“A Lista do Padre Carreira” numa reportagem 7MARGENS/TVI com documentos inéditos

| 28 Mai 2023

Padre Joaquim Carreira na altura em que foi reitor do Colégio Português de Roma. Foto: Direitos reservados

Padre Joaquim Carreira na altura em que foi reitor do Colégio Português de Roma. Foto: Direitos reservados

A Lista do Padre Carreira é o título da reportagem televisiva sobre Joaquim Carreira, o reitor do Colégio Pontifício Português de Roma que, durante o ano lectivo 1943-44, deu refúgio e abrigo a meia centena de perseguidos, antifascistas, judeus e outros resistentes à ocupação nazi-fascista da capital italiana. A reportagem, uma parceria entre o 7MARGENS e a TVI/CNN-Portugal (com o jornalista Joaquim Franco como co-autor), passa na próxima quarta-feira, 31, no Jornal Nacional daquela estação televisiva e nela serão revelados documentos inéditos.

A reportagem acompanha, 79 anos depois, o regresso de Luigi Priolo, o último refugiado ainda vivo, ao edifício onde esteve durante vários meses e onde aprendeu a jogar à sueca com os padres portugueses que ali viviam. “Era a pessoa mais extraordinária que alguma vez conheci”, dizia Priolo em Roma, em Novembro do ano passado, numa das imagens que aparece na reportagem. “Porque para fazer aquilo que ele fez, a ajuda que deu aos outros, tem de se ter uma coragem infinita. Porque os nossos ‘amigos’ alemães não brincavam…”

Além das pessoas que salvou na casa que dirigia (o Colégio Português é a casa onde se alojam os padres portugueses que vão estudar para Roma), o padre Carreira ajudou a esconder mais cerca de centena e meia de mulheres e crianças em casas religiosas femininas. O que significa que terá ajudado a salvar pelo menos cerca de duas centenas de pessoas.

Em 2014, o Yad Vashem – Centro Mundial para a Memória do Holocausto, de Jerusalém, reconheceu a acção do padre Carreira, atribuindo-lhe o título de “Justo Entre as Nações”, que distingue as pessoas que, durante a Segunda Guerra Mundial, salvaram vias de judeus arriscando as suas vidas e sem esperar qualquer recompensa. Por ocasião da entrega da medalha de “Justo”, em Abril de 2015 na Sinagoga de Lisboa, a Assembleia da República aprovou um voto de louvor aquele que se tornou o quarto “Justo” português – a par dos diplomatas Aristides de Sousa Mendes (Bordéus) e Carlos Sampaio Garrido (Budapeste) e do operário José Brito Mendes, emigrante em França, que acolheu uma criança judia.

 

Centenas de documentos
Padre Joaquim Carreira na altura em que foi reitor do Colégio Português de Roma. Foto: Direitos reservados

Elio Cittone, cujo testemunho permitiu ao Yad Vashem declarar o padre Joaquim Carreira como “Justo Entre as Nações”. Foto © Direitos reservados.

 Foi no final do ano lectivo de 1944 que Joaquim Carreira escreveu o relatório escolar da instituição, onde incluiu uma lista de nomes das pessoas a quem concedera “asilo e hospitalidade” por serem “perseguidas na base de leis injustas e desumanas.” Uma decisão que o levou a tomar um “maior contacto com as misérias, as dores e as tragédias em consequência da guerra”.

Para a realização da reportagem, os jornalistas consultaram centenas de documentos em arquivos no Vaticano, Roma, Leiria, Fátima e Lisboa, falaram com pessoas que conheceram de perto o padre Carreira, entrevistaram diplomatas e historiadores – como o ex-ministro italiano da Cooperação Internacional e fundador da Comunidade de Sant’Egidio, Andrea Riccardi.

Entre todos os que conheceram Joaquim Carreira, incluindo o seu sobrinho, o também padre João Carreira Mónico, é unânime a ideia de que o antigo reitor do Colégio de Roma quase nunca se referiu ao que fizera durante o Guerra. No entanto, dezenas de cartas dos refugiados, guardadas no arquivo do Colégio, são testemunhas directas da gratidão dos refugiados para com o jovem padre nascido em 8 de Setembro de 1908 no lugar de Souto de Cima, da freguesia da Caranguejeira (Leiria), filho de Inácia e (também) Joaquim Carreira. O padre português morreu em 7 de Dezembro de 1981 em Roma e 20 anos depois o corpo foi trasladado para a Caranguejeira, com a urna a ser acompanhada pelo sobrinho, o padre João Mónico.

A reportagem inclui ainda música ao vivo – incluindo temas inéditos –, gravada em Lisboa no Dia em Memória das Vítimas do Holocausto (27 de Janeiro último). Entre os músicos, está o guitarrista Anton Giulio Priolo e a violinista Elisa Eleonora Papandrea, filho e nora de Luigi Priolo.

Então com 14 anos, Priolo era o mais novo dos refugiados – mas com ele conviveu também o judeu, Elio Cittone, então com 16 anos, que no Colégio foi acolhido por algumas semanas, juntamente com o pai e o tio. Elio morreu em 2015 e foi o seu testemunho que permitiu ao Yad Vashem declarar Carreira como Justo Entre as Nações. A sobrinha de Elio, Renata Ergas, é outra das entrevistadas.

 

Mais de mil deportações num só dia

Luigi Priolo no regresso ao edifício do Colégio Português, 79 anos depois. Imagem da reportagem “A Lista do Padre Carreira”

 

Filho do autarca socialista de Reggio Calabria, no sul de Itália, Luigi Priolo foi enviado para Roma para fugir aos bombardeamentos que se sucederam ao início da invasão de Itália pelos Aliados. “Eu só andava no interior” do edifício, recorda Priolo, que chegou a ser secretário-geral adjunto do Senado italiano, em cujo lugar conheceu todos os políticos italianos do pós-guerra. “Era proibido aproximarmo-nos da janela. Não o podíamos fazer, senão podiam logo encontrar-nos.”

A deportação de judeus de Milão e Roma para Auschwitz – num só dia, dos 13 mil judeus da capital italiana, mais de mil foram levados da capital italiana – é também recordada. E resume-se a polémica que subsiste entre historiadores, acerca do papel de Pio XII e do Vaticano no conflito, entrevistando ainda Silvia Haia Antonucci, responsável do Arquivo da Sinagoga de Roma, e Laura Brazzo, do Centro de Documentação Hebraica Contemporânea, de Milão.

Um terço dos 750 conventos e casas católicas da cidade esconderam naqueles meses mais de quatro mil judeus, cerca de um terço da comunidade. Mas os historiadores debatem se terá ou não havido responsabilidade pessoal de Pio XII nesse processo.

O Colégio Pontifício Português situava-se, durante esses anos, no Palácio Alberini, muito perto do Castel Sant’Angelo, em Roma. Hoje, funcionam no edifício os escritórios de uma multinacional da moda.

 

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