“A Longa Solidão” – Dorothy Day, uma mulher desinquietada por Deus

| 1 Mai 20

Dorothy Day Dorothy Day servindo sopa a dois franciscanos na casa do Catholic Worker em Detroit. Foto © Department of Special Collections and University Archives, Marquette University Libraries

 

O Céu é um banquete e a vida também é um banquete,
ainda que de côdeas duras,
um banquete em que existe companheirismo (…)
(Dorothy Day)

A beleza salvará o mundo
(Dostoievsky)

 

A autobiografia de Dorothy Day (1897-1980) intitulada A Longa Solidão, vinda a público em 1952, foi traduzida e publicada em Portugal, em 2019, pela editora Lucerna. Finalmente temos a versão portuguesa entre mãos. Os dias de confinamento deram-me tempo e disponibilidade para saborear de um trago a leitura desta autobiografia, o que também me levou a revisitar o livro de Jim Forest Tudo é Graça, traduzido e publicado em 2016 pela Paulinas Editora. Escrever esta reflexão ajuda-me a colocar alguma racionalidade e ordem nos sentimentos profundos que experimentei ao longo da leitura da autobiografia.

A minha identificação com Dorothy Day – essa grande Mulher chamada à santidade, com um processo de beatificação em curso iniciado pela diocese de Nova Iorque – data de há longos anos. Sou como ela uma mulher cristã leiga, participante de um movimento internacional de mulheres, o Graal. Dorothy Day atingiu um grau de espiritualidade absolutamente desafiador para mim, uma espiritualidade enraizada numa ação consistente e transformadora.

Ler esta autobiografia ajudou-me a entender melhor o percurso e a consistência da sua vida. Tudo isto nas suas próprias palavras e na percepção que foi tendo de si mesma.  Mulher desinquietada por Deus (ou inquieta de Deus…), quando ainda em sua vida se dizia que era “uma santa” ela, com o seu saudável sentido de humor, respondia: “Não quero ser afastada tão facilmente!”

Quando vivia no centro do Graal em Brooklyn, Nova Iorque (NYC), anos 80 do século passado) recebíamos o Catholic Worker, o jornal fundado por Dorothy Day (com Peter Maurin), no âmbito do movimento com o mesmo nome. Sentia-me inspirada ao percorrer as páginas do Jornal, não só por este demonstrar o que significava um catolicismo enraizado no “povo” – os operários e trabalhadores rurais, os desempregados, os pobres, os “descartados”, usando as palavras do Papa Francisco – mas, simultaneamente, pela beleza estética e qualidade gráfica das poderosas xilogravuras da autoria de uma mulher-artista, Ade Bethune.

O Papa Francisco, quando da sua visita a Nova Iorque, referiu-se desta forma a Dorothy Day: “O seu ativismo social, a sua paixão pela justiça e pela causa dos oprimidos foram inspirados pelo Evangelho, pela sua fé e pelo exemplo dos santos.”  Vim a descobrir que tinha outra afinidade com Dorothy: um conhecimento comum e devoção pelas grandes místicas Teresa de Ávila e Catarina de Sena. Após a sua adesão ao catolicismo, Dorothy deixou-se impregnar pela Bíblia, especificamente os Salmos, os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos e também pela A Imitação de Cristo de Kempis.

 

Dorothy Day. Capa A Longa Solidão

Uma descoberta fundadora

Cheguei a visitar uma das “casas de acolhimento” em NYC (Lower East Side), onde hoje se estende, cada vez maior, o conhecido bairro Chinatown. A descoberta de Dorothy Day foi para mim fundadora, porque encontrei, em pleno século XX, um exemplo a seguir. Como então trabalhava profissionalmente com famílias em risco em South Bronx – nos anos 1980 era considerado o pior gueto de Nova Iorque – para conseguir pagar alojamento e propinas na Universidade, encontrei na vida de Dorothy um verdadeiro guia orientador que me ajudou a encontrar beleza no meio da desolação que era o South Bronx.

A autobiografia refere ainda que as fundadoras do Graal nos Estados Unidos, as holandesas Lydwinne von Kersbergen e Joan Overboss, tiveram contacto com Dorothy Day, tendo esta visitado o centro do Graal em Graiville (Cincinatti, estado do Ohio). Trata-se de uma vasta quinta orgânica que, a nível nacional e internacional, proporcionou formação a gerações de jovens mulheres estudantes universitárias. Eram os conhecidos ”Semesters at Graiville” (creditados nas universidades) onde  se combinava uma vida de  trabalho (rural ou em oficinas), oração e contemplação, tarefas domésticas (incluindo fazer o pão ou mugir as vacas…), atividade artística e intelectual – ou individual (escultura, pintura, etc) ou de grupo (coro, dança, teatro, etc). A livraria de Grailville foi considerada, durante muito tempo, uma das melhores da área em temas de literatura religiosa e teologia/as, poesia, ensaio, romance, formação de mulheres e também de venda de artesanato de diferentes países.

Nascida no seio de uma família da classe média norte-americana, protestante mas não praticante, Dorothy Day estudou na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, a sul de Chicago. Pelos 18 anos autonomizou-se da família. Na pequena cidade universitária, “para ter dinheiro para comprar livros” com o que conseguia poupar, a troco de cama, mesa e roupa lavada, e conciliando com os seus estudos, fazia o serviço doméstico de uma família local, cuidando também das crianças. Assim escolheu viver desde muito cedo uma vida frugal e pobre, em troco da sua liberdade.

Apaixonou-se pela vida cultural da universidade e associou-se a vários grupos de estudantes que refletiam, intervinham e escreviam artigos para jornais locais. Nunca chegou a acabar a sua formação universitária porque cedo quis conhecer a vida na grande cidade de Nova Iorque, onde trabalhou em diferentes jornais e se foi deixando impregnar pelos ideais comunistas e socialistas radicais.

Dorothy Day Dorothy Day em Fevereiro de 1968 (Milwaukee Journal Photo). Foto © Department of Special Collections and University Archives, Marquette University Libraries

 
Pobre, para “tomar consciência do sofrimento dos pobres”

Vivia uma pobreza voluntária, identificando-se com os trabalhadores pobres e os operários. Era o tempo da Grande Depressão. Ávida leitora desde a adolescência encontrou nos grandes autores (bem como em outras obras de arte) inspiração e sentido para o que fazia: Dostoievsky (os Irmãos Karamazov), Tolstoi, Maximo Gorki. Victor Hugo, Sinclair, Charles Dickens, Tchekov tornaram-se os grandes referentes da sua vida intelectual e social. Koprotkin, cientista e aristocrata russo que se tornou revolucionário fê-la, nas suas palavras, “tomar consciência do sofrimento dos pobres”.

Tornou-se jornalista e depois sufragista, militante sindical, ecologista, escrevendo peças sociais e políticas para os jornais. Mais tarde, aproximando-se da Igreja Católica, foi reconhecida como uma importante ativista católica, que defendia a objeção de consciência, o pacifismo e o antinuclear.  Pugnou pelo ecumenismo não deixando de criticar a hierarquia católica por ter sido conivente com a guerra civil de Espanha e, mais tarde, com a guerra do Vietname. Afirma um dos seus biógrafos que “procurava respostas para as grandes questões: como devemos viver esta vida, onde, de que maneira e com que propósito?”

Apesar de Dorothy Day ter quase sempre vivido em comunidades várias intitulou a sua autobiografia A Longa Solidão. Sistematicamente rodeada de pessoas – companheirismos a tantos níveis, como afirmava – que a influenciaram e a quem ela influenciou,   refere-se na sua autobiografia a grandes amizades: Peter Maurin (“com quem não me entendia a princípio”), um francês afastado da Igreja Católica institucional mas que era um asceta – um “professor nato e um poeta”, segundo ela – que “se tornou um visitante a tempo inteiro”, a iniciou no pensamento social da Igreja Católica e lhe apontou “o papel da Igreja no mundo”.

A criação do Catholic Worker foi resultado das amplas discussões entre ambos e levou ao movimento ligado a este jornal. Fundou aquilo que se pode considerar um movimento espiritual, com uma rede de casas de acolhimento (ou casas de hospitalidade) que abrangia todos os EUA (estendendo-se mais tarde ao Canadá e ao Reino Unido) e cujo propósito era – durante a Grande Depressão que se seguiu à Grande Guerra – alimentar os famintos e acolher os pobres, os vulneráveis, os doentes e os necessitados, no espírito das Obras de Misericórdia, quer temporais quer espirituais.

 

O primeiro desenho de Ade Bethune para o “Catholic Worker”, publicado em Março de 1934. Direitos reservados.

Prisões e greves de fome contra a guerra

Foi várias vezes presa e fez greve de fome na prisão: era considerada persona non grata pelo FBI por se manifestar contra a guerra do Vietname, tal como havia feito nos anos da II Guerra Mundial. Para além de Peter Maurin, outros amigos a acompanharam em diferentes fases da sua vida: Rayna, uma mulher judia que a acolheu generosamente em sua casa, ajudando-a financeiramente – “uma amizade límpida como um sino” –, Jacques e Raissa Maritain com quem estabeleceu correspondência, o dramaturgo Eugene O’Neill – “ele fez-me sentir uma grande presença de Deus”.

Viveu uma “relação infeliz” com o jornalista e enfermeiro Lionel Moise por quem se apaixonou num amor “desigual”, segundo ela, já que ele, um diletante bastante mais velho, nunca se quis comprometer verdadeiramente. Dorothy escreve que a maior tragédia da sua vida pessoal foi ver-se forçada a fazer um aborto depois de terminar essa relação.

Já atraída pelo catolicismo conta a sua descoberta da oração “numa pequena igreja, [foi] como um instinto cego, porque eu não tinha consciência de estar a rezar”. E explica: “eu sentia que o Homem precisava de adorar, que ele era mais verdadeiramente Homem quando se envolvia nesse ato” e “rezava porque isso me fazia feliz”.

Com o dinheiro que ganhou na Califórnia, onde viveu algum tempo fazendo guiões para filmes, comprou uma pequena casa-refúgio junto ao mar, em Staten Island, do outro lado do rio Hudson, onde passou longas épocas. Aí viveu com o companheiro Foster  Batterham, biólogo e ativista  social: “foram os quatro anos mais alegres da minha vida” conta ela. O nascimento da filha Tamar Teresa representou uma real “epifania”, uma experiência tão fundadora que, já inquieta a nível religioso, a levou a uma adesão formal ao catolicismo com o apoio de uma religiosa e de um padre que viviam perto.

Amava a liturgia, a solidão das igrejas enquanto espaço de oração. A sua adesão foi tão total que quis preparar-se para batizar a filha  e educá-la na fé católica. O seu companheiro Foster, um espírito livre e anarca, tinha uma grande antipatia pela religião organizada e não a quis acompanhar nesse percurso. Recusou-se sempre a casar com ela pela Igreja Católica. Segundo Dorothy, “Foster (…) só se tornava eloquente quando se zangava e a sua zanga, disse-me ele, era provocada pela minha absorção no sobrenatural, em vez de me absorver no natural, no invisível e não no visível”. Pouco a pouco foram-se afastando dolorosamente. Dorothy escolheu então ser mãe solteira – “desisti da minha vida de casada com o Forster” – e foi viver com a filha em NYC,  integrando Tamar no seu radical projeto de vida. Manteve, no entanto, uma longa e fiel amizade com Foster e nunca se desfez da sua casa-refúgio em Staten Island.

Dorothy Day Dorothy Day, cerca de 1940. Foto © Department of Special Collections and University Archives, Marquette University Libraries

 

O Catholic Worker e o “organismo vivo”

Cedo Dorothy começou a tomar consciência da necessidade de o homem ou mulher leigo/a agir independentemente da hierarquia da Igreja e de um modo conscientemente informado. Peter Maurin mantém-se uma figura intelectual e espiritual de referência para ela, que reconhece quão importante ele foi para a ajudar a clarificar o seu pensamento e as suas opções. Maurin afirmava: “queremos uma sociedade em que seja mais fácil para as pessoas serem boas” e Dorothy continua: “ele fazia-nos sentir que nós e todos os homens temos um coração grande e generoso com o qual podemos amar a Deus”. Era preciso “ver Cristo nos outros, amar o Cristo que vemos nos outros”. Foi então nessa fase (1933) que os dois fundaram o jornal Catholic Worker.

Dorothy sentiu-se profundamente realizada ao regressar ao jornalismo, escrevendo sobre os temas sociais e espirituais que a inquietavam. Peter Maurin também colaborava, mas a mulher de ação era ela: uma primeira edição de 2500 exemplares deu rapidamente origem a uma tiragem de 25 mil exemplares. Em 1936, a tiragem era de 150 mil exemplares. Dorothy viajava por todo o país divulgando o Catholic Worker em paróquias, organizações sindicais, escolas e, simultaneamente, ajudava na organização de casas de hospitalidade para os pobres e os desempregados.

Peter afirmava: “nós não somos uma organização, somos um organismo vivo. Dorothy dizia: “muitas vezes eu era cozinheira e empregada de limpeza, além de editora e vendedora de rua”. Inspirada por algumas das ideias de Peter, Dorothy fundou mais tarde as célebres comunas agrícolas (quintas orgânicas) em que famílias – muitas delas consideradas “problemáticas” – viviam em conjunto e trabalhavam a terra. Quando casou, Tamara Teresa integrou uma dessas comunas, tendo sido mãe de nove filhos. Dorothy tornou-se uma avó muito atenta.

Peter Maurin, 1930s Peter Maurin nos anos 1930. Foto © Department of Special Collections and University Archives, Marquette University Libraries

 

Dialogando com uma amiga – artista, professora e recém-convertida ao catolicismo – sobre a radicalidade da vida de Dorothy e a sua espiritualidade tão enraizada nessa mesma vida, recebo há dias a seguinte mensagem: “Fiquei a pensar na solidão de Dorothy e penso que não interpretaste bem o título do livro. É o que tu lês, está certo, mas não corresponde à solidão do íntimo dela. Não é, sequer, uma solidão existencial. É a solidão a que se chega depois de uma experiência de Deus avassaladora, sem eco no mundo imediato, onde só se pode viver para Deus e a fidelidade ao Seu Amor Infinito. E tudo é graça.”

Para Dorothy tudo era sacramento. Acreditava no Corpo Místico de Cristo e, consequentemente, na bondade das coisas, dos seres vivos, dos homens e mulheres… tudo era parte de Deus… Afirmava que o pecado, a doença e a morte eram os grandes responsáveis pela miséria humana: “não sentíamos que Cristo quisesse dizer que devíamos permanecer em silêncio perante a injustiça e aceitá-la”.

 

Incansável trabalho pela justiça, incansável busca de Deus

Nos primeiros números do Catholic Worker abordou tão variados assuntos como: mulheres e crianças na indústria, a disseminação do desemprego, greves dos fazendeiros e nos têxteis, trabalho infantil nestas mesmas indústrias, o trabalho negro nos diques do sul… “Na sexta edição do jornal já estávamos a combater o antissemitismo”.

De sublinhar como, da denúncia social de situações imediatas, os conteúdos do jornal iam abrangendo situações mundiais progressivamente mais amplas. Tudo estava ligado. Afirma Dorothy: “os nossos slogans eram extraídos dos textos dos Papas sobre as condições de trabalho”. E continua: “queríamos influenciar os católicos”, respondendo à constatação de que “quando se tratava da moral social e política, os católicos eram muitas vezes inconscientes”, isto é, não tinham consciência social, mas “quando se tratava da moral privada, os católicos brilhavam”.

Em contraponto, preconizava para os católicos como ela a aceitação da pobreza voluntária: “viver de acordo com a simplicidade do Evangelho significava que pedíamos aquilo de que tínhamos necessidade, e com isso dávamos aos ricos a oportunidade de se tornarem pobres por amor a Cristo”. Certo dia, na festa da Imaculada Conceição, escreve que oferece “uma oração especial, uma oração com lágrimas e angústia, pedindo para que algum caminho se abrisse para eu usar os talentos que possuía com os meus colegas de trabalho, pelos pobres”. Dorothy manteve a sua gratidão pelos comunistas “que me ajudaram a formar-me”. Intransigente nas suas convicções, Dorothy era uma radical (da palavra raíz).

Dorothy Day foi uma mística do nosso tempo, aliando um trabalho incansável pela justiça a uma também incansável busca de Deus através da oração e da prática dos sacramentos, que eram simultaneamente fruto e razão dessa militância. Afirmou a um dado passo da sua vida, num momento em que foi acusada, enquanto mulher católica, de estar sistematicamente do lado dos pobres e dos trabalhadores, denunciando as situações de injustiça no seu jornal: “Se tu alimentas um pobre, és uma santa; se perguntas porque é que é pobre, és uma comunista”. Continua: “temos de falar sobre a pobreza, porque as pessoas isoladas no seu conforto perdem a visão daquilo que que a pobreza é”. Uma interrogação que fará ainda hoje um profundo sentido manter.

Para Dorothy a comunidade – um banquete em que existe companheirismo – é a resposta social para a longa solidão (…). Porque não podem os leigos compartilhar a vida em comunidade? – “não só a comunidade básica da família, mas também uma comunidade de famílias, combinando a propriedade privada com a propriedade comunitária”.

 

Sermão da Montanha, o exame de consciência

Interpelava as Igrejas: “não têm sido as igrejas cúmplices silenciosas da injustiça?” De uma forma visionária – e antecipando em muitos anos a Laudato Si’ – afirma: “Deus é nosso criador (…) portanto nós somos criadores. Ele deu-nos um jardim para plantar e cultivar. Tornamo-nos cocriadores com os nossos atos responsáveis, seja a criar os filhos, seja a produzir alimentos, móveis ou roupas. A alegria da criação deve ser a nossa alegria.”

Numa entrevista bem perto do fim da sua vida, Dorothy preconizou que o Sermão da Montanha “deve ser o nosso exame de consciência e não apenas palavras belas para se ler e escutar” porque “o amor transborda”. No início da sua autobiografia considera: “nós, mulheres, somos de forma especial vítimas da longa solidão.” Termina a sua autobiografia afirmando: “todos conhecemos a longa solidão e aprendemos que a única solução é o amor, e que o amor vem com a comunidade”.

Dorothy Day considerava Teresa de Ávila “uma mulher mística e prática”. Por seu lado, os seus amigos consideravam-na muito ordinary but very extraordinary – também mística e prática, a meu ver. Haverá mais interessante coincidência? Joan Chittister, reconhecida monja teóloga feminista afirma que ela era “como um firecracker, um fogo de artifício que explode em beleza”. Dorothy Day afirma convictamente: “Devemos viver esta vida agora. A morte não muda nada. Se não aprendermos a desfrutar de Deus agora, nunca iremos aprender”. E conclui: “Eu rezo porque sou feliz…” “Tudo é Graça”. Cito uma das Cartas de S. João na liturgia destes dias: “Deus é luz e n’Ele não há trevas. (…) se caminharmos na luz, como Ele vive na Luz, estamos em comunhão uns com os outros (…) Se alguém pecar, nós temos Jesus Cristo, o Justo, como advogado junto do Pai” (1Jo 1,5-2,2).

Dorothy, foste e és uma Mulher de Deus.

(Uma nota final: num outro registo não posso deixar de expressar, no final deste trabalho, o meu desejo profundo de que, aquando da sua beatificação e posterior santificação, Dorothy Day seja a santa “padroeira” do chamado “apostolado leigo”, sobretudo de mulheres. Foi exímia mestra na forma como se afirmou mulher leiga no mundo e na Igreja Católica.)

 

Teresa Vasconcelos é professora do ensino superior aposentada e participante no Graal, movimento internacional de mulheres enraizadas na fé cristã. (t.m.vasconcelos49@gmail.com )

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