A não-violência, resposta política e social à guerra, às guerras

| 14 Mai 2022

Barricada pela Paz promovida por escolas de Braga. Foto © Eduardo Jorge Madureira

“Barricada pela Paz” na Ucrânia, promovida por escolas de Braga: “A não-violência carece de ser explicada e compreendida.” Foto © Eduardo Jorge Madureira.

 

A não-violência carece de ser explicada e urge ser compreendida, como recurso que se articula em torno da palavra e dos nossos corpos e que é intransigente na defesa do direito e da autonomia e das liberdades públicas.

Os resistentes à guerra, também portugueses, têm muita história, que se articula também com a resistência à guerra colonial, que passa pelas lutas contra o Serviço Militar Obrigatório e claro, antes, pela objecção de consciência. Que passa pela oposição à cultura de guerra que entre nós sempre foi patrocinada por quem só se opunha às armas de um dos lados – e que hoje continua a procurar álibis para tomar o partido errado, o da continuação da guerra – e que sempre nos teve atravessados à sua frente, fosse no discurso, fosse na oposição a essa visão redutora e unilateral.*

A nossa resistência à guerra sempre foi articulada com conceitos de defesa da vida e do ambiente, com lógicas de conservação da natureza e recursos, que são destruídos pelas máquinas militares e as indústrias que lhe estão por trás, em qualquer das suas formas. Recordemos que os piores pesticidas, os mais tenebrosos químicos foram testados em guerras e de igual forma a nuclear civil é um fruto contaminado da nuclear militar, hoje infelizmente disseminada por todo o mundo que sofre as consequências das emissões radioactivas.

Infelizmente os média, na sua lógica de venda de um produto, e pensando que a opinião publicada ou difundida é a que interessa ao público, que numa lógica de pescadinha de rabo na boca segue essa lógica e a continua, não encontra espaço para discursos alternativos que geram humanidade.

Continuamos a desenvolver informação do mais: mais armas, mais combates, mais mortes, mais carnificinas, mais feridos, mais armas. Um ciclo vicioso que tem que ser rompido com novos recursos. A não-violência é o caminho para acabar com a guerra, a não-violência e a resistência civil nesse âmbito são fundamentais para alterar os paradigmas dominantes. Se começarmos a falar disso, de exemplos históricos, mas também de tantos, tantos outros de actualidade, que todos os dias estão a ocorrer.

Na Rússia, na Ucrânia, em todo o mundo somos muitos, que de formas diversas dizemos não à guerra e propomos outra coisa. E iremos romper o silêncio.

 

* Os resistentes à guerra também têm sido os principais resistentes ao discurso do contra “esta” guerra, em nome de outra coisa, patrocinado por um dos lados da mesma.

 

António Eloy é escritor e coordenador do Observatório Ibérico de Energia; neste domingo, 15 de Maio, assinala-se o Dia Internacional do Objector de Consciência

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Índia

Carnataca é o décimo Estado a aprovar lei anticonversão

O Estado de Carnataca, no sudoeste da Índia, tornou-se, no passado dia 15 de setembro, o décimo estado daquele país a adotar leis anticonversão no âmbito das quais cristãos e muçulmanos e outras minorias têm sido alvo de duras perseguições, noticiou nesta sexta-feira, 23, o Vatican News, portal de notícias do Vaticano.

Neste sábado, em Lisboa

“Famílias naturais” em convívio contra a ideologia de género

Prometem uma “tarde de convívio e proximidade”, um concerto, diversão e “múltiplas actividades para crianças e adultos: o “Encontro da Família no Parque” decorre esta tarde de sábado, 24 de Setembro, no Parque Eduardo VII (Lisboa), a partir das 15h45, e “pretende demonstrar um apoio incondicional à família natural e pela defesa das crianças”.

Fraternidade sem fronteiras

Fraternidade sem fronteiras novidade

A fraternidade é imprescindível na vida e na missão. No Congresso sobre o tema, a realizar nos dias 14 e 15 de Outubro, em Lisboa, queremos reflectir sobre a construção da fraternidade na sociedade, na política, na economia, na missão, no diálogo entre as religiões e na reconstrução da esperança.

Irmã Elis Santos: “São mais de 500 anos a sobreviver, e nós queremos existir”

Indígena do povo Mura em entrevista

Irmã Elis Santos: “São mais de 500 anos a sobreviver, e nós queremos existir” novidade

Aos 35 anos, Elis Santos, religiosa da Divina Providência, é uma das vozes mais ativas no Brasil na luta pelos direitos dos povos indígenas. Descendente do povo Mura e mestre em Antropologia Social, a irmã Elis falou ao 7MARGENS durante o encontro d’A Economia de Francisco, que decorreu na semana passada em Assis, e lamentou que no seu país continue a prevalecer “uma economia que mata”. 

Agenda

There are no upcoming events.

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This