O bispo auxiliar de Sevilha e administrador apostólico da diocese de Cádiz e Ceuta, Ramón Valdivia, convocou uma vigília pela paz, justiça e estabilidade em Ceuta para “voltar o olhar para Deus em resposta a esta crise humanitária e de confiança” e para procurar entender “o desastre humanitário gerado pela ambição e pela corrupção” vivido por milhares de “jovens sem futuro que se lançaram no desconhecido, impulsionados apenas por slogans políticos ou promessas mal-intencionadas”.
Na carta dirigida aos sacerdotes, religiosos e fiéis de Ceuta — cidade a que no dia 30 de julho chegaram a nado cerca de 60 mil migrantes ilegais vindos de Marrocos —, Valdivia escreve que a vigília na véspera da festa da Assunção de Maria, celebrada a 15 de agosto terá como intenção “pedir a luz necessária para que, unidos, seja possível viver estes momentos como um novo começo cultural e não simplesmente como uma crise — que se espera seja passageira”.
O bispo reconhece que ele próprio precisa de rezar e de tempo “para refletir e compreender a dimensão” dos trágicos acontecimentos vividos na cidade “e, ao mesmo tempo, para tentar entender as repercussões” desses acontecimentos “que vão além do que os media têm mostrado”.
De acordo com a notícia da agência aciprensa de dia 10 de agosto, ao convocar a vigília, o administrador apostólico de Cádiz e Ceuta sublinha que “estes acontecimentos revelam a profundidade da mudança cultural que está em curso” no meio da qual ganha sentido “continuar a rezar o Pai-Nosso, dizendo: ‘Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu!’”.

“Nos dias 30 e 31 de julho terão morrido afogados mais de 140 migrantes entre os 60 mil que tentaram entrar a nado em Ceuta vindos de Marrocos.” Foto: Direitos reservados/via Religión Digital.
Nos dias 30 e 31 de julho terão morrido afogados mais de 140 migrantes entre os 60 mil que tentaram entrar a nado em Ceuta vindos de Marrocos. Muitos deles não eram marroquinos, sendo originários de vários países do Norte e do Leste de África. A esmagadora maioria destes migrantes foram reencaminhados de volta para Marrocos, mas a crise gerada pela entrada de uma tão grande multidão naquele pequeno território administrado por Espanha deixou fortes marcas na população local (pouco mais de 85 mil habitantes), nos migrantes e ainda nas relações entre Estados-membros da UE.
Enquanto alguns países, com a Itália e a Dinamarca à cabeça, quiseram pôr a Espanha fora do espaço Schengen, i. é, interromper a livre circulação de pessoas entre aquele país ibérico e os restantes países da União Europeia que integram aquele espaço, o arcebispo emérito de Tanger, Santiago Agreto Martínez, escreveu no domingo 2 de agosto no jornal católico italiano Avvenire, que “aquilo que aconteceu esta semana tem pouco ou nada a ver com a situação dos imigrantes ilegais” e “em vez de demonstrar o sofrimento dos mais vulneráveis, parece ser um êxodo motivado por interesses políticos”.
“Mais do que a história dos pobres em busca de comida, parece um confronto oportunista entre forças poderosas — sejam elas partidos políticos, nações ou ideologias”, acrescentou o antigo responsável católico, que se refere às dezenas de milhares de pessoas a entrar e a sair de Ceuta como “humanidade em movimento que é, para os crentes, uma questão de compaixão”. [ver 7MARGENS].
Agora, o bispo auxiliar de Sevilha veio sublinhar a maneira como os católicos enfrentaram o desafio da chegada em menos de 24 horas de tantos migrantes: “É justo que todos nós enviemos uma mensagem de gratidão a essa pequena comunidade cristã, para que recebam um forte incentivo do restante da diocese e continuem mantendo vivo o testemunho da fé”.










