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A geração perdida de Aberfan

Memorial do Desastre de Aberfan. Foto © Llywelyn2000 Wikimedia Commons

 

Outubro significa a chegada de uma variedade de acontecimentos. Alunos começam as suas primeiras aulas e entregam os primeiros trabalhos. Uns mais festivos preparam-se para o Halloween e outros, mais apressados, aprontam-se para o Natal. As primeiras fotos com cores de Outono começam a aparecer nas redes sociais, tal como a comida e as bebidas quentes. Outubro no País de Gales é, em muitos aspetos, semelhante ao resto do mundo e não escapa a estes acontecimentos.

Infelizmente, para muitos galeses, outubro no seu país significa também relembrar o desastre de Aberfan. Aberfan é uma terra dos vales galeses como qualquer outra: uma série de casas e estabelecimentos que se encontram entre duas montanhas com o ocasional rio a separá-las. Tem um parque, supermercado, pub, correios e cemitério. No dia 21 de outubro de 1966, o cemitério de Aberfan acolheu mais vidas do que merecia.

Nas primeiras três semanas de outubro de 66, nesta terra mineira, choveu em proporções acima do normal, sendo que metade dessa precipitação ocorreu durante a terceira semana. Ao longo do vale, encontram-se vários locais onde são empilhados montes de carvão proveniente das minas que, num dia bom, seria considerado algo de muito valor (até o petróleo entrar na concorrência). Na noite de 20 para 21, um dos vários montes de carvão colapsou sobre si mesmo, devido à chuva excessiva, abrindo um buraco de 3 metros na montanha, num local que se encontrava a vários metros acima da escola local.

Na manhã seguinte, este acidente foi descoberto pelos primeiros mineiros e estes perceberam que o local estava demasiado instável para se aguentar em pé. Devido à falta de telefones na montanha, os mineiros apressaram-se a descer para avisar os seus chefes que o local estava à beira do colapso.

Apesar dos esforços dos trabalhadores, todo o local de armazenamento de carvão acabou por colapsar duas horas depois de o primeiro buraco ser descoberto. A terra e carvão misturados com toda a água da chuva, causaram uma avalanche que acabou por destruir a escola, matando 144 pessoas – das quais 116 eram crianças – que tinham entrado para as suas aulas nem há dez minutos.

Um acontecimento trágico, cujas consequências foram ainda piores. Um pedaço da história britânica que recomendo a todos a pesquisar. Para os que gostam de uma pesquisa mais visual, o acontecimento foi retratado na série The Crown de forma mais apelativa.

Aberfan encontra-se a uns 20 minutos de carro do lugar onde me encontro, no Vale de Glamorgan. Este seria o ano em que, pela primeira vez, iria visitar o local da tragédia e assim prestar a minha homenagem aos que dela foram vítimas, mas, devido à situação que se vive, tive de adiar os planos. Faço-o aqui, ao partilhar a história e relembrando todas as vidas que se perderam, agora referidas como “a geração perdida de Aberfan”. Que todos eles tenham encontrado a sua paz depois de uma morte tão imerecida.

“A geração perdida de Aberfan”. Memorial do Desastre de Aberfan. Foto © Nick Wikimedia Commons

 

Filipe Serrazina é estudante na University of South Wales, Cardiff, País de Gales, em busca de uma licenciatura em Engenharia Informática e de explorar um país que tem tanto para ver.

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