
Aloucação do Angelus neste Domingo da Alegria, 13 de Dezembro, com o Papa Francisco. Foto © Tony Neves.
O Domingo da Alegria, na liturgia católica do tempo do Advento, é dia escolhido para o Papa benzer as figuras dos Meninos Jesus que serão colocadas nos presépios. Por isso, neste domingo, 13 de dezembro, a Praça de S. Pedro fugiu à pandemia e encheu-se (mas cumprindo as regras sanitárias…) para um Angelus muito especial.
Estava sol em Roma quando Francisco chegou à janela e saudou o povo na Praça de S. Pedro da forma habitual: um buongiorno muito efusivo e muito respondido pela multidão que ali o esperava. Depois, como sempre, veio a catequese, seguindo o tema do Domingo da Alegria que a Igreja celebrou no mundo inteiro. Recordou o grito de S. Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!”
Esta alegria resulta do facto do Natal estar próximo. O Papa lembrou que quando Deus está próximo há mais alegria; quando Deus está longe, há mais tristeza. Disse que os cristãos nunca podem ter cara de velório em dia de funeral, mas antes rostos cheios da alegria de um Deus que está vivo no meio de nós. Falou do exemplo de João Baptista que deu a vida pela verdade. Baptista era um líder entre a sua gente, mas viveu a preparar o caminho do grande líder que era Cristo. É importante que os cristãos se descentrem e ponham Cristo no centro das suas vidas. Mais à frente, diria que o caminho da alegria não é um passeio, mas implica dar a vida e despojar-se de tudo o que é supérfluo. Para ter uma fé triste é melhor não a ter…
Depois, benzeu as imagens do Menino Jesus a colocar no presépio e pediu que todos se deixem afagar pela ternura deste Filho de Deus que quer nascer no coração de todos.
Por fim, e como sempre, pediu para ninguém se esquecer de rezar por ele. Desejou um bom almoço e disse arrivederci, ou seja, adeus.

Presépio na Basílica de São Pedro. Foto © Tony Neves
Estive na Praça de S. Pedro e visitei a basílica. Há dois presépios, como sempre. No interior, um tradicional, o de todos os anos, colocado em frente da grande escultura da Pietà de Miguel Ângelo. Na praça, está um presépio gigante, muito original e especial, a suscitar todo o tipo de reacções. Foi feito pelos ceramistas pelo de Instituto de Arte pela Cerâmica, em Castelli (Centro Leste de Itália, 160 quilómetros a nordeste de Roma). Esta cidade foi vítima de dois terramotos (2009 e 2016) e uma tempestade de neve (2017), mas continua a ser uma das terras mais famosas em trabalhos de cerâmica.
Este presépio de 54 peças (feitas entre 1965 e 1975) já esteve exposto na Terra Santa mas, aqui em Roma, as reações são muito diferentes e plurais, desde o espanto feliz a sensações de expectativas frustradas. Há pessoas que acham belíssimo e original. Outras leem a história da sua criação e ficam emocionadas. Mas algumas reagem negativamente pois só aceitam um presépio clássico, igual ao da sua infância. Junto ao presépio que está dentro da basílica, uma senhora reagia assim, depois de ver o da praça: até que enfim, vemos um presépio como deve ser!

Presépio na Praça de São Pedro, “criações de artistas de uma terra sofrida”. Foto © Tony Neves
Fiz fila uns minutos. Detive-me diante das imagens depois de ler a história do presépio. As imagens chocam pela originalidade. Verticais e magras, assemelham-se a múmias egípcias. Mas são criação de artistas de uma terra sofrida. Os rostos não sorriem, mas há lugar para a esperança naquele berço que espera o nascimento do Menino. Mas confesso que gostei.










