O mês de Ramadão é um período sagrado para os muçulmanos, marcado não só pela abstenção de comida e bebida, mas sobretudo pela profunda renovação espiritual e moral. Para a mulher muçulmana, este tempo reveste-se de um significado especial, onde o jejum contribui para o desenvolvimento de várias dimensões da vida, tanto interior como exterior.
Num primeiro plano, o jejum é uma prática que fortalece o taqwa, termo que se traduz na consciência e temor de Deus. Ao abster-se de prazeres mundanos, a mulher muçulmana é convidada a manter a sua mente focada na espiritualidade e na busca por uma relação mais próxima com o Criador. Esta prática não só promove a disciplina interior, mas também serve de uma chamada de atenção constante da importância dos valores éticos e morais.
A renovação do imaan – a fé – é outro objetivo central do Ramadão. Durante este mês, as orações, a leitura do Alcorão e a introspecção ajudam a reforçar e revitalizar a crença. Este processo de renovação não é apenas um exercício de fé, mas também uma oportunidade para repensar a própria conduta e alinhar a vida quotidiana com os ensinamentos islâmicos.
Além dos benefícios espirituais, o jejum também tem um impacto no comportamento e na postura da mulher. A prática do jejum incentiva o melhoramento da postura física e mental, que se reflete na forma como se apresenta e interage com os outros. Esta postura renovada é acompanhada por uma atenção especial à vestimenta e à modéstia – elementos que são fundamentais na identidade islâmica. Ao vestir-se de forma modesta, a mulher não só protege a sua dignidade, como também transmite uma mensagem de respeito e humildade, reforçando o olhar para o outro de forma mais empática e cuidadosa.
Porquê jejuar hoje?

“Jejuar é uma forma de purificar o corpo e a mente, de cultivar a disciplina e de aprofundar a relação com o Divino através do desenvolvimento do taqwa.” Lanterna alusiva ao Ramadão, foto Baramyou0708
O jejum do Ramadão é uma prática que remonta há mais de 1446 anos e encontra as suas raízes diretamente no Alcorão, nomeadamente na Surah Al-Baqarah (A Vaca), onde está ordenado: “Ó crentes! Foi-vos prescrito o jejum, como foi prescrito aos vossos antepassados, para que possais tornar-vos piedosos.” (Capítulo 2, versículo 183).
Esta ordem sublinha o caráter intemporal e fundamental do jejum dentro da tradição islâmica.
Jejuar é uma forma de purificar o corpo e a mente, de cultivar a disciplina e de aprofundar a relação com o Divino através do desenvolvimento do taqwa. Ao renunciar aos prazeres mundanos e às necessidades imediatas, a mulher muçulmana tem a oportunidade de refletir sobre a sua existência, reconhecer as suas limitações e aproximar-se de Deus. Este exercício de abnegação é uma renovação constante dos valores espirituais e morais que fundamentam a fé islâmica.
Para quê jejuar hoje?
Num mundo contemporâneo repleto de excessos e distrações, o jejum continua a ser uma ferramenta poderosa para a renovação do imaan e para o equilíbrio entre a vida material e espiritual. Ao proporcionar uma pausa na rotina quotidiana, o jejum permite a introspecção, o autoconhecimento, autocontrole e a reavaliação das prioridades. Serve, também, para reforçar a identidade através da prática da modéstia, do comportamento ético e da humildade, promovendo um olhar mais compassivo e empático para com o outro. Assim, o jejum transcende o mero ato físico, mantendo a sua relevância como instrumento de transformação integral que une tradição e prática atual.
Em suma, o jejum durante o mês de Ramadão é um instrumento de transformação integral, que abrange o fortalecimento do taqwa, a renovação do imaan e o aperfeiçoamento da postura e do comportamento. Para a mulher muçulmana, esta prática promove uma harmonia entre a espiritualidade e a vida quotidiana, permitindo-lhe viver os preceitos do Islão com mais profundidade e autenticidade.
21 de março de 2025
21 de Ramadão de 1446
Aisha Sacoor
(Foto de Destaque: Iftar, Ramadão. Foto: Levgenii Meyer)










