Sob o lema “Migrações, Trabalho e Dignidade”, o Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) da arquidiocese de Braga reuniu, entre os dias 13 e 18 de abril, representantes de vários arciprestados para refletir sobre os desafios que os trabalhadores migrantes enfrentam em Portugal. O documento final sublinha a contradição entre a necessidade económica de mão de obra e a falta de condições dignas de integração.
O movimento expressa preocupação com o crescimento de discursos de “medo, desconfiança e até rejeição”, lembrando que a imigração é, muitas vezes, fruto de situações extremas de pobreza e guerra. Segundo o comunicado, o trabalho deve ser um caminho de dignidade, mas a realidade atual revela cenários de “precariedade, exploração e injustiça”.
“Quando olhamos para alguém apenas como ‘mão de obra’ ou como um número, estamos a esquecer aquilo que é essencial: cada pessoa tem um rosto divino e um valor único”, refere o documento, apelando a que a sociedade não fique indiferente perante a falta de condições na habitação e no emprego.
As conclusões da semana temática apontam para a necessidade de construir uma “sociedade justa”, que não se guie apenas pelo lucro ou crescimento económico, mas pelo bem comum. O movimento defende que a dignidade não pode depender da origem ou condição social do trabalhador e reforça os quatro verbos propostos pelo Papa Francisco: acolher, proteger, promover e integrar.
E deixa ainda um alerta direto para realidades graves como o tráfico de seres humanos, exigindo “coragem para denunciar o que fere a dignidade humana”.
A reflexão contou com o apoio técnico do serviço de migrações da arquidiocese de Braga — através do diácono Joaquim Ferreira e da jurista Lígia Ferreira — e a participação da coordenadora nacional da LOC/MTC, Fátima Pinto.
O documento termina com um apelo à construção de uma sociedade mais fraterna e à partilha justa da riqueza, instando os cidadãos a agirem com proximidade e sem julgamentos.










