“A pior tragédia deste ano no Mediterrâneo” matou pelo menos 70 pessoas

| 26 Jul 19 | Destaques, Direitos Humanos, Newsletter, Sociedade - homepage, Últimas

Miguel Duarte, o português processado em Itália por ajudar a salvar vidas: desta vez, o socorro dias ONG não chegou a tempo para pelo menos 70 pessoas. Fotografias © Rita Gaspar

 

Pelo menos 70 pessoas morreram no Mediterrâneo, naquela que pode ser a maior tragédia deste ano, vitimando refugiados. A notícia foi divulgada pelas equipas dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Líbia, que socorreram no porto de Khoms, a cerca de 120 quilómetros de Trípoli, os sobreviventes do naufrágio.

De acordo com o Vatican News, dois barcos de pesca com cerca de 300 pessoas a bordo naufragaram no Mediterrâneo, quando os seus ocupantes se preparavam para atingir a costa europeia. No início, os sobreviventes terão sido ajudados por pescadores, recebendo depois ajuda de várias ONG (organizações não governamentais).

De acordo com as primeiras estimativas, o naufrágio terá provocado a morte a 70 pessoas, mas haverá ainda pelo menos 100 desaparecidos – mas o The Guardian, citado pela Ecclesia, fala em 150.

“A terrível notícia deste novo trágico naufrágio demonstra mais uma vez o altíssimo preço da actual situação na Líbia em vidas humanas. Mostra também a falta de uma adequada capacidade de busca e socorro no Mediterrâneo”, afirmou Julien Raickman, chefe da missão dos MSF na Líbia.

Muitos dos desaparecidos podem ter-se afogado, de acordo com os primeiros testemunhos dos sobreviventes atendidos pelos Médicos Sem Fronteiras. Vários dos 137 sobreviventes, ainda de acordo com a mesma fonte, estavam em estado de choque com sintomas de pré-afogamento.

Filippo Grandi, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) refere que esta é a pior tragédia do ano no Mediterrâneo. Grandi apelou a que se “retomem o resgate das pessoas no mar, acabem com a detenção de refugiados e migrantes na Líbia e aumentem os itinerários seguros fora da Líbia”. Estas medidas, acrescenta, ainda citado no Vatican News, devem ser postas já em marcha, “antes que seja tarde demais para muitas pessoas desesperadas”.

Já a ONG Save the Children comentou que é “absolutamente inaceitável que a Europa permaneça indiferente diante de todas estas tragédias às suas portas”. Para esta organização internacional, “salvar vidas humanas deve ser a principal preocupação dos Estados membros da União Europeia”. Ao mesmo tempo, “também é indispensável que a comunidade internacional, em primeiro lugar a Europa, multiplique os seus esforços para encontrar itinerários seguros longe das áreas de crise, evitando que milhares de pessoas tenham que confiar em traficantes que colocam suas vidas em perigo para atravessar o Mar Mediterrâneo, como demonstrou mais uma vez esta tragédia”.

Nos primeiros cinco meses deste ano, uma em cada 14 pessoas das que tentaram atravessar o Mediterrâneo perderam a vida – muitas delas eram crianças, as mais vulneráveis. A insegurança e a situação de guerra civil na Líbia faz com que muitos refugiados fiquem presos às mãos de traficantes ou guerrilheiros. Os que escapam a essa situação ou tentam atravessar o mar ou o deserto do Sara.

O ACNUR regista 164 vítimas mortais em 2019, vindos da Líbia, num total de 683 mortes no Mediterrâneo desde o início do ano e 426 mortes nas ‘rotas negras’, oriundos da Argélia, Tunísia ou Líbia em direção a Malta ou Itália, recorda a Ecclesia, na notícia antes citada.

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