A arte como um abraço – Descobrir

| 28 Jan 19

Quando me perguntam qual é a minha profissão gosto de dizer que sou pintora porque é o que gosto mais de fazer. Mas nunca foi possível sustentar-me pela arte.

Desde criança desenhava por todo o lado com prazer e a minha mãe encontrava diversas vezes desenhos meus em locais inesperados, como nas paredes por detrás de casacos pendurados. Lembro-me de, ao desenhá-los, me imaginar como que dentro de numa gruta… eram os meus segredos!

Não me ficaram recordações de punição relacionada com estas travessuras. Apenas alguma responsabilidade na limpeza me foi exigida!

Mais tarde, no curso superior de Educação pela Arte que frequentei pelos meus 20 anos (1978/81), foi o despertar e a confirmação para um modo criativo de encarar a vida e a educação, aprender a conhecer-me, dar o meu melhor e apostar que a Educação pela Arte tem de ser para todos.

Acho que fiz disso o meu ideal e projeto de vida! Bem característicos da minha geração que cresceu com os sonhos de revolução de Abril de 1974.

Com a arte aprendi a viver melhor sobretudo quando os processos de criação artística são partilhados e levam cada um(a) a descobrir-se com gratidão.

É nestas descobertas inesperadamente participadas e de prazer que encontro a transcendência. Dá-me ideia de que há um olhar, uma força que não sabíamos ter e que nos abriu o coração.

Sou católica, e acredito que Deus nos olha com carinho e atenção. E quando digo nos, é a todos!

É sobre estas experiências diversas do dia-a-dia, – onde encontro a criação artística como abertura aos valores da solidariedade, da interajuda, do saber crescer com o diferente, de aprender sempre, de saber mudar e de rir de nós próprios, amando cada mudança nas nossas vidas – que vos prometo contar uma pequena história todos os meses.

 

Ana Cordovil é pintora

(Tive a sorte de descobrir a arte nos afetos. E de crescer nela com a sensação de que algo de sobrenatural nos atravessa quando a experimentamos. É essa experiência que todo o ser humano tem o sonho de partilhar. Este é o meu propósito ao escrever estas crónicas.)

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Ao chegar aos EUA tive que tirar a carta condução novamente. De raiz. Estudar o código. Praticar. Fazer testes. Nos EUA existe um sinal de trânsito que todos conhecemos. Porque é igual em todo o mundo. Diz “STOP”. Octogonal, fundo branco, letras brancas. Maiúsculas. Impossível não ver. Todos vemos. Nada de novo. O que me surpreendeu desde que cheguei aos EUA, é que aqui todos param num STOP. Mesmo. Não abrandam. Param. O carro imobiliza-se. As ruas desertas, sem trânsito. Um cruzamento com visibilidade total. Um bairro residencial. E o carro imobiliza-se. Não abranda. Para mesmo. E depois segue.

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Economista social ou socioeconomista?

Em 2014, a revista Povos e Culturas, da Universidade Católica Portuguesa, dedicou um número especial a “Os católicos e o 25 de Abril”. Entre os vários testemunhos figura um que intitulei: “25 de Abril: Católicos nas contingências do pleno emprego”. No artigo consideram-se especialmente o dr. João Pereira de Moura e outros profissionais dos organismos por ele dirigidos; o realce do “pleno emprego”, quantitativo e qualitativo, resulta do facto de este constituir um dos grandes objetivos que os unia.

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