A (necessária) arte do encontro

| 27 Nov 21

“No encontro acordamos ao som dos sonhos dos outros, tão frescos e verdes como nos dias de primavera, e nós a vê-los dispostos a voar e a cair dos galhos (e nós deixando), pois ao planar só se chega se se tenta.” Foto © Shutterstock

 

Os encontros revelam-nos sempre o nosso lugar no tempo e na história, desde que estejamos disponíveis para o movimento.

Vamos para o encontro como somos e vamos como estamos. Muitas vezes estamos de ego tão exacerbado e de alma tão conturbada que apenas nos transportamos para os encontros, como caixas fechadas e vociferando impressões, sem nada ouvir e receber de quem nos rodeia.

A autorreferencialidade retira-nos a capacidade de nos vermos a nós mesmos, pois só o sermos vistos por um outro nos devolve – naquele tempo e lugar – o peso e a medida do nosso ser.

A teia de relações e de encontros (e nós em movimento) recria-nos e saímos reinventados em cada permuta, descobrindo em nós luzes que levávamos e não víamos, e dando nós, com o nosso olhar, vigor e alento ao que parecia adormecido.

No tempo, vamos descrevendo interiormente esse peregrinar que parece tão óbvio, de substituir sonhos por experiências e estas a dar-nos, de forma encapotada ou nem por isso, o tom outonal de quem já viveu tudo.

No encontro acordamos ao som dos sonhos dos outros, tão frescos e verdes como nos dias de primavera, e nós a vê-los dispostos a voar e a cair dos galhos (e nós deixando), pois ao planar só se chega se se tenta.

Percebemos sim, o nosso lugar que, de grande, imenso e omnipotente, se transforma, pelo amor, em preferência de quem vemos, destinado a ser maior do que o seu tempo, pois por ele nos fazemos mais pequenos.

Esse deixar o outro crescer fazendo-nos mais pequenos, ao invés de reduzir, engrandece-nos. Do nosso passado o rasto das escolhas, do nosso presente o reabrir dos sonhos, do nosso futuro um lugar acompanhado, tão cheio e tão brilhante como aqueles com quem vamos.

 

Dina Matos Ferreira é consultora e docente universitária.

 

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