“Tomo de empréstimo um verso de Guimarães Rosa: todo o dia é véspera, para estes pequenos poemas da nossa circunstância”, diz Luís Soares Barbosa, poeta e professor na Escola de Engenharia da Universidade do Minho, que a partir desta terça-feira, 24, inicia no 7MARGENS uma colaboração mensal com poemas que são, “em rigor, uma espécie de comentários sobre a nossa circunstância portuguesa”, explica.
“Véspera de quê se as mãos são mudas? O que aguardar em cada madrugada? Ou melhor: Como esperar ainda? Como pressentir a curva no caminho?”, diz, para explicar o sentido destes textos, o autor de meu nome é ninguém, publicado no final de 2025 na Officium Lectionis, a partir de um breve poema de Emily Dickinson: “I’m nobody. Who are you? / Are you – Nobody – too?”
“E, no entanto, com Auden, imagino que a poesia nos possa tornar ‘mais humanos, mais difíceis de enganar”, acrescenta Luís Soares Barbosa.
Estes serão poemas diferentes daqueles que estão reunidos nos sete livros já publicados pelo poeta. Os poemas, que serão publicados simbolicamente aos dias 24 de cada mês (aparecendo na nossa newsletter de 25, data da mudança no país trazida pela Revolução de Abril de 1974) partem geralmente “de uma frase ouvida ou lida, de um acontecimento”, acrescenta ainda.
Luís Soares Barbosa, que é também investigador no INESC-TEC, começou por publicar onde sopra o vento (Edições Quasi, 2004) e embora seja noite (2007) e sobre fio de lume (2008), na Cosmorama. Em 2016 apareceu, em publicação da Câmara Municipal de Braga, e fico só e falo com as sombras, um roteiro para uma fotobiografia de Maria Ondina Braga, texto que tinha recebido o Prémio Literário que homenageia esta escritora.
Nos últimos anos, já na Officium Lectionis, editora que se tem dedicado à poesia e cujo responsável foi já entrevistado pelo 7MARGENS, surgiram breves dias, longo o medo (2022) e a poesia vende pouco (2023), prefaciado pelo moçambicano Ondjaki, antes do último título, já referido.
No poema “observação e lamento no porto de sídon, quando o dia cai, junho, 2013”, escreve Luís Soares Barbosa: “alguns esperaram, atónitos, a floração/ das pedras.// outros sucumbiram ao seu travo amargo.// outros ainda colheram dos dias/ as horas destruídas/ e depuseram-nas vazias/ no limiar do corpo.// cidades e portos se despiam/ de quanto em si tiveram,/ incluindo um ínfimo/ entre mãos sem nome.// de cada um, só sua noite resta.”
Informação sobre a poesia de Luís Soares Barbosa pode ser encontrada na página a ela dedicada.










