A Igreja silenciada em 2020

| 12 Jan 2021

Fátima, 13 Maio 2020. Peregrinação pandemia

Santuário de Fátima (quase) vazio, a 13 de maio de 2020: “A ausência da dimensão religiosa nos balanços de 2020 deveria levar a Igreja em Portugal a refletir sobre a sua aparente irrelevância mediática. Foto Joaquim Franco, cedida pelo autor

 

Cada início de um novo ano é uma oportunidade para fazer o balanço do anterior e dele retirar ensinamentos para lançar o próximo.

O ano de 2020 fica marcado pela pandemia que se espalhou pelo mundo. O vírus foi identificado em 2019, por isso a doença recebeu o nome de covid-19. Os seus efeitos, contudo, fizeram-se sentir sobretudo em 2020. Este foi também o ano em que começou a vacinação, embora fique para os seguintes a resolução da mais grave crise sanitária, económica e social que já assolou a humanidade.

Por tudo isto, o balanço deste ano que findou terá sempre como pano de fundo, e como incontornável acontecimento, a pandemia. Neste contexto, não é de estranhar que tenham ganho relevância social durante o último ano os profissionais de saúde, os quais estiveram, como nos habituámos a ouvir, na linha da frente no combate à covid-19. Depois destes, toda a esperança do mundo foi depositada na comunidade científica e na descoberta da nova vacina, um feito conseguido em tempo recorde.

A política e o futebol quase passaram para segundo plano nos balanços de 2020, quando costumavam dominar o espaço mediático. Os políticos ainda mereceram algum destaque pela forma ajustada, ou não, como combateram a pandemia.

Os acontecimentos eclesiais, esses, foram ofuscados pelos efeitos da pandemia e quase não aparecem em muitos dos balanços de 2020 – por ignorância ou por falta de memória dos média. Há, contudo, acontecimentos incontornáveis, como a imagem do Papa Francisco, só, no dia 27 de março, a subir a Praça de S. Pedro para o momento extraordinário de oração.

2020 foi também o ano em que o Papa publicou a exortação apostólica Querida Amazónia e a encíclica Fratelli Tutti. A primeira foi uma verdadeira declaração de amor àquela parte do globo e um sublinhado das suas preocupações ecológicas. A encíclica é uma síntese de todo o seu magistério e, sobretudo, do seu pensamento social. É mais uma publicação em que o Papa realça que a opção preferencial da Igreja deve ser pelos mais pobres.

Em Portugal, tal como no mundo, a Igreja mobilizou-se na luta contra a pandemia. Suspendeu o culto ainda antes de ser decretado o Estado de Emergência. Esteve ao lado dos mais pobres, apesar das graves dificuldades económicas que os seus organismos e as suas IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social] enfrentaram e enfrentam.

Os “pobres são o centro do Evangelho”, recordava o Papa há dias no tradicional discurso à Cúria Romana para as felicitações natalícias. Referiu então, de memória, uma frase do bispo brasileiro D. Hélder Câmara: “Quando me ocupo dos pobres, dizem de mim que sou um santo; mas, quando me pergunto e lhes pergunto: ‘Porquê tanta pobreza?’, chamam-me comunista.”

Não basta acorrer às necessidades dos que sofrem. Mesmo correndo o risco de ser chamado comunista, é preciso identificar as causas desse sofrimento, denunciá-las e combatê-las.

A ausência da dimensão religiosa nos balanços de 2020 deveria levar a Igreja em Portugal a refletir sobre a sua aparente irrelevância mediática. Essa reflexão é indispensável para que a Igreja possa encontrar formas de melhor fazer passar a sua mensagem. Esta – como diz o Papa – deverá centrar-se na defesa dos mais desfavorecidos da sociedade, os grandes afetados pela covid-19.

 

Fernando Calado Rodrigues é padre católico da diocese de Bragança-Miranda; este texto é publicado também no jornal Mensageiro de Bragança.

 

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