A carne, a história e a vida: uma viagem fascinante

| 8 Ago 2020

A carne, a história e a vida: uma viagem fascinante

| 8 Ago 20

A tradição espiritual cristã, radicada na Boa-notícia gerada pelo Novo Testamento, permanece ainda um continente a explorar para muitos dos discípulos de Jesus. A expressão mística contém uma carga associada que não ajuda a visitar o seu espaço: associamo-la a uma elite privilegiada, a fenómenos extraordinários, a vidas desligadas dos ritmos e horários modernos.

Neste sentido, a obra Conhecer os Místicos do jesuíta irlandês Brendam Comerford constitui um precioso auxílio. No total, são 22 personagens maiores da história da Igreja que o autor apresenta em breves textos, com uma linguagem acessível e coloquial, dando a conhecer traços biográficos e pérolas da experiência cristã. Figuras que vêm desde as origens – Orígenes, Agostinho –, passando pelas Idades Média e Moderna – Bernardo de Claraval, Teresa de Ávila – até ao século XX, como Dorothy Day e Pedro Arrupe, passando por algumas figuras maiores do contexto medieval anglo-saxónico como Richard Rolle ou Juliana de Norwich.

Ao percorrer estas páginas, o leitor fará uma viagem fascinante com homens e mulheres que, nas difíceis coordenadas do contexto em que viveram, não deixaram de perscrutar os sinais e passagens da Aliança de Deus com a humanidade, através da única paisagem que podiam narrar: a sua carne, a sua própria história, a sua vida. Comerford percorre de modo breve os traços biográficos destas personagens, aproximando-se sobretudo das suas vivências quotidianas, dos seus compromissos com os apelos do seu tempo, fosse a construção de uma gramática da experiência cristã nos primeiros séculos, o serviço aos pobres e à reconciliação nas Igrejas divididas da Idade Média ou a busca de um caminho simples e pessoal de oração diante das áridas linguagens da modernidade. Parecerá ao leitor estar a caminhar acompanhado de uma “nuvem de testemunhas” (Carta aos Hebreus 12, 1), com nomes, histórias e rostos concretos, numa leitura acessível e estimulante.

“Os místicos são pioneiros que exploram as fronteiras e limites do que é ser humano. Eles são exploradores da interioridade e mostram-nos o possível. Os místicos, com a sua visão noturna aprenderam a espreitar a escuridão divina de modo suficientemente longo e árduo para verem um mundo encharcado de Deus, vertiginoso na sua beleza. Eles lembram-nos que também temos olhos para ver essas frágeis, efémeras belezas nas quais gotas de orvalho brilham como safiras por alguns momentos fugidios à luz quebrada do amanhecer, quando a maior parte de nós dorme rotineiramente.”

 

Conhecer os Místicos, de Brendan Comerford, sj
Edição: Apostolado da Oração, 144 páginas

 

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Breves

Bairro é embaixador dos ODS

No Zambujal, vai nascer um mural para defender a gestão sustentável da água

O Bairro do Zambujal, localizado na freguesia de Alfragide (Amadora), está cada vez mais perto de se tornar “o primeiro bairro embaixador dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”. Com cinco dos seus edifícios a servir já de tela para uma série de murais que ilustram esses mesmos objetivos, prepara-se agora para receber a próxima pintura, dedicada à defesa do “ODS 6 – Água Potável e Saneamento”. Os trabalhos iniciais foram revelados nesta sexta-feira, 22 de março, data em que se assinala o Dia Mundial da Água.

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É notícia

Dia dos Mártires

Igreja na Índia recorda massacre de 2008

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Fundação AIS

Padre haitiano morto a tiro

Um padre que dirigia um orfanato no Haiti foi morto a tiro, Andrè Sylvestre, de 70 anos de idade, foi assassinado na tarde de segunda-feira, 6 de setembro, durante uma tentativa de assalto, revelou a Fundação AIS. 

IndieLisboa

Cinema: prémio Árvore da Vida atribuído a “Sopro”

O filme “Sopro”, realizado por Pocas Pascoal, uma cineasta angolana de 58 anos, foi distinguido na segunda-feira com o prémio Árvore da Vida, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), no final da 18.ª edição do festival de cinema independente IndieLisboa. 

Entre margens

Palavras violentas, consequências violentas

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Com uma percentagem significativa do país armada, e pelo menos uma percentagem violentamente zangada, temos de concordar que a única esperança para a paz é, como se diz, “reduzir a retórica”. – A reflexão de Phyllis Zagano sobre o panorama atual nos EUA

Adélia Prado – um prémio oportuno

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O poema chama-se “Missa das 10” e foi publicado no volume “Pelicano” (1987). Pode dizer-se que representa bem a expressão viva da atitude de Adélia Prado relativamente à sua coerência cristã. Longe de qualquer formalismo, o que aqui sentimos é a exigência da escolha do exemplo de Jesus Cristo com todas as suas consequências.

Onde estão as mulheres na música litúrgica católica?

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Na música, um dos ministérios mais estruturantes da liturgia católica, este paradigma mantém-se, embora com nuances particulares: salvo algumas (felizmente, cada vez mais) exceções, o ministério do canto, domingo a domingo, é, em Portugal, sustentado maioritariamente por mulheres e a regência dos coros é, preferencialmente, entregue a homens

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De Santo Agostinho a Georges Lemaître: A verdade é filha do tempo

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Adaptação de espaço litúrgico em Santarém

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Sem entrar, ver e sentir ao vivo não me posso atrever a uma visão crítica da adaptação realizada na Catedral de Santarém, onde o novo altar utiliza mármore de Estremoz, com isso tendo provocado alguma polémica local. Deixo apenas algumas linhas que tenho refletidas para o curso de mestrado em arquitetura e liturgia em Santo Anselmo – Roma, no qual fui convidado a intervir. Apenas para elevar o debate impressivo das redes…!

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Esta semana, enquanto despia a farda, para regressar a casa depois do dia de trabalho, subitamente assaltou-me uma ideia “a minha vida profissional nunca vai ficar fácil”. Incomodou-me o pensamento. Felizmente ninguém se cruzou comigo, saí e pude caminhar à sombra, até ao próximo “a fazer” do dia. As palavras, primeiro de sabor azedo, foram fazendo o caminho comigo. Dispersas e intrigantes. [Texto de Inês Patrício, Berlim]

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