Nove presos políticos saharauis iniciaram uma greve de fome por tempo indeterminado em três prisões marroquinas, exigindo o cumprimento de decisões dos mecanismos das Nações Unidas e denunciando as condições de detenção. Segundo a Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental (AAPSO), as autoridades marroquinas terão respondido com transferências de presos, restrições às visitas e corte de comunicações com as famílias.
A greve retoma a iniciativa de Naâma Asfari, condenado a 30 anos de prisão, que esteve 47 dias em greve de fome entre 8 de junho e 24 de julho [ver 7MARGENS]. Asfari suspendeu então o protesto depois de receber promessas da Delegação Geral Marroquina para a Administração Prisional e a Reintegração. Entre as medidas concretizadas estiveram a retoma de um contacto telefónico semanal de quatro minutos com a mulher, Claude Mangin, e a autorização para uma consulta de oftalmologia, que aguardava há cerca de uma década.
As principais reivindicações, porém, permanecem sem resposta. Os presos pedem a aplicação das decisões de organismos das Nações Unidas sobre a sua detenção, melhores condições prisionais e acesso a cuidados médicos, além da transferência para prisões no Sahara Ocidental, mais próximas das suas famílias. Pedem também que o mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) passe a incluir a monitorização dos direitos humanos e que o Comité Internacional da Cruz Vermelha possa visitar os locais de detenção.
A situação dos grevistas tem-se deteriorado, segundo organizações que acompanham os presos. Mohamed Bani terá interrompido a greve depois de sofrer uma forte descida da tensão arterial e ser levado para a enfermaria da prisão de Aït Melloul 2. A Liga para a Proteção dos Presos Saharauis nas Prisões Marroquinas manifestou preocupação com o estado de saúde de Brahim Ismaili e indicou que as famílias de Sidi Bachir Boutenguiza e Ahmed Sbaai perderam o contacto com os dois presos.
As mesmas organizações denunciam ainda a transferência de Bachir Khadda para uma prisão em El Aaiún e de Hassan Dah para a prisão de Ben Guerir, sem informação prévia às famílias. Naâma Asfari terá também sido transferido para outra prisão.
A greve envolve presos do chamado grupo de Gdeim Izik, detidos na sequência do desmantelamento, em 2010, de um acampamento de protesto saharaui nos arredores de El Aaiún. A situação destes presos tem sido objeto de decisões de organismos internacionais de direitos humanos.
Num relatório divulgado esta quinta-feira, 1 de outubro, a Associação Saharaui de Proteção dos Presos nas Prisões Marroquinas afirmou que a greve decorrera entre 23 e 30 de setembro e denunciou novas transferências e restrições ao contacto dos presos com as famílias. A mesma organização afirmou, contudo, que sete dos grevistas continuavam em greve de fome.
Em comunicado enviado ao 7MARGENS, a AAPSO apela à divulgação da situação dos presos e à mobilização de organizações e cidadãos em solidariedade com a sua reivindicação de libertação e com o direito à autodeterminação do povo do Sahara Ocidental.










