A imagem de Jesus ou a pedagogia do amor

| 7 Jul 20

Fachada sudoeste da catedral da Cantuária

 

Jesus era negro, mulato, mestiço, cor de tuaregue, certamente não era branco. Este é um facto que não devemos esquecer, apesar das imagens e iconografias tentarem apagar este dado.

Na verdade, todos os cristãos sentimos Jesus como nosso, todas as culturas sentem Cristo como seu e representam-no conforme as suas tradições e conforme a sua cor da pele.

Há imagens de Jesus Cristo com pele muito escura, negra, como há imagens de Jesus com traços arianos. Todavia, há correntes, que não posso julgar e consigo compreender, que entendem ser racista representar Jesus mudando a cor como ele veio ao mundo, da cor que ele era, e não caucasiano.

Para os cristãos, Jesus é muito importante: por ser quem era, o filho de Deus vivo. Mas estas realidades que reflectem Cristo para os seus seguidores são imateriais, realidades não físicas, não palpáveis. Fisicamente Jesus era da cor das pessoas no Médio Oriente.

Representar Jesus com a forma física real como ele veio ao mundo é, inclusivamente, educativo, pedagógico, incute sentimentos antirracistas. Quem tem Cristo no coração, basta olhar para uma dessas representações de Jesus e ver: esta pessoa que eu tanto amo é negra e o meu amor pela sua pessoa é o mesmo; o que ele representa para o mundo mantém-se, somos todos iguais e todos povo de Deus.

Em entrevista à BBC Radio 4, o arcebispo de Cantuária, Justin Welby, primaz da Comunhão Anglicana no mundo, afirmou, tendo em conta os movimentos anticolonialistas e as recentes destruições de estátuas, que a Igreja deve repensar a imagem de Jesus Cristo como um homem branco; e que tanto a catedral de Cantuária como a abadia de Westminster está a fazê-lo cuidadosamente: algumas serão removidas e outras o nome será alterado.

Ainda assim afirma: “Há alternativas à remoção das estátuas ligadas ao colonialismo e à escravatura, pode haver perdão. Eu espero e rezo para que todos nos unamos, mas só se houver justiça”.

 

Catarina Sá Couto é missionária leiga da Igreja Lusitana – Comunhão Anglicana, “jovem líder” da Carta da Terra e representante em Portugal dos Green Anglicans – Rede Lusófona

 

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