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A boa notícia do KAICIID em Lisboa

| 09/03/2022

"As correntes ecuménicas e a fraternidade universal sempre foram vistas com simpatia" no nosso país. Foto © KAICIID.

“As correntes ecuménicas e a fraternidade universal sempre foram vistas com simpatia” no nosso país. Foto © KAICIID.

No meio de tantas notícias tão cheias de angústia por causa da guerra na Ucrânia, vi domingo no 7MARGENS a notícia da transferência da sede do Centro Internacional para o Diálogo Interreligioso e Intercultural (KAICIID) da Áustria para Lisboa.

É uma notícia portadora de paz e de esperança. Significa que o KAICIID se quis demarcar de toda e qualquer conotação ideológica ou política, que poderia advir da sua posição num país próximo do conflito, para marcar a sua total independência em relação com a guerra e assumir inequivocamente o seu papel de promotor do diálogo, seja qual for o motivo da guerra.

Portugal foi sempre um lugar de neutralidade e de tolerância. Com algumas excepções historicamente compreensíveis (cruzadas, inquisição, salazarismo, guerra colonial) praticou efectivamente o diálogo cultural; detestou sempre o racismo e toda a espécie de fundamentalismos. O discurso radical a que, em alguns momentos, as suas elites aderiram, nunca foi dominante nem assumido pela cultura popular. Pelo contrário, as correntes ecuménicas e a fraternidade universal sempre foram vistas com simpatia, mesmo quando nasceram em territórios alheios.

Este espírito deve ser cultivado em todas as manifestações religiosas e políticas. É indispensável em todos os momentos de conflito, sobretudo nos que trazem consigo a violência e a destruição, que ameaçam a paz e vitimam os indefesos, como é a situação actual na guerra da Ucrânia.

É por isso que o apelo à paz, à diplomacia e à tolerância que o Papa Francisco recomenda com tanta veemência deve ser escutado por todos, e de todas as maneiras possíveis, mesmo que implique cedências indispensáveis à sua efectivação. O gesto do KAICIID – a transferência da sua sede para Lisboa – coloca-nos numa posição mais próxima das negociações. Convida-nos a procurar, por todos os meios possíveis, a promoção da paz, nem que seja só pela oração e o jejum, que o Papa tanto recomenda. Devemos lembrar-nos de que “a fé remove montanhas” (cf. Mateus 21, 21).

 

José Mattoso é historiador, autor de Identificação de Um País e vencedor do Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes 2019.

 

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