A Páscoa é sempre “pagã”

| 9 Abr 21

Jardim, Mosteiro, Flores,

Jardim do antigo Mosteiro do Lumiar das Monjas Dominicanas, Lisboa. Foto © Lucy Wainewright

 

Pagão tem a nobreza antiga de uma pujante raiz de palavras:
PAK – o sólido pau que marca os limites dos campos fecundos
Ao redor dos pagos longe da corrupção das cidades.
Tem a força dos pactos e a estabilidade da paz
E a beleza da página bem lavrada em esquadria
Como os sulcos que fertilizam a terra.

Mesmo com nuvens negras, é sempre um dia bonito.
E a cruz engalanada faz sentir o cheiro a vida.

A Páscoa é sempre pagã
Porque nasce com a força da primavera
Entre as flores que nos cativam com promessas de frutos.
Porque cheira ao sol que brilha na chuva
E transforma a terra em páginas cultivadas
Donde nascem os grandes livros, os pensamentos
E as cidades que se firmam em pactos de paz.
É a Páscoa dos Discípulos de Emaús:
Afastavam-se de Jerusalém lembrando esperanças perdidas.
(Dói muito ver partir quem caminha connosco de braço dado…)
Mas guardavam de Jesus uma imagem luminosa
Porque o seu agir e falar apontavam para o futuro
Para o bem maior das gerações que vão crescendo
(Lembrando que a mulher em dores de parto
Exulta de alegria por ter gerado vida nova).
Confusos de tão tristes
Não conseguiam abrir as páginas da vida e das Escrituras.
Quando as souberam ler?
– Ao darem atenção a um desconhecido viajante…

Aproximou-se delicadamente
Para não ferir esse mundo de tristeza
E por saber ler a profunda alegria
Escondida entre páginas sagradas.
Mostrou-lhes que o Jesus crucificado
Não se encontra entre os mortos – vive sim
Na alegria de Deus e sempre amigo
E pronto a partilhar o pão da Paz
Com aqueles que vão sulcando a terra
Suando mas cantando – como filhos
Do Senhor que de longe os vai guiando.

 

Manuel Alte da Veiga é professor aposentado do ensino universitário.

 

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