Ao tomar conhecimento da morte do Prof. Eugénio Fonseca, além da profunda tristeza que a notícia em mim provocou, no meu espírito surgiu, inexplicavelmente, a célebre frase do Papa S. Paulo VI, em Fátima, em 1967: “Homens, sede Homens”. Passadas algumas horas, começou a clarificar-se o porquê desta frase ter surgido na minha mente: na verdade, ela aplica-se perfeitamente a este grande Homem!
A forma apaixonada, entusiasta e comprometida, como enfrentava os desafios, e se entregava àqueles a quem servia nas mais diversas causas que foram passando pela sua vida, fizeram dele um homem de referência e um cristão assumido e respeitado dentro e fora do nosso País.
Não sei precisar quando nos conhecemos, mas sei que a nossa amizade foi crescendo ao longo dos anos, em diversos contextos, nos quais pude testemunhar, com respeito e admiração, o seu desejo de ver uma Igreja ainda mais próxima das “periferias humanas e existenciais”, atenta aos homens concretos, sobretudo, aos mais frágeis e tantas vezes marginalizados.
A separação entre a Fé e a Vida, que, como diria outro grande Papa, S. João XXIII, era um dos “maiores escândalos dos nossos tempos”, também o preocupava e, por isso, procurou deixar sempre uma marca profundamente humana e cristã, coerente, em tudo o que fazia. O seu contributo para instaurar no nosso País a “Civilização do amor” (S. Paulo VI) é inegável, e espero que seja reconhecida por quem de direito. Desejo ainda, de todo o meu coração, que o seu esforço venha a dar frutos e frutos abundantes para a Igreja e para a Sociedade.
À sua família transmito os meus sentimentos e a certeza da minha oração pelo seu eterno descanso.
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário, além de pároco nos concelhos de Alvito e Cuba, na Diocese de Beja, é professor no Instituto Superior de Teologia de Évora e actualmente presidente do seu Conselho Directivo.










