
Vista de Jerusalém e do Monte das Oliveiras. Foto © John Theodor.
Os cristãos acreditam que foi aqui que Jesus passou os derradeiros dias da sua vida terrena, para o Islão este foi o local da ascensão daquele profeta ao céu, e pela sua encosta estende-se o mais importante cemitério judaico da cidade. Lugar sagrado para as três religiões monoteístas, o Monte das Oliveiras é também a última zona de Jerusalém Oriental ocupada que permanece fora do alcance de um movimento de colonos israelitas que tem estado a trabalhar para tornar a cidade mais judaica. Agora, um plano para converter parte do Monte das Oliveiras em parque nacional “fez soar os alarmes na Santa Sé”, avança o jornal britânico The Guardian na sua edição desta segunda-feira, 3 de abril.
O recente projeto do governo israelita prevê ampliar os limites do Parque Nacional dos Muros de Jerusalém para incluir uma parte do Monte das Oliveiras, tendo já sido aprovado preliminarmente pelo comité de planeamento municipal, e estando prevista a sua discussão e aprovação em final de agosto deste ano.
Segundo fontes consultadas pelo periódico britânico, o projeto inclui um teleférico para ligar um bairro judeu á Cidade Velha, um centro comercial, e vários negócios associados à vida noturna no Bairro Cristão, todos eles envolvendo a apropriação de terras palestinianas e, pela primeira vez, a deslocação de comunidades inteiras (e não apenas de famílias isoladas ou de habitantes de determinado edifício).
Atualmente, a presença israelita está estabelecida em toda a zona leste da cidade, exceto na área ocupada pelo Monte das Oliveiras. O plano iminente de transformar uma grande parte do mesmo em parque nacional, “completará o cerco da Cidade Velha e dos seus lugares sagrados”, refere o The Guardian. Assim, “um padrão claro começa a emergir”, já que “a soma total dos projetos garante a continuidade geográfica israelita na cidade, ao mesmo tempo que fragmenta a vida palestiniana”.
Propriedades da Igreja Católica afetadas
Documentos da Autoridade de Desenvolvimento de Jerusalém mostram ainda que alguns dos planos para o Monte das Oliveiras afetam propriedades da Igreja Católica: é o caso da criação de um percurso para peregrinos judeus que visitem o cemitério sagrado, o qual irá ocupar parte do orfanato das Irmãs de Santa Isabel, dirigido por freiras polacas.
Os líderes religiosos cristãos afirmam que “até ao momento nenhuma autoridade israelita entrou em contacto”, mas temem, no caso concreto deste percurso, que o acesso às igrejas e locais sagrados cristãos seja restringido e que a realização da procissão anual do Domingo de Ramos dificultada.
Estas notícias vêm somar-se às da intensificação dos ataques contra cristãos desde o início do ano na Terra Santa, perpetrados por grupos israelitas radicais, visando igrejas, cemitérios e outras propriedades [ver 7MARGENS].
Os cristãos, que há cem anos representavam 25% da população de Jerusalém, atualmente não ultrapassam os 2%. “A sensação, hoje em dia, é a de que somos hóspedes em Jerusalém, em vez de termos direitos e estatutos como comunidade. Deve-se entender que não somos convidados”, disse o patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, ao jornal britânico. “Moro em Jerusalém há mais de 30 anos. Vi a cidade mudar muito ao longo desse tempo. Precisamos de garantir que continue a ser um lugar acolhedor para todos”, concluiu.










