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A morte de Pierre El Raï, 50 anos, gerou uma onda de consternação e medo na paróquia de Qlayaa. Foto: Direitos reservados, via @MartinDandach

Onda de consternação e medo

Padre morre enquanto socorria feridos em bombardeamentos no sul do Líbano

| 10/03/2026

Entre as vítimas mortais dos bombardeamentos no sul do Líbano desta segunda-feira, 9 de março, está o padre Pierre El Raï, pároco maronita de Qlayaa. Descrito como o “apoio dos cristãos da região”, morreu depois de ter sido atingido enquanto procurava prestar socorro aos feridos de um ataque anterior.

De acordo com o padre Toufic Bou Merhi, franciscano da Custódia da Terra Santa que relatou o sucedido aos média do Vaticano, um primeiro bombardeamento atingiu uma residência próxima da paróquia ao início da tarde, ferindo um morador local. Ao saber do ocorrido, o padre Pierre correu para o local com um grupo de jovens para prestar assistência. Foi nesse momento que um segundo ataque atingiu o mesmo alvo. O pároco ficou gravemente ferido e, apesar de ter sido transportado para um hospital próximo, não resistiu aos ferimentos, falecendo “quase à porta” da unidade de saúde.

A morte de Pierre El Raï, 50 anos, gerou uma onda de consternação e medo na paróquia de Qlayaa, que atende cerca de 3 mil pessoas. O padre Toufic recorda que o pároco encorajava os fiéis a permanecerem nas suas terras, apesar da insegurança que se tem vivido na região. “Até então, as pessoas recusavam-se a deixar as suas casas… agora, com a morte do padre Pierre, não sei por quanto tempo conseguirão aguentar”, partilha o franciscano.

A situação de emergência no país é generalizada. “No nosso convento em Tiro – relata o padre Toufic – temos 200 pessoas deslocadas, todos muçulmanos, acolhemo-los. Só em Beirute, há 500 mil pessoas deslocadas das suas casas. Quase 300 mil pessoas deixaram o sul do Líbano e estão espalhadas por áreas do sul consideradas mais seguras, embora já não haja segurança em lugar nenhum. Dezenas de milhares de pessoas também deixaram a região do Bekaa”, informa. As pessoas “sabem o que estão a deixar para trás — as suas propriedades, as suas casas, a sua história — mas não sabem para onde ir. Há pessoas nas ruas, a dormir em carros. Não estávamos preparados para acolher quase um quarto da população”, lamenta.

 

A dor do Papa e os cristãos em risco

Através da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa manifestou, ao final do dia de segunda-feira, a sua “profunda dor” por todas as vítimas dos bombardeamentos no Médio Oriente. Leão XIV destacou especificamente o sacrifício do padre Pierre e a morte de “muitos inocentes, entre os quais muitas crianças” no Líbano.

De acordo com dados da Unicef, pelo menos 83 crianças foram mortas e 254 ficaram feridas desde 2 de março, com a intensificação das hostilidades. Em média, mais de dez crianças foram mortas todos os dias no Líbano na última semana, e cerca de 36 ficaram feridas diariamente.

Leão XIV, relata a nota do Vaticano, “acompanha com preocupação o que está a acontecer e reza para que todas as hostilidades cessem o mais rápido possível”.

Também secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin reagiu à morte do padre maronita, referindo que “infelizmente a Igreja também é vítima desta situação. Não estamos isentos, não estamos imunes ao sofrimento da população”. De modo mais geral, disse à margem de um evento inter-religioso intitulado A Mesa do Ramadão, “o grande risco é que a Terra Santa e o Médio Oriente permaneçam desprovidos de cristãos. Isso seria insensato, porque os cristãos são parte integrante dessa realidade. O fasto da guerra, da desestabilização, dos conflitos e do crescente ódio não favorece a presença dos cristãos. Esta é uma razão para insistir continuamente na busca de soluções pacíficas”.

 

 

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