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Protestos contra o ICE multiplicam-se nos EUA, depois da morte de Renee Good. Na imagem, manifestantes em Nova Iorque (EUA), na Foley Square, junto ao edifício do governo federal, protestam contra o assassinato de Renee Good pelo ICE, ocorrido horas antes. Foto SWinxy, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons.
Protestos contra o ICE multiplicam-se nos EUA, depois da morte de Renee Good. Na imagem, manifestantes em Nova Iorque (EUA), na Foley Square, junto ao edifício do governo federal, protestam contra o assassinato de Renee Good pelo ICE, ocorrido horas antes. Foto © SWinxy, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons.

Estados Unidos da América

Mulher, poeta e cristã que se pôs ao lado dos imigrantes e foi abatida a tiro

| 11/01/2026

Três vídeos do incidente que originou a morte de uma mulher, no estado de Minneapolis, Estados Unidos da América (EUA), partilhados nas redes sociais e verificados pela Human Rights Watch e por meios de comunicação social, contradizem de forma clara as alegações de autoridades federais americanas de que a mulher fez da sua carrinha uma arma ou tentou matar agentes, antes que um deles disparasse.

Quem o afirma é a organização não governamental Human Rights Watch, num texto publicado no seu site, no qual sustenta que os disparos são “produto de um sistema abusivo de aplicação da lei”. O alegado assassínio foi cometido na última quarta-feira, dia 7, durante mais uma ação de uma brigada do ICE (Serviço de Imigração e Alfândegas).

Renee Nicole Good, de 37 anos, era mãe de três filhos. Foto do Facebook pessoal de Renee.

Renee Nicole Good, de 37 anos, era mãe de três filhos. Foto do Facebook pessoal de Renee.

A mulher, Renee Nicole Good, de 37 anos, mãe de três filhos, teria o seu veículo a bloquear a rua. Segundo testemunhos no local, confirmados pelas imagens quando foi advertida, ela procurou arrancar, mas sem colocar em risco nenhum dos vários agentes que ali se encontravam. No clima que se gerou, um dos agentes disparou à queima roupa.

A vítima não era imigrante ou familiar. Era uma cidadã norte-americana que, tal como centenas ou milhares de concidadãos, nomeadamente de confissões religiosas, se organizam como voluntários para proteger e apoiar os imigrantes, em muitos casos involuntariamente indocumentados, mas sem antecedentes criminais. Entre essas ações cabem sistemas de sinalização (através de apitos, de chamadas telefónicas e outros meios) da chegada ou presença de equipas do ICE que recorrem em muitos casos a veículos não identificados. Cabe ainda o protesto pacífico, que envolve a exibição de cartazes, grito de slogans e movimentos para lentificar a progressão no terreno, por parte dos agentes.

A notícia da morte à bala de Renee Nicole Good, que está longe de ser caso isolado, desencadeou nos últimos dias, uma onda de vigílias e desfiles em numerosas cidades dos Estados Unidos, para denunciar o comportamento abusivo do ICE. A Casa Branca assumiu de imediato a versão dos agentes, tendo Donald Trump referido a mulher abatida como obstaculizadora do trabalho dos agentes, “agitadora profissional” e “terrorista doméstica”.

Num texto em que dá a conhecer quem é, afinal, esta mulher que deu a vida na luta por um tratamento digno aos imigrantes do seu país, a BBC News refere que ela é uma poeta premiada e uma cristã empenhada, que chegou a ir em missão para a Irlanda do Norte, quando era mais jovem. Sua mãe, citada na peça, que a filha Renee era uma pessoa “extremamente compassiva”, que desde cedo “cuidou das pessoas”. “Era amorosa, compreensiva e carinhosa, era um ser humano incrível”, acrescentou.

Uma campanha de angariação de fundos para ajudar a família, prevista para 50 mil dólares, chegou em dois ou três dias a perto de 1,5 milhões, o que diz bem do impacto e solidariedade que o caso despertou.

 

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