Mary John O.P. (1931-2023)

A Monja Tradutora e nós – uma evocação da irmã Mary John pelo cardeal Tolentino

| 23 Abr 2023

A irmã Mary John, que viveu durante anos no Mosteiro das Monjas Dominicanas, do Lumiar, em Lisboa, morreu na noite de sexta-feira, 21, para sábado, em Fátima, onde residia desde 2019.

No momento da sua morte, o cardeal José Tolentino Mendonça escreveu este depoimento, que o 7MARGENS a seguir publica em exclusivo.

 

A irmã Mary John no Mosteiro do Lumiar (LIsboa), em 2016, no seu trabalho de tradutora: Congar deve-lhe a ela várias traduções das suas obras para inglês. Foto © António Marujo/7MARGENS.

A irmã Mary John no Mosteiro do Lumiar (LIsboa), em 2016, no seu trabalho de tradutora: Congar deve-lhe a ela várias traduções das suas obras para inglês. Foto © António Marujo/7MARGENS.

 

Na morte da Irmã Mary John O.P. o nosso pensamento não pode deixar de se transportar à experiência profunda e inovadora de vida monástica de que ela foi uma das protagonistas no Mosteiro do Lumiar, em Lisboa. À medida que o tempo passa compreendemos melhor o alcance profético da opção que aquelas mulheres cristãs fizeram interpretando os desafios do Concílio Vaticano II, arriscando viver entre nós, de forma fraterna e criativa, um cristianismo de acolhimento, de relação e de futuro. Elas foram, como diz Jesus, «vinho novo em odres novos» (Mateus 9,17). E por duas razões que são bem evidentes a todos os que as conheceram. Primeiro, porque eram testemunhas credíveis da frescura espiritual que sopra do Evangelho. E depois, porque escolheram habitar a fronteira não como um lugar de tensão e hostilidade, mas como uma prática humilde de escuta e de reconhecimento. Quando fecho os olhos, vejo-as às quatro sentadas à soleira daquilo que desejamos seja o futuro da Igreja e do mundo.

 

As irmãs Maria Domingos, que morreu em 2020, e Mary John, na capela do então Mosteiro de Santa Maria, do Lumiar, em Março de 2016. Foto © António Marujo/7MARGENS.

As irmãs Maria Domingos, que morreu em 2020, e Mary John, na capela do então Mosteiro de Santa Maria, do Lumiar, em Março de 2016. Foto © António Marujo/7MARGENS.

 

Numa comunidade, cada membro é portador de um quinhão da originalidade carismática que a tece. A Irmã Mary John O.P. era aquela que cuidava quotidianamente de inscrever a experiência daquele pequeno mosteiro no horizonte internacional da Ordem Dominicana e do pulsar da Igreja. Ela ajudava a ver que o caminho que ali se trilhava estava em sintonia com as raízes da experiência monástica dominicana, mas também com o presente. Quando se sentiu chamada a tornar-se monja, Mary John era tradutora em Itália, numa estrutura militar da NATO. Mudou radicalmente de destino, mas viria a ser toda a vida também tradutora, e é importante recordar a sua atividade notável nesse campo. Pense-se, por exemplo, que foi uma das principais tradutoras do teólogo Yves Congar O.P. e o nome dela lhe está associado nas atuais edições inglesas e americanas da sua obra.

 

As três últimas irmãs da comunidade do Lumiar (Lisboa), já no Mosteiro de Fátima das Monjas Dominicanas, em 2019: Mary John, Teresa e Maria Domingos. Foto © Maria do Carmo Marques Lito

As três últimas irmãs da comunidade do Lumiar (Lisboa), já no Mosteiro de Fátima das Monjas Dominicanas, em 2019: Mary John, Teresa e Maria Domingos. Foto © Maria do Carmo Marques Lito

 

Uma das preocupações das Monjas do Lumiar foi que a experiência que viviam se propagasse na diversidade dos itinerários, das formas de existência e das vocações. O mosteiro continuava para além dele mesmo. E, de facto, fizeram-nos a todos herdeiros de uma pergunta que se mantém em aberto: como continuar e multiplicar a beleza e a autenticidade do que ali se viveu? Obrigado, em nome de tantas e de tantos cristãos, à querida Irmã Mary John.

 

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