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A irmã Ann ajoelhou de novo para a polícia não disparar sobre os jovens birmaneses

| 09/03/2021

Irmã Ann Rosa Nu Tawng, da Birmânoa, ajoelha diante de polícias, para evitar que estes disparem sobre manifestantes que protestam contra golpe de estado miilitar. Foto captada de vídeo do YouTube.

 

A irmã Ann Rosa Nu Tawng, cuja imagem icónica deu a volta ao mundo quando se ajoelhou diante de militares birmaneses interpondo-se entre eles e manifestantes, voltou a repetir o gesto nesta terça-feira, dia 9, diante de vários polícias, alguns dos quais também acabaram por se ajoelhar, numa atitude de solidariedade e empatia.

“Esta é uma Quaresma especial para nós cristãos” na Birmânia, disse a religiosa, citada no L’Osservatore Romano. “É nossa tarefa pregar e testemunhar a escolha da não-violência evangélica, a nossa missão é proclamar e viver plenamente o amor de Cristo, mesmo em relação ao inimigo”, disse ela, explicando os seus gestos que tentam impedir que militares ou polícias disparem sobre os manifestantes que continuam a protestar nas ruas do país, contra o golpe de Estado de dia 1 de Fevereiro.

“Disse-lhes [aos polícias] que não saía enquanto eles não fossem embora, e pedi-lhes para não dispararem sobre os jovens, dizia a irmã Ann Rosa, no vídeo que pode ser visto a seguir:

 

O mesmo gesto tem sido repetido, diz o jornal oficial da Santa Sé, por vários religiosos, padres e alguns bispos, apesar de os católicos serem cerca de 800 mil num país com 53 milhões de pessoas. O único propósito é “salvar vidas jovens, enquanto o exército birmanês tem implementado uma onda de repressão cada vez mais forte, vários meios de comunicação social têm sido silenciados e teme-se que, a qualquer momento, a junta possa chamar um recolher obrigatório para bloquear todas as formas de protesto”, acrescenta o jornal do Vaticano.

Nas cidades de Myitkyina e Loikaw, a intervenção dos e das religiosas já impediu massacres, diz a mesma fonte, mas dois jovens foram mortos, além de ter havido muitos feridos e detidos.

“Temos medo de que os agentes da polícia matem os jovens manifestantes. A nossa presença como pessoas de fé, pacificadoras, pode ajudar a fazê-las desistir. É por isso que estamos aqui na rua”, dizem as irmãs católicas de Myitkyina, uma cidade no norte do país, capital do Estado de Kachin, onde os cristãos constituem cerca de 30% da população.

Nessa cidade, conta ainda o jornal, vários jovens refugiaram-se na catedral católica para evitar serem espancados ou presos, mas os militares dispararam contra os manifestantes desarmados. A catedral acabou cercada pelos militares e 90 manifestantes foram detidos.

Um episódio semelhante repetiu-se em Loikaw, capital do estado birmanês de Kayah, onde o catolicismo está presente desde o final do século XIX, representando 90% da população. Centenas de jovens manifestantes marcharam, também nesta terça-feira, na estrada que leva à catedral, entretanto bloqueada pela polícia.

O padre católico Celso Ba Shwe, e um pastor protestante, colocaram-se entretanto entre os manifestantes e a polícia, identificados com as vestes brancas e implorando aos agentes que parassem e não disparassem sobre os manifestantes. “Vamos convencê-los a ir para casa. Dê-nos algum tempo. Não queremos que o sangue banhe a nossa terra”, pediu o padre para evitar confrontos. Após momentos de alta tensão, os militares dispararam tiros de aviso e atiraram granadas ensurdecedoras para dispersar a multidão. Não houve vítimas, mas, na Birmânia, o povo não desiste de protestar contra o roubo que os militares fizeram da democracia e a mordaça que lhes querem impor.

 

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