AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Jovens visitam a exposição de objetos religiosos profanados no Iraque, promovida pela Fundação AIS, na Basílica dos Mártires, durante a JMJ. Foto Clara Raimundo.

Na Basílica dos Mártires

A pequena grande exposição que pode “ajudar a salvar vidas”

| 03/08/2023

Jovens visitam a exposição de objetos religiosos profanados no Iraque, promovida pela Fundação AIS, na Basílica dos Mártires, durante a JMJ. Foto Clara Raimundo.

Ao deparar-se com os objetos religiosos profanados, os jovens revelam choque, consternação e compaixão. Foto © Clara Raimundo.

 

“Impressionante”, “comovente”, “absolutamente necessária”… O impacto que a exposição de artigos religiosos profanados e danificados no Iraque – promovida pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) e patente na Basílica dos Mártires, em Lisboa, até esta sexta-feira, 4 de agosto – é percetível nas palavras que os jovens usam para descrevê-la, e bem visível na expressão do seu olhar, entre o choque, a consternação e a compaixão, à medida que se deparam com os objetos expostos e ganham consciência de que cristãos como eles foram – e continuam a ser – perseguidos.

Crucifixos quebrados, custódias destruídas, ícones e cálices trespassados por balas, oferecidos pela Igreja Caldeia e Sírio-Católica do Iraque, podem ser vistos ao longo do pequeno batistério da basílica. “Não são muitos objetos, e estão em silêncio, mas é como se gritassem”, afirma o jornalista Paulo Aido, do departamento de comunicação da Fundação AIS, que tem acompanhado muitos dos jovens na sua visita à exposição.

“Tem sido muito interessante observar como tantos jovens, e menos jovens também, ficam sensibilizados ao constatar o que  significou esta violência para com a comunidade cristã iraquiana na Planície de Nínive quando os jihadistas do auto-proclamado estado Islâmico ocuparam estas terras bíblicas”, diz Paulo Aido ao 7MARGENS, e acrescenta: “Ficam sensibilizados ao ponto de perguntarem como podem colaborar connosco, e é fascinante perceber que, com a Jornada Mundial da Juventude, estamos a alargar esta onda de solidariedade para com os cristãos perseguidos ou que sofrem algum tipo de violência”.

Sempre que possível, Paulo faz questão de recordar aos visitantes que “foi precisamente há nove anos, nos primeiros dias de agosto de 2014, que esta violência começou”, e que ainda não terminou. Milhares, cerca de cem mil, deixaram de um dia para o outro as suas casas, as suas terras, as suas memórias. “E muitos deles eram crianças e jovens, como aqueles que nos têm visitado. Pessoas reais, com um rosto, com B. I.”, sublinha o jornalista.

O ódio aos cristãos ficou patente nas casas, igrejas, hospitais e escolas, que foram saqueados e destruídos. “Os objetos que aqui temos revelam que se tratou de ódio puro e gratuito”, afirma Paulo Aido, e aponta para um ícone da anunciação a Nossa Senhora, com uma bala cravejada. “Andaram a fazer tiro ao alvo”, assegura.

Exposição de objetos religiosos profanados no Iraque, promovida pela Fundação AIS, na Basílica dos Mártires, durante a JMJ. Foto Clara Raimundo.

Um ícone da anunciação a Nossa Senhora, com uma bala cravejada. “Andaram a fazer tiro ao alvo”, assegura Paulo Aido. Foto © Clara Raimundo.

“Nós, jovens que viemos à Jornada, temos o dever de ajudar”

A Fundação Pontifícia não contabilizou ainda o número de visitantes da exposição, mas Paulo Aido não tem dúvidas: “Já passaram por aqui milhares de jovens”. Edward Raine, 22 anos, foi um deles. Quando se dirigiu à Basílica dos Mártires, no Chiado, na tarde desta quinta-feira, 3 de agosto, o seu objetivo era venerar as relíquias do beato italiano Carlo Acutis. Mas um cartaz alusivo à exposição da Fundação AIS, logo à entrada, chamou a sua atenção.

O estudante de História, vindo de Inglaterra, conta ao 7MARGENS que se lembrou de imediato das imagens que viu na televisão por altura do início da perseguição, tinha ele 14 anos. E fez questão de entrar. “É completamente diferente vermos as coisas pela televisão e confrontarmo-nos com a realidade, através destes objetos concretos”, partilha.

Exposição de objetos religiosos profanados no Iraque, promovida pela Fundação AIS, na Basílica dos Mártires, durante a JMJ. Foto Clara Raimundo.

A exposição ocupa o pequeno batistério da Basílica dos Mártires e está patente até esta sexta-feira. Foto © Clara Raimundo.

 

Edward observou atentamente todos os objetos, demorando-se em cada um deles, numa atitude quase orante. “Tenho visto esta atitude em muitos jovens, sinto que veem a exposição com o coração”, afirma Paulo Aido.

Ao sair, o jovem inglês partilhou que sim, “é importante orar”, mas “é preciso mais do que isso”. “Além de rezarmos, temos o dever de contribuir para alertar para o que se passa com esta comunidade e outras no mundo inteiro que continuam a ser perseguidas, e também de apoiar instituições como a Fundação AIS”, afirmou. “E nós, jovens, que tivemos dinheiro para vir à Jornada Mundial e que se calhar saímos daqui e vamos comprar um crucifixo ou um souvenir qualquer na loja mais próxima, podemos e devemos usar esse dinheiro para ajudar de uma forma mais efetiva”.

O testemunho de Edward vem confirmar aquilo que Paulo Aido já pensava e sentia: “É empolgante estar aqui, e fazer este trabalho. Com esta pequena exposição, estamos a lançar uma semente em terra fértil. E podemos estar a salvar vidas”.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Tinha 73 anos

[Olhar de teóloga]

Tinha 73 anos novidade

Decidi que, sempre que, infelizmente, escrever sobre o suicídio de um padre, vou intitular o artigo com a idade daquele que não encontrou outra saída.
Bernard Card, da diocese de Dijon, em França, suicidou-se na casa paroquial. Ao que parece, era um padre activo, envolvido em várias atividades diocesanas e de trato fácil e próximo. [Texto de Cristina Inogés Sanz]

Menos grelhas para preencher, mais pensamento em conjunto? O desafio da colaboração nas escolas

[Entre o quadro e o mundo (32)]

Menos grelhas para preencher, mais pensamento em conjunto? O desafio da colaboração nas escolas novidade

Ter reuniões marcadas, tempo reservado nos horários e instrumentos para registar o trabalho conjunto não significa necessariamente que exista colaboração entre professores. No novo episódio do podcast “Entre o Quadro e o Mundo”, Luís Francisco Marques questiona uma escola cada vez mais capaz de organizar e medir o que é feito por todos, mas nem sempre capaz de criar uma cultura em que os professores pensem verdadeiramente em conjunto.

Pai Telmo: homem de testemunho eloquente

Evocação

Pai Telmo: homem de testemunho eloquente novidade

A morte e a noite caíram sobre nós demasiado depressa com a notícia do falecimento de Pai Telmo. Os seus 100 anos foram um sopro veloz que não deixou ninguém indiferente e a sua dedicação à Igreja dos mais pobres uma brisa que suavizou muitas dores. [Texto de padre José Alfredo].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.