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A ecologia integral de Leonardo Boff e as encíclicas do Papa Francisco

| 22/01/2021

Leonardo Boff

Foto: Bruno Alencastro. Aula pública em defesa da democracia com Leonardo Boff, Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul / Wikimedia Commons

 

Na apresentação online do seu mais recente livro Una ecología integral – Por una eco-educación sostenible, em meados de dezembro do 2020, Leonardo Boff, teólogo e filosofo, confirmou o que já antes se tinha noticiado: as encíclicas do Papa Francisco, Louvado Sejas e Todos Irmãos, foram forjadas também com o contributo de Boff, que enviou ao Papa diversos textos. E de facto quem leu o seu livro Sustentabilidade, publicado no Brasil em 2012, sente ao ler aquelas encíclicas o tom quer desse livro, quer da Carta da Terra, de que Boff faz parte.

Doutorado em Filosofia e Teologia foi ordenado presbítero e era membro da Ordem dos Franciscanos Menores. Em 1985 foi reduzido ao silêncio pela Congregação da Doutrina da Fé, presidida pelo que viria a ser o papa Bento XVI.

Professor brilhante, em 1992 deixou o ministério sacerdotal e a ordem de que fazia parte, e com outros teólogos veio a ser um dos grandes impulsionadores da Teologia da Libertação e das Comunidades Eclesiais de Base. Continuou o seu trabalho de evangelização e, agora, colaborou nas duas encíclicas do Papa Francisco, o que traduz duas certezas: uma, que foi reabilitado; outra, que as teses que defende não estão em desacordo com o pensamento da Igreja Católica romana. Daí, talvez, que as encíclicas, em Portugal, não têm sido escutadas.

O seu “livrinho” – como o refere Boff –, é uma edição de bolso, que contém o que sempre tem defendido sobre ecologia integral, e segue as linhas centrais das encíclicas referidas. Há a referir alguns dados importantes para a compreensão de todo o caminho seguido. Tem o cuidado de, no capítulo “Ecologia Ambiental”, salientar que “ecologia” deve ser definida como “o estudo das relações de todos os seres vivos e não vivos entre si e com o seu meio ambiente. Todos vivem na sua Casa Comum, que é a Terra, e juntos se ajudam mutuamente para se alimentar, reproduzir e evoluírem. O chamado meio ambiente que, na verdade, é o ambiente completo porque abarca todos os seres vivos e suas relações”. Sendo um diálogo, a ecologia abarca uma resposta à crise que se abate sobre a biosfera e é constituída pelo diálogo de todas as variáveis ambientais, económicas, sociais e culturais, diz.

Em semelhante sentido, o teólogo, ex-padre, refere aquilo que chama uma “Ecologia Mental”, onde defende o “cultivo da espiritualidade”, não como “um monopólio das religiões, mas sim como pertencendo a uma dimensão profunda do ser humano” e “cada vez que se pergunta donde venho, para onde vou, que posso esperar, cada vez que se sente que por trás de todas as coisas existe uma energia misteriosa e amorosa que une e reúne tudo em grande harmonia e dá sentido à vida, incluindo para além da morte, cada vez que se vive esta dimensão, estamos a alimentar  a espiritualidade de cada um”, que se expressa através do amor, do cuidado, da compaixão, da aceitação do outro e da esperança”.

Porque a ecologia integral vai mais além da ecologia ambiental, política, social e mental, económica, social ou cultural, este pequeno livro deve constituir motivo da nossa leitura e reflexão, tando mais que estamos no tempo, de 18 a 25 de janeiro, da oração pela unidade dos cristãos. Ora, este livro é verdadeiramente ecuménico.

 

Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental

 

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