A campanha da Amnistia pelo fim das acusações contra tripulação que salvou migrantes

| 7 Ago 20

navio migrantes iuventa, Foto_ JUGEND RETTET

“Acusações infundadas contra ONGs de salvamento apenas irão contribuir para retirar navios de salvamento do mar, que são tão necessários”, pode ler-se na petição da Amnistia Internacional. Foto © Jugend Rettet.

 

Três anos depois da apreensão do navio Iuventa e do início da investigação por tráfico humano aos dez membros da tripulação, entre os quais se encontra o português Miguel Duarte, a Amnistia Internacional lança uma campanha mundial de solidariedade, para que o Ministério Público italiano abandone o caso.

Pertencente à organização não governamental alemã de resgate humanitário no Mediterrâneo Jugend Rettet, a missão do Iuventa e da sua tripulação consistia em “salvar vidas no Mediterrâneo Central”, tendo “evitado que mais de 14 mil pessoas morressem afogadas”, explica a Amnistia Internacional em comunicado enviado ao 7MARGENS. Não faz qualquer sentido, por isso, que a sua tripulação tenha sido “alvo de um processo de criminalização”, arriscando-se “a uma pena de até 20 anos de prisão com base em acusações”, defendem.

Os procuradores alegam que, em três resgates ocorridos em 2016 e 2017, o Iuventa recebeu de vários traficantes, de forma direta, refugiados e migrantes, tendo-lhes devolvido os barcos vazios para que fossem reutilizados.

Os tripulantes do Iuventa negaram todas as acusações e uma reconstrução computadorizada dos três casos, realizada pelo projeto Forensic Oceanography da Goldsmiths – Universidade de Londres, “demonstrou que a tripulação só estava a salvar vidas”, sublinha a Amnistia Internacional.

“Três anos após o início de uma investigação criminal infundada, a equipa do Iuventa permanece no limbo, com a ameaça a pairar de longas penas de prisão”, alerta Maria Serrano, responsável de campanhas para assuntos de migração da instituição. E “três anos é demasiado tempo para pessoas cujas vidas e empregos ficaram numa situação de limbo, uma vez que aguardam julgamento”, pode ler-se no texto da petição que a Amnistia disponibiliza no seu site para que possa ser assinada.

A carta, que será enviada pela AI à procuradora de Trapani, Brunella Sardoni, salienta ainda que “acusações infundadas contra ONGs de salvamento apenas irão contribuir para retirar navios de salvamento do mar, que são tão necessários. Criminalizar a ajuda, o salvamento e abandonar refugiados e migrantes, torna as viagens mais mortais e causará muitas mais mortes e sofrimento”.

 

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