
Os ex-votos, que podem ser observados, no museu, até 29 de setembro. Foto © Rúben Castanheiro
“Segundo uma Promessa” é o título da exposição inaugurada a 18 de maio no Museu Abade de Baçal, em Bragança, e composta por uma centena de pequenos ex-votos, registados em tábuas, que descrevem o autor e o recetor de vários milagres, ao longo dos séculos XVIII e XIX. “O museu tem a obrigação de divulgar e de mostrar ao público algum do património que está disperso pela diocese de Bragança-Miranda”, disse ao 7MONTES Jorge Costa, diretor do museu.
Os ex-votos agora exposto estão, na sua maioria, guardados em santuários e capelas, de tal forma que acabam por ficar escondidos e fora da vista do grande público. “Por estarem, por vezes, nas sacristias, até a própria comunidade local pode não as conhecer. Daí, dar a conhecer este amplo e extraordinário património”, sublinha Jorge Costa.
Estes ex-votos carregam consigo a essência da cultura popular, pelo que, no entender do diretor do museu, é importante “chamar à atenção” para a preservação destas obras, por parte de zeladores e comissões, porque alguns destes pequenos testemunhos encontravam-se perdidos, degradados, ou tinham sido roubados. Em alguns casos foi, por isso, necessário proceder à sua recuperação e restauro.

Jorge Costa, durante a inauguração da exposição. Foto © Rúben Castanheiro
“São pequenos quadrinhos, de pintura sob madeira, tela ou cartão, que contam um milagre. Alguém, num período de aflição, perigo de vida ou de doença, pedia a Cristo, ou ao seu santo, e era curado. Funcionava como agradecimento, ou pagamento de uma promessa e, depois de pronto, era oferecido à ermida, à capela, ou ao santuário em questão”, explica Jorge Costa.
Já em relação à recolha, o diretor do museu revela que foi “uma autêntica aventura”. “Muitas destas obras foram trazidas pelos zeladores ao museu, mas o museu também conseguiu recolher algumas através das deslocações que fomos fazendo a cada comunidade”.
A exposição estará patente no Museu Abade de Baçal até 29 de setembro. Até lá, um dos objetivos passa por tentar descobrir se existem mais ex-votos espalhados pela diocese. “Espero, durante este processo, que apareçam ainda outras obras que possam vir a integrar a exposição, sendo identificadas e fotografadas para memória futura”, conclui Jorge Costa.










