80 por cento dos participantes, mas posteriormente vetado pelos bispos.

Recorde-se também que o cardeal Kurt Koch, que agora integra a comissão que debate estas questões, foi protagonista de um dos momentos mais tensos entre o Vaticano e a conferência episcopal alemã quando, a 29 de setembro de 2022 deu uma entrevista ao jornal alemão Die Tagespost [ver 7MARGENS] em que contestava o texto de orientação adotado durante o Caminho Sinodal alemão no qual se reconheciam os “sinais dos tempos” e o “sentimento de fé do povo de Deus” como fontes importantes da revelação para os cristãos, a par da Bíblia, da tradição, do magistério e da teologia.

“Irrita-me” – disse então Koch – “que novas fontes sejam aceites, além das fontes de revelação das Escrituras e da Tradição. Assusta-me que isto esteja a acontecer – de novo – na Alemanha, porque este fenómeno já existiu durante a ditadura nacional-socialista com os chamados ‘cristãos alemães’, apoiantes de Hitler”.

A representação da Cúria Romana que tem estado envolvida nestas negociações é do mais alto nível pois, além de Pietro Parolin, secretário de Estado, inclui mais três cardeais prefeitos de importantes dicastérios, nomeadamente Kurt Koch, cardeal prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Victor Fernández, cardeal prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e Arthur Roche, cardeal prefeito do Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e o recém-nomeado prefeito do Dicastério para os Bispos, o arcebispo Filippo Iannone O.Carm.

Nenhuma data foi divulgada quanto a uma próxima reunião desta comissão que procura uma solução consensual para o futuro das estruturas que o caminho sinodal alemão desejaria criar.

 

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