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Banda mongol The HU. Foto Madalin Margaritescu

The HU

A banda mongol de folk metal que quer juntar-se ao Papa para salvar o mundo

| 04/01/2024

Banda mongol The HU. Foto Madalin Margaritescu

A banda mongol The HU num dos concertos da sua mais recente digressão pelos Estados Unidos da América. Foto © Madalin Margaritescu

 

O que têm em comum os The HU, banda da Mongólia que tem vindo a conquistar os fãs de heavy metal nos cinco continentes, e o Papa? Muito mais do que possamos imaginar. Nomeada “artista para a paz” pela UNESCO em 2023, esta banda diz querer promover, através da sua música, o respeito pela diferença e a proteção da natureza. E, apesar de todos os seus elementos serem praticantes do Tengerismo – a tradicional espiritualidade indígena das estepes da Mongólia – assumem-se também fascinados por Francisco e dizem querer unir-se a ele na missão de salvar o mundo.

O fascínio do grupo pelo Papa já vinha de trás, mas aumentou depois da visita que ele fez ao seu país no passado mês de setembro, revelou um dos vocalistas numa entrevista ao jornal Crux, publicada esta quarta-feira, 3 de janeiro. “Nós, mongóis, somos uma nação com um sentido e uma crença mais elevados no simbolismo tradicional, e os mongóis receberam a visita do Papa como tendo um grande significado”, disse o cantor Nyamjantsan “Jaya” Galsanjamts. Um significado que ganhou ainda mais relevância para os The HU quando perceberam que as palavras do Papa durante a viagem “combinaram perfeitamente com a missão, as canções e as mensagens da banda”.

De tal forma que no grupo nasceu o desejo de atuar, um dia, no Vaticano. E Jaya até já sabe que canção escolheria para apresentar a Francisco em primeiro lugar. “Uma das principais prioridades e mensagens que pretendemos partilhar com os nossos fãs e uma das preocupações do Papa são as mesmas: proteger e amar a Mãe Natureza. Queremos espalhar esta mensagem sobre a importância de amar e proteger a nossa natureza e manifestar-nos contra as alterações climáticas que nos estão a afetar globalmente. Portanto, a nossa canção “Mãe Natureza” [cujo videoclipe pode ser visto abaixo] seria a primeira e melhor canção a cantar para ele”, explicou o músico.

 

À semelhança de Francisco, os The HU consideram que o que falta no mundo é, sobretudo  “amor e respeito”, pelos outros e pela casa comum que é o planeta Terra. “As pessoas não amam a natureza e hoje exploramos tudo sem pensar no futuro. Esta atitude, esta exploração, conduz à degradação natural e às alterações climáticas. Portanto, o que estamos a promover ao mundo é a nossa cultura nómada tradicional, o modo de vida nómada, que consiste em viver em harmonia com a natureza”, afirma Jaya, com indisfarçável orgulho na história, cultura e língua mongóis.

“Por exemplo, nós, mongóis, ainda usamos as nossas botas tradicionais com a ponta virada para cima para não perturbar o solo. Através das nossas artes, apresentamos o nosso património, promovendo que a nossa cultura tem como objetivo amar e proteger a natureza desde tempos imemoriais. É por isso que incorporamos todos esses conceitos na nossa música, e todas essas mensagens são muito importantes para nós. Queremos que muitas pessoas ouçam a nossa música e eduquem as gerações futuras com esses ideais”, acrescenta.

 

“É hora de pensarmos sem fronteiras”

O grupo, criado em 2016, distingue-se pelo uso do canto gutural mongol, uma técnica musical tradicional ligada aos pastores pastorais na Ásia Central, fundida com rock e heavy metal, e pelo recurso a instrumentos tradicionais como o Morin Khuur(violino com cabeça de cavalo), Tovshuur (alaúde de três cordas), Tsuur (flauta mongol) e Tumur Khuur (harpa de mandíbula).

Lançaram o seu álbum de estreia, “The Gereg”, em 2019, e desde logo foram aclamados pela crítica internacional, nomeadamente em publicações como a GQ e The Guardian. O single “Wolf Totem” alcançou o primeiro lugar nas vendas de músicas digitais de hard rock da Billboard e o seu videoclipe, juntamente com o do tema “Yuve Yuve Yu”, lançado logo a seguir, obtiveram juntos mais de 211 milhões de visualizações.

Mas mais do que bater recordes de vendas e visualizações, a banda – cuja música foi recentemente descrita por Elton John como “a melhor novidade que ouviu em muito tempo” – assume nesta entrevista ao Crux que a sua missão é “que as pessoas recuperem a fé, o incentivo, o amor e a força para superar todas as dificuldades pelas quais estão a passar”.

De resto, é por isso que escolheram chamar-se The HU. “HU” é a raiz etimológica mongol para a expressão “ser humano”. “Demos esse nome à nossa banda para chegar a todos os lugares onde o sol brilha e a toda a humanidade ao redor do globo”, explica Jaya.

No fundo, consideram que têm uma “missão partilhada” com o Papa, e que se resume a isto: “salvar o mundo”. Ele que também tem procurado chegar a todos, e em particular aos que estão nas periferias, como é o caso dos apenas 1.450 católicos que vivem na Mongólia.

Por isso, Jaya termina a entrevista com um apelo muito semelhante àqueles que Francisco tem feito: “Não importa onde nascemos, respiramos ar, bebemos água e vivemos na mesma terra. Estamos separados por fronteiras, mas somos filhos da mesma terra. Então, agora é hora de pensarmos sem fronteiras, devemos amar-nos uns aos outros e à nossa Mãe Terra sem fronteiras”.

 

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