A arte da simplicidade e o minimalismo

| 21 Ago 2022

 

E logo eu que não sou nada de ler livros de estudos, auto-ajudas ou cientificos – preconceitos à parte, é mesmo só questão de gosto, sempre preferi a ficção e os sonhos à realidade – deparei-me, certa vez, com um livro aberto em minhas mãos cujo título era A Arte da Simplicidade. Eu não tinha mais que uns 20 anos de idade e, ainda hoje, me lembro do quanto aquelas páginas me impressionaram, do quanto aquela descoberta me transformou.

Eu, como qualquer jovem dos anos 90, inventava coleções: bilhetes de concertos, de cinema, de peças de teatro, cds de música que já nem ouvia, filmes VHS, livros, posters, recortes de revistas, pulseiras, tazos…e poderia, infinitamente, continuar.

O A Arte da Simplicidade foi a minha primeira abordagem pessoal ao minimalismo, conceito em voga nos dias de hoje, mas que à época era inexistente. A narrativa começava com uma frase que dizia qualquer coisa do género: “Tenha apenas a quantidade de coisas com as quais possa fugir se uma guerra estourar à sua porta.” e prosseguia detalhando pormenores da cultura japonesa que relacionam a quantidade de objectos à energia.

Eu, fiel à impulsividade que me caracteriza, comecei a desentulhar a casa com a mesma sofreguidão com que tinha acumulado durante anos. De um extremo ao outro.

Devo confessar que os livros são os objetos que mais dói doar, podemos sempre voltar a eles para curar alguma ferida; para além do mais são bonitos e cheiram bem.

Hoje sou consciente da leveza que me trouxe a aprendizagem do desapego; quase não tenho coisas — os livros continuam a ser o mais difícil, passei a frequentar mais bibliotecas do que livrarias. Acredite-se ou não, o minimalismo traz uma sensação única de liberdade, desidentificação, fluidez e ligeireza.

Eu, que nunca paro mais do que dois ou três curtos anos em cada lugar, em cada cidade, em cada casa, tenho a certeza que assumir esta postura, esta rendição ao conceito, veio facilitar inteiramente os meus dias. 

Talvez um dia me alongue a escrever sobre teorias e provas científicas do malefício causado à humanidade pelos excessos materiais.

Pecaminosamente, ainda se divulga tão pouco sobre isto. 

Ana Sofia Brito é performer e artista de rua por opção, embora também mantenha a arte de palco; frequentou o Chapitô e estudou teatro físico na Moveo, em Barcelona.

 

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