A catedral espiritual do cardeal Tolentino

| 12 Out 19

Homem de fazer pontes, tem-se dedicado sobretudo à Bíblia, à poesia e à cultura. Não se preocupa em tomar partido público em todos os debates eclesiais, sociais ou políticos, mas não enjeita dizer que o cristianismo precisa de uma inscrição à esquerda, sob pena do seu fechamento.

José Tolentino Mendonça, numa imagem de vídeo do início de 2009, extraída da página digital da Capela do Rato, que ele designava como a sua “catedral espiritual”.[/caption]

 

Conversas com artistas e encomendas de obras de arte, debates com não-crentes sobre espiritualidade, sessões de poesia e leituras de livros da Bíblia, cursos de filosofia sobre Deus a partir dos grandes filósofos ou da grande literatura, homilias biblicamente inspiradas e a remeter para a poesia e o quotidiano, debates sobre filmes e reportagens jornalísticas, conversas sobre temas de fronteira como a eutanásia ou os divorciados na Igreja. De tudo isto, e muito mais, se fez a passagem do novo cardeal José Tolentino Mendonça pela Capela do Rato, em Lisboa, durante mais de nove anos. Um lugar-emblema da sua actividade e pensamento, que era a sua “catedral espiritual”, como dizia o próprio quando ali regressou já como arcebispo.

Tolentino Mendonça nasceu no Machico (Madeira), viveu a infância em Angola, aprendeu muito da sua avó, que comparou a uma biblioteca, depois de regressar com a família à Madeira, em 1975. Daqui rumou a Lisboa e ao mundo. Será agora formalmente nomeado cardeal pelo Papa no próximo sábado, 5 de Outubro, tornando-se, aos 53 anos (54 em Dezembro), o segundo mais jovem membro do Colégio Cardinalício e o terceiro português com direito a voto numa eventual eleição de um novo papa.

Explica-se de forma linear – ou talvez não – o curto circuito até chegar a esta nomeação. Poeta reconhecido em Portugal e vários outros países (tem poesia traduzida já em várias línguas), Tolentino Mendonça é membro do Conselho Pontifício da Cultura, presidido pelo cardeal Gianfranco Ravasi. Foi este quem convidou o padre português, em 2011, a escrever um poema para uma exposição no Vaticano, a propósito dos 60 anos da ordenação sacerdotal de Joseph Ratzinger, então Papa Bento XVI.

“E, por fim, Deus regressa/ carregado de intimidade e de imprevisto/ já olhado de cima pelos séculos/ humilde medida de um oral silêncio/ que pensámos destinado a perder…”, dizia o texto, traduzindo – se isso se pode dizer de um poema – a atenção ao que a sociologia identifica como sinal dos tempos: o paradoxal e contraditório “regresso de Deus” à praça pública, um dos temas de reflexão do poeta e biblista.

O cardeal Ravasi, ele próprio especialista em Bíblia, conhecia também a qualidade do pensamento de Tolentino à volta do texto sagrado dos cristãos. A sua abordagem do texto bíblico, incluindo a tese de doutoramento unanimemente elogiada, insere-se na escola narrativa, que privilegia a interpretação literária a partir da historicidade do texto, em detrimento da interpretação moralizante, doutrinária ou literal.

A Construção de Jesus, título da tese, teve já três edições. Nela, o biblista toma o texto da mulher que lava os pés de Jesus com perfume (Evangelho de Lucas 7, 36-50) para tecer uma conclusão sobre o poder das histórias, incluindo as da Bíblia: “Porque resistem [as histórias] ao inelutável manto do esquecimento? Que poder é o seu? Porque nos atraem, porque tornamos a elas, mesmo quando séculos se somaram a outros séculos, e o mundo que as gerou nos aparece enigmático, secreto, distante? (…) Porque contou Jesus histórias? Porque as contamos nós para dizer Jesus? Uma coisa temos por certa: há histórias que são contadas para que um encontro aconteça.”

Na hora de sugerir um nome para o retiro quaresmal do Papa Francisco e da Cúria Romana, em 2018, o cardeal Ravasi apontou o nome de José Tolentino Mendonça, o poeta e o biblista – ambas as condições apareciam como inseparáveis. Ao receber o convite do Papa, o português disse-lhe que era “apenas um pobre padre”. Francisco respondeu-lhe que partilhasse a sua pobreza, contava o próprio, depois de anunciado o convite, na crónica que mantinha então no jornal Avvenire.

 

“Uma tradução existencial da mensagem cristã”

Foi esse trajecto bíblico e poético que se fez presente no retiro de Quaresma que Tolentino orientou para o Papa e a Cúria, em Fevereiro do ano passado. Nas dez reflexões feitas, que deram origem ao livro Elogio da Sede, Tolentino volta a cruzar, em permanência, o texto bíblico com a literatura, o cinema, a poesia ou a pintura. Nas suas intervenções, tal como acontece, aliás, na sua poesia, dialogam crentes e não-crentes, pensadores de diferentes épocas históricas, artistas de muitos estilos, místicos que subvertem a ordem estabelecida ou subversivos que se aproximam da mística.

O roteiro onomástico diz muito dessa geografia plural: Cervantes, Platão, Tolstoi, Pasolini, Tarkovsky, Jorge Luís Borges, Rilke, Flannery O’Connor, Clarice Lispector, Tonino Guerra, Emily Dickinson, Ionesco, Milan Kundera, Primo Levi, Piero della Francesca. Portugueses como Fernando Pessoa, Herberto Hélder, José Pedro Croft, Lourdes Castro, Ilda David’. E, além de cidades, lugares ou bandas musicais, também grandes vultos do pensamento cristão mais antigo: Orígenes, Agostinho, Tomás de Aquino, Francisco de Assis, João da Cruz, Teresa d’Ávila. Ou ainda da mística contemporânea, seja ela de matriz católica ou outra: Pascal, John Newman, Dietrich Bonhoeffer, Etty Hillesum, Dorothy Day, Gandhi, Hélder Câmara, Henri de Lubac, Jean Vanier, Thomas Merton…

E o que dizem estes nomes (vários deles, aliás, editados por Tolentino na coleção Teofanias)? Desde logo, a construção de pontes entre universos diferenciados, capacidade que muitos destacam no bilista, que tem amigos com posições diferentes, na política ou na Igreja. Mas também a abertura do pensamento cristão à realidade e à cultura, à actualidade, à fragilidade humana, à manifestação da esperança, à pobreza, ao acolhimento da diferença, à radicalidade da experiência cristã e religiosa.

Como diria o Papa no final dos exercícios espirituais do ano passado, falando das referências do padre português, “a Igreja não é uma gaiola para o Espírito Santo, que [também] voa fora e trabalha fora” dela. E acrescentou, voltando-se para Tolentino: “Com as citações que fez, mostrou-nos como o Espírito Santo opera nos não-crentes, nos pagãos e em pessoas de outras religiões.” A 22 de Abril de 2015, na homilia da missa no Rato, afirmava o capelão: “Jesus dialoga com a descrença, com a dúvida, com a interrogação que está no coração dos discípulos.”

Tais cruzamentos – fé e descrença, literatura e teologia, Bíblia e poesia, arte e fé – dão a Tolentino Mendonça a “medida do concreto”, como dizia o próprio numa entrevista concedida ao autor deste texto e publicada em 15 de Abril de 2018 no Público, a propósito do Elogio da Sede. “A teologia não pode ser uma ideologia nem a espiritualidade se pode confundir com um conjunto de abstracções.” A literatura pode trazer uma dimensão concreta “muito grande”. E acrescentava: “A grande vantagem de utilizar o texto bíblico e a tradição espiritual cristã, mas também a antropologia, o cinema, a literatura, a pintura e as artes em geral é permitir uma tradução existencial da mensagem cristã.”

Foi na busca dessa “tradução existencial da mensagem cristã” que Tolentino Mendonça se debruçou no retiro sobre o Elogio da Sede, que hoje já pode ser lido como uma síntese do seu pensamento e modo de estar actual – e que se arrisca a ficar a par dos grandes textos da mística cristã. Identificando várias vezes a sede com o desejo, o então capelão do Rato dizia: “O desejo do ser humano é uma sede diversa [da dos animais]: é o desejo de ser amado, olhado, cuidado, desejado e reconhecido.”

Também foi esse modo de caminhar e colocar a reflexão que o Papa reconheceu e com o qual se identificou – o próprio Francisco coloca-se na mesma perspectiva, quando insiste nas dimensões do serviço ou da fragilidade de Deus, entre muitas outras. Daí até chamar o padre português para um lugar na Cúria Romana foi um instante: no final de Junho de 2018, nomeou Tolentino Mendonça como arcebispo, bibliotecário da Santa Sé e responsável do Arquivo do Vaticano. O que obrigou o padre a deixar os cargos de director da Faculdade de Teologia – do qual tomara posse apenas poucos meses antes – e de vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa.

 

A infância, metáfora do que nos espera

José Tolentino Mendonça, dia 4 de Outubro, véspera de ser investido como cardeal, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Foto © António Marujo

 

O poema citado terminava deste modo: “O mistério está todo na infância:/ é preciso que o homem siga/ o que há de mais luminoso/ à maneira da criança futura.” Também não será apenas coincidência que o primeiro poema do seu primeiro livro – Os Dias Contados – tenha o título de “A infância de Herberto Hélder” e diga, quase no final: “Nesse tempo/ ainda era possível/ encontrar Deus/ pelos baldios.”

Podem ler-se traços autobiográficos nestes versos? José Tolentino Mendonça nasceu na Madeira em 1965. Com um ano, embarcou com a mãe e os irmãos no “Príncipe Perfeito” para Angola, ao encontro do pai, que já lá estava. “A minha infância foi uma experiência que poderia descrever como uma experiência de espaços”, dizia em 2012 à jornalista Anabela Mota Ribeiro, numa entrevista no Público. “Do Lobito, as recordações são da amplidão do espaço. As casas eram grandes. Os espaços onde brincávamos livremente eram enormes.”

Com pai e tios pescadores, Tolentino recordava uma viagem com o pai, aos sete, oito anos: “Na minha cabeça ia também pescar. Dei comigo (…) na borda do barco, a olhar as paisagens. Praias que ainda não tinham sido exploradas, rochedos, o azul do mar, o fundo do mar. (…) Essa contemplação despertava em mim uma emoção enorme, enorme. Ficava boquiaberto. Como se aquela vida intacta, da paisagem do mundo, tivesse em mim um impacto que não sabia expressar.”

“A infância é muito importante para mim, e não apenas como lugar que eu deixei. É, em última análise, o lugar para onde caminho”, dizia entretanto, numa outra entrevista, também no Público, em 1998. “Imagino que, no fim da minha vida, hei-de reencontrar a minha primeira casa, o primeiro rosto que olhei, os primeiros que conviveram comigo, o primeiro pão que comi, os primeiros nomes que escutei. Para mim, ao fim da rua existe a infância. Não como realidade deixada inevitavelmente, mas como metáfora daquilo que me espera.”

O que o esperava aos nove anos, quando regressou à Madeira, em 1975, na sequência da traumática descolonização portuguesa, era também a sua avó, outra pessoa fundamental na sua formação. “A minha avó materna era analfabeta e digo muitas vezes que foi a minha primeira biblioteca”, contava ele, no primeiro discurso que fez à sua equipa da Biblioteca Apostólica Vaticana.

“Os analfabetos também têm uma literatura. Não se pode esquecer que a Bíblia ou os poemas de Homero foram primeiro transmitidos oralmente por gente que não sabia ler nem escrever mas era capaz de contar”, justificava, em Maio deste ano, quando regressou à Capela do Rato para falar da Biblioteca do Vaticano e encerrar um curso sobre “Quando a filosofia e literatura se cruzam” (o terceiro de uma série iniciada em 2017). “Sentar-se no colo de uma avó e ouvir uma história é ganhar para a vida um amor pelas histórias e pelos livros”, acrescentava na Capela, já arcebispo e bibliotecário, confirmando a ideia com que concluía a sua tese.

À avó materna Maria Matias dedicaria o neto José Tolentino o poema “A mulher desconhecida”, no livro Baldios: “É muito bela esta mulher desconhecida/ que me olha longamente/ e repetidas vezes se interessa/ pelo meu nome.” Em Maio deste ano, no Rato, como que dizendo que os analfabetos também têm nome, afirmava: “Não podemos esquecer que uma biblioteca é também um lugar para quem não sabe ler nem escrever, também é património deles.”

 

A catedral espiritual e cultural

José Tolentino Mendonça a 4 de Outubro de 2019, véspera de ser investido como cardeal, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Foto © António Marujo

 

Fixemo-nos ainda na “catedral espiritual” de Tolentino Mendonça, a Capela do Rato, que se afirmara, desde o final da década de 1960, como espaço de liberdade, de renovação litúrgica, atenção aos problemas sociais e de diálogo com a cultura, que desembocaria na vigília pela paz, no final de Dezembro de 1972.

No seu magistério, Tolentino Mendonça privilegiou a área da cultura (área que o levou também a dinamizador e director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica – e que o poderá levar a suceder ao cardeal Ravasi, em fim de mandato no Conselho Pontifício da Cultura, que coincidirá com a reforma da Cúria que está a ser preparada). Mas continuou a fazer da Capela um espaço de debate de fronteira, promovendo ou acolhendo no pequeno templo debates sobre temas como as periferias desejadas pelo Papa Francisco, os problemas das famílias e da sua relação com as regras doutrinais, o papel dos políticos, a eutanásia ou o papel das mulheres na Igreja Católica, entre muitos outros.

Na Capela, dinamizou ainda o apoio a uma família de refugiados sírios: “Uma mesa verdadeira não é uma mesa, é mais do que uma mesa, é a fraternidade que somos capazes de construir uns com os outros, é aquilo que colocamos lá”, referia em Abril de 2018, em mais uma das suas homilias (boa parte delas pode ler-se e ouvir-se na página da Capela do Rato).

Preferindo a estratégia do debate à ideia de aparecer publicamente a tomar determinadas posições, fosse na política ou na Igreja, Tolentino guardava opiniões mais específicas para grupos ou amigos mais próximos. Preferia desafiar os crentes a aproximar-se da realidade de modo a não ficarem apenas a ver, dizia numa homilia de Fevereiro de 2017, antes “estando dentro, sujando as mãos”. A fé cristã “não pode ficar uma realidade abstrata ou uma zona de conforto tão íntima, tão nossa, tão pessoal, tão privada que deixe de exercer um poder transformador”, acrescentava.

 

O cristianismo perde, sem uma inscrição à esquerda

O próprio não enjeitava, apesar dessas distâncias que quase sempre mantinha, tomar partido em ocasiões específicas. Em 1992, recordava o DN no passado dia 7 de Setembro, o então jovem padre subscreveu, com outros colegas – incluindo o actual líder do PCP-Madeira, Edgar Silva – o texto “Mais Democracia, Melhor Democracia”. O documento dos padres criticava a manifesta colagem do poder eclesiástico regional de então ao governo de Alberto João Jardim. Este não gostou e pressionou o bispo a dispersar os subversivos.

Já em 2017, Tolentino Mendonça participou num debate do Centro de Reflexão Cristã, sobre “Católicos à esquerda”. Criticou o “vazio” e a “ausência de actores que possam trazer para o interior do debate eclesial um conjunto de questões que normalmente, geneticamente, estão associadas à esquerda” – o que leva a “um fechamento da Igreja ou um alheamento da Igreja em relação ao debate público”. Apresentando Lourdes Pintasilgo ou Alfredo Bruto da Costa como referências suas, acrescentava: “O catolicismo, sem uma inscrição à esquerda, perde uma potencialidade profética que lhe é absolutamente indispensável.”

Também não recusava dar o seu apoio a pessoas contestadas em alguns sectores do catolicismo. No final de Maio de 2018, o ainda padre Tolentino apresentou o livro A Religião dos Portugueses, de frei Bento Domingues, que considera “um grande artesão da teologia”, com um “saber fazer verdadeiramente incontornável”, e que escrevera um livro “absolutamente marcante na produção teológica em Portugal”.

Antes, em 2013, já vice-reitor da Universidade Católica, prefaciara a edição portuguesa de A Teologia Feminista na História, livro de Teresa Forcades, freira espanhola muito polémica, que mereceu mesmo críticas públicas de um bispo, na altura da sua vinda a Portugal. “Há muito silenciamento, há demasiada vida submersa, há uma repressão cultural que faz com que a história, na sua versão dominante, oculte o que a questiona e move noutras direcções”, escrevia Tolentino Mendonça no texto.

Tradutor de livros bíblicos, estudioso do texto sagrado, Tolentino fixou também o texto da primeira tradução da Bíblia em português, feita pelo protestante João Ferreira d’Almeida. Em A Leitura Infinita, um conjunto de estudos sobre a Bíblia que é também uma das suas opera magna, entre muitos outros temas, Tolentino Mendonça escreve acerca da sexualidade, que ela é olhada pela Bíblia “como um território privilegiado de descoberta e de construção do humano.” E que ler a Bíblia “na pluralidade das traduções, das tradições, até mesmo das traições” é fazer a “observação de um infinito” que possibilita “ampliar ainda os arquivos do espanto”.

O cardeal bibliotecário e responsável do Arquivo do Vaticano pode ajudar a “ampliar os arquivos do espanto”.

 

(Este texto foi originalmente publicado na revista Visão de 3 de Outubro de 2019)

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