Jornada de Memória e Esperança em todo o país

A borboleta que Maria pintou é para “ajudar quem está com covid”

| 22 Out 21

Está em marcha a Jornada de Memória e Esperança. Centena e meia de iniciativas estavam confirmadas nesta quinta-feira e o fim-de-semana deve ainda registar outras. O Presidente da República e o Parlamento estão solidários, associações, comunidades religiosas e instituições de solidariedade promovem vigílias, murais, debates, plantações de árvores, estudos científicos, coreografias…

Maria a pintar uma borboleta: “É para ajudar as pessoas doentes com covid.” Foto © António Marujo

 

Os seis anos de Maria já lhe permitem entender o básico: este mural de flores e animais que estão a pintar na sua escola, o Externato da Luz, em Lisboa, é “para ajudar as pessoas doentes com covid”. Na longa e estreita parede do átrio de entrada da escola dos Franciscanos, o branco já deu lugar ao fundo verde pintalgado de flores, borboletas, peixes, e mais flores. E dois títulos: “Mural da Memória e da Esperança” e “Homenagem do E.D.L. às vítimas da covid-19. 21 e 22 Outubro 2021”. Uma iniciativa que se insere na Jornada de Memória e Esperança que, entre sexta e domingo, engloba já centena e meia de outras tantas ideias e propostas em todo o país – regiões autónomas incluídas.

Nesta sexta-feira haverá mais pintura e Clara Soares, a professora de Educação Visual, que dá aulas a alunos do 5º ao 9º ano de escolaridade, passará o dia num corropio entre aulas e o mural que está a nascer e terá de ficar pronto ao final do dia. Outras colegas também do grupo das Artes se irão revezando com ela, para garantir que todas as turmas da escola, entre o 1º ano e o 9º, dão uma mãozinha – vá, duas mãozinhas cada uma, já que de cada turma há dois representantes… – para pintar o mural. No caso desta quinta-feira, Maria e Miguel foram os artistas escolhidos ao acaso – ela pintou uma borboleta, ele escolheu a cabeça de um gato.

“Aderir a esta jornada é importantíssimo para ajudar a passar aos alunos a mensagem da homenagem que devemos prestar aos que já partiram. Mas não se fica por aí: também é importante falar sobre “o que se passa à sua volta”, diz a professora ao 7MARGENS.

O diálogo entre Clara Soares e os alunos do 1º B parece mostrar que a mensagem está a ser apreendida: às suas perguntas, os miúdos respondem que a doença tem atingido sobretudo pessoas mais velhas, que é uma espécie de gripe mais perigosa e que é provocada por um vírus invisível – e lá está um desenho a representar o malvado SARS-CoV-2. E também sabem que o vírus é muito contagioso e que obriga a usar máscara para que cada pessoa se proteja – a si e aos outros.

A decisão da escola em pintar um mural tem uma explicação simples: “É algo que fica, uma espécie de bilhete de identidade permanente para lembrar que há coisas que não podem ser esquecidas.” E na conversa inicial, Clara Soares também diz que o que os alunos do Externato da Luz estão a fazer se insere numa iniciativa a nível nacional, que é algo maior e que também o Presidente da República se associou a ela – através do seu alto patrocínio e da participação, no domingo, na iniciativa que marca o encerramento da Jornada. O Parlamento votará igualmente uma resolução de congratulação com a iniciativa.

 

Os alunos com os da linha da frente

Miguel a pintar um gato no mural do Externato da Luz, em Lisboa: “Lembrar que há coisas que não podem ser esquecidas.” Foto © António Marujo

 

O mote da escola católica de Lisboa atravessou a depressão que varre o mundo desde há quase dois anos e chegou também aos Açores, à Escola Secundária Domingos Rebelo (ESDR), em Ponta Delgada (São Miguel). “Nas escolas trabalhamos com jovens e faz todo o sentido implicá-los na sociedade de hoje”, diz Constança Gomes, professora de Geografia, que acrescenta a importância da “esperança de que eles construam uma sociedade mais igual, mais justa, mais fraterna, mais solidária, mais amiga do ambiente.”

“Considero muito pertinente a iniciativa” e as escolas “têm de fazer acontecer coisas”, diz esta docente, natural da zona da Guarda, mas a trabalhar nos Açores há dois anos. “Enquanto professora, acresce a responsabilidade profissional de dar também o meu contributo.”

Serão várias as iniciativas que a ESDR desenvolverá nestes dias – em boa verdade, várias delas já se iniciaram, para culminar nesta sexta-feira, com várias actividades que pretendem abranger a comunidade envolvente. Com o título genérico “Fortalecer a Esperança com a Memória”, os alunos produziram vídeos com reflexões, testemunhos e interpretações que fazem da pandemia, a partir da sua experiência pessoal durante os vários momentos desde o seu início. O objectivo era o de deixar uma memória explicativa para os futuros alunos que, entretanto, nasceram durante e após este período.

Nesta sexta-feira, 22, a escola terá um dia preenchido: todos os cidadãos são convidados a deixar uma mensagem em fitas coloridas que irão compor um mural; em todas as salas de aula haverá um minuto de silêncio, durante o qual são projectadas fotografias da pandemia; uma árvore autóctone e um canteiro de dálias serão plantados em homenagem às vítimas da doença; e haverá ainda uma sessão com profissionais que estiveram na “linha da frente” durante a pandemia, para darem o seu testemunho: agricultores, padeiros, profissionais de limpeza urbana, bombeiros, polícias, profissionais de saúde…

Mais a Sul, também várias escolas madeirenses dinamizam um largo conjunto de actividades: na Escola de Santo António e do Curral das Freiras, no Funchal, um cedro-da-madeira será plantado ao lado de uma árvore que secou, sinal de vida junto de algo morto; na Secundária Francisco Franco, também no Funchal, os alunos irão vestir camisolas brancas, amarelas e verdes: o branco da paz e da bata que cuida; o amarelo do sol que aquece e da medicina que cura; e o verde da esperança. Uma coreografia tentará falar sobre o confinamento e o isolamento, bem como sobre o reencontro e o abraço.

Na Escola Superior São José de Cluny, ainda na capital madeirense, haverá dois estudos apresentados num seminário sobre questões de saúde: um sobre a saúde mental dos estudantes de enfermagem e outro sobre o funcionamento das famílias portuguesas no primeiro trimestre de confinamento, em 2020.

 

Uma exposição de cartoons

Vacina © Cartoon de António na exposição virtual Humor em Pandemia, na página Memória e Esperança.

 

As iniciativas multiplicar-se-ão, nestes três dias até domingo, pelo país fora, em escolas, associações culturais, grupos profissionais, comunidades religiosas, autarquias ou instituições de solidariedade. Na página da iniciativa, há ainda uma exposição de cartoons oferecidos por cartoonistas como Cristina Sampaio, Luiz Afonso, André Carrilho, João Fazenda, António Antunes e outros que podem ser descarregados para organizar exposições.

Exposições, entrevistas e debates presenciais ou através das redes sociais, plantação de árvores, coreografias, momentos musicais ou pequenas vigílias estão também entre as muitas iniciativas previstas por todo o país. No Porto, por exemplo, a Associação Arco Maior promove a iniciativa “Mascarar a máscara”, propondo uma montagem de uma máscara gigante com máscaras cirúrgicas, nas quais serão inscritos números representando as vidas que se perderam ou frases e palavras de esperança.

Tudo para fazer memória de quem morreu ou sofreu, homenagear quem tem ajudado a suster trabalhos e vidas, e afirmar a esperança numa sociedade mais justa e solidária.

No site, qualquer cidadão pode ainda subscrever até dia 24 o manifesto que deu origem a esta jornada, e que conta já com mais de 1200 assinaturas de pessoas individuais ou entidades colectivas.

Como nele se afirma: “Afirmar a esperança será também não desistir de pensar um outro mundo, de questionar o modelo de sociedade centrado no ter e não no ser. Reconhecer que somos todos vulneráveis e interdependentes, que estamos todos no mesmo barco e que reconhecê-lo pode ajudar a superar o medo.”

 

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