Voluntários do GEscuta são autores

“A escuta que cura”: uma série de textos no 7MARGENS

| 1 Jun 2024

ajudar, escutar, solidariedade foto pixabay

“Apesar de estarmos aparentemente cada vez mais rodeados de pessoas, nunca estivemos tão sós”. Foto © Pixabay

“Vivemos numa época em que proliferam as redes sociais e se têm centenas, para não dizer milhares, de ‘amigos’” mas, “apesar de estarmos aparentemente cada vez mais rodeados de pessoas, nunca estivemos tão sós”. A afirmação de Sandra Chaves Costa, voluntária e coordenadora do GEscuta (Gabinete de Escuta), dá o contexto para a série de artigos que, a partir deste domingo, o 7MARGENS publicará, da autoria de diversos voluntários do GEscuta, de Lisboa.

A solidão é precisamente um dos temas a abordar nesta série; tal como a ideia de que cuidar de si mesmo é o primeiro passo para melhor cuidar dos outros. Este será, aliás, o primeiro texto, que será publicado neste domingo.

“Quantos têm 500 ‘amigos’ e depois não têm ninguém que os escute?”, pergunta Sandra Chaves Costa, que é também mestre em Counselling. “Vivemos numa apologia da felicidade, em que as tristezas e as angústias não têm espaço, são escondidas por não serem atraentes”, acrescenta a coordenadora do GEscuta. Por isso, “ter alguém que nos escute é ter alguém que nos dá protagonismo, que valida a nossa existência, a nossa humanidade, com tudo o que ela contém, luz e sombra”.

A escuta que cura – título que damos à série – será também o tema de um dos textos, que publicaremos no primeiro domingo de cada mês, até Dezembro, inclusive. “O ritmo frenético da nossa sociedade e a auto-referencialidade dos nossos dias anestesiam-nos e como que promovem a apatia com que olhamos e escutamos o sofrimento alheio”, explica ainda Sandra Chaves Costa. “Basta olhar para a vulnerabilidade e fragilidade que nos rodeiam para perceber que a escuta é uma verdadeira necessidade social.”

É enorme o poder da escuta no meio da fragilidade e do sofrimento, acrescenta a responsável do GEscuta. O sofrimento – o que é, que tipos podemos identificar ou quando se deve procurar ajuda – e situações específicas como o que se deve ou não deve fazer quando se apoia alguém em luto estarão também entre os temas a abordar nesta série. Mas o GEscuta tenta responder também a outras circunstâncias de fragilidade, desde que não configurem psicopatologia; Sandra Chaves Costa exemplifica com a doença, a solidão, o luto, o desemprego, a falta de rendimento escolar ou profissional, o mau relacionamento com os outros ou consigo mesmo, a ausência de sentido para a vida, ou a desesperança, entre outras possíveis situações.

 

Nem confessionário nem consultório

O GEscuta não é, contudo, nem um confessionário nem um gabinete de psicologia, sublinha a responsável. “Nem tão pouco existe para dar conselhos ou opiniões”. Antes responde à identificação da necessidade de alguém se sentir escutado e à “vontade de apoiar qualquer pessoa perante qualquer experiência de sofrimento ou vulnerabilidade”.

O GEscuta conta actualmente com três gabinetes em zonas geográficas complementares da área de Lisboa: São Mamede, Centro Comercial Colombo e Nova Oeiras. Desde o seu início, em 25 de Novembro de 2016, e até ao final de 2023, foi já contactado por mais de 600 pessoas e acompanhou 397 em 1606 atendimentos.

“Pode dizer-se que a escuta quebra a solidão e a exclusão e satisfaz a necessidade de uma pessoa se sentir reconhecida e viva.” E “permitir a alguém em situação de crise desabafar num clima de compreensão e ausência de julgamento faz com que a pessoa se explore, se ordene interiormente e se sinta valorizada e digna de respeito”, diz Sandra Chaves Costa. “Em conjunto, estas dinâmicas promovem um movimento interior, uma mudança, que é altamente terapêutica. Escutar é mesmo uma arte que se reveste de um enorme poder terapêutico.” Carl Rogers, um dos pais da psicologia humanista, dizia “Se um ser humano te escutar, estarás salvo como pessoa”.

No trabalho dos voluntários, que têm formação específica para o efeito, começa por se identificar a necessidade, de modo a prestar o apoio psico-emocional necessário, através do método de Relação de Ajuda, que se fundamenta nos conceitos da Psicologia Humanista. Esse método pretende acompanhar a pessoa de modo a que ela se faça responsável pela sua própria vida, “de acordo com os seus próprios recursos e limites, de forma a ser capaz de enfrentar o seu problema ou conseguir viver de forma saudável o que não pode ser mudado”.  A pessoa que escuta, por seu lado, “ajuda a outra a ter uma melhor compreensão de si própria e a encontrar as suas próprias soluções”.

O método de Relação de Ajuda e a dimensão espiritual da pessoa humana serão outros temas dos artigos. Depois do primeiro, neste dia 2 de Junho, os textos seguintes serão publicados nos dias 7 de Julho, 4 de Agosto, 1 de Setembro, 6 de Outubro, 3 de Novembro e 1 de Dezembro.

 

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