A minha casa é a pele que visto

| 2 Abr 21

Ana Sofia Brito, Goa

“A minha casa é a pele que visto e hei de um dia instalá-la na aurora eterna dos braços distantes.” Foto: Goa © Ana Sofia Brito.

 

A morte não existe senão para os que não souberam viver, para quem não semeou o que há de brotar.

Vivermos absortos em tudo o que é palpável leva-nos a crer que o fim da matéria é o adeus definitivo, mas os que amamos não morrem.

Fazem-nos falta como falta nos faz a infância pela vida fora e, nem por isso, a criança que somos se desvanece na velhice.

Os que amamos poderiam sempre demorar-se um pouco mais em nossos dias porque a saudade nunca estará preparada, deixaria de sê-lo; e jamais gavetas estarão vazias o suficiente para destinar amor ao esquecimento. Conquanto a plenitude ensina que a não presença se despe de ausência onde o afeto reside.

Os que amei permanecem para além da vida; na memória que se aninha nos regaços em flor, no odor dos perfumes guardados em panos envelhecidos, nas prateleiras empoeiradas onde os raios pontes pousam para aquecer retratos a preto e branco, em exposição arrepiada.

A minha casa é a pele que visto e hei de um dia instalá-la na aurora eterna dos braços distantes. Tenho o mundo inteiro aninhado na memória e o cheiro entranhado nos poros carentes do toque remoto; mas é quanto me basta, pois vou já a caminho.

 

Ana Sofia Brito é performer e artista de rua por opção, embora também mantenha a arte de palco; frequentou o Chapitô e estudou teatro físico na Moveo, em Barcelona.

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