Modos de envelhecer (24)

“A convicção de ter cumprido uma missão pessoal e socialmente relevante”

| 8 Jul 2024

 Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.

O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o vigésimo quarto depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Um vínculo positivo com o futuro: acreditar que, esgotada a vida do corpo, o meu espírito/alma/identidade permanecerá existindo numa outra forma de vida, no quadro da esperança alicerçada na fé cristã que professo.” Foto © Angelo Abear / Unsplash (transformada)

 

Sérgio, 76 anos

Tenho 76 anos. Deixei de ter atividade profissional aos 73 anos. Estou procurando que o meu tempo de “envelhecimento” assente em três pilares estruturais:

– Um vínculo positivo com o passado: a convicção de ter cumprido uma missão pessoal e socialmente relevante, um sentimento de satisfação pelo que consegui realizar; a ideia de ter deixado um rasto positivo por onde passei: na família em que nasci, na família que criei, nas organizações onde trabalhei, nos textos que publiquei, no pedaço de terra que cultivei, nas árvores que plantei, nos muros de pedra que ergui.

– Um vínculo positivo com o presente: aceitar com naturalidade a perda do impacto e notoriedade social e do sentimento de realização, de autoestima e de reconhecimento associados às atividades profissionais anteriores; realizar e dar valor às humildes atividades do dia a dia: cuidar da casa, das roupas, da alimentação, do jardim, da horta, do pomar, da floresta, cuidar da saúde, apoiar a família, conviver com os amigos, ler, cantar, passear, … e estar atento a novas necessidades/oportunidades.

– Um vínculo positivo com o futuro: acreditar que, esgotada a vida do corpo, o meu espírito/alma/identidade permanecerá existindo numa outra forma de vida, no quadro da esperança alicerçada na fé cristã que professo.

 

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